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A Embaixada da República de Botsuana no Brasil realizou, em Brasília, uma recepção para celebrar os 60 anos da independência do país, marco histórico que representa o chamado Jubileu de Diamante. Durante a cerimônia, a Embaixadora de Botsuana no Brasil, Benetia Tumelo Chingapane, destacou a trajetória de transformação de seu país desde a independência, em 1966, e ressaltou o fortalecimento das relações diplomáticas e da cooperação com o Brasil.
Com o tema “Botsuana aos 60: construindo resiliência e promovendo prosperidade”, a celebração reuniu autoridades, representantes do corpo diplomático, convidados e amigos de Botsuana no Brasil.

Em seu discurso, a embaixadora agradeceu a presença dos convidados e destacou a importância de compartilhar com o Brasil um momento tão significativo da história de Botsuana.
“É um privilégio celebrar este evento na República Federativa do Brasil, um país com o qual Botsuana mantém excelentes relações históricas de amizade e cooperação mutuamente benéfica”, afirmou.
Segundo Chingapane, Botsuana e Brasil compartilham não apenas interesses econômicos, como a importância da pecuária e da produção de carne bovina, mas também uma visão de fortalecimento da cooperação Sul-Sul, baseada no intercâmbio de conhecimentos, experiências e soluções entre países em desenvolvimento.
De um dos países mais pobres à transformação econômica
Ao recordar os primeiros anos de independência, a embaixadora destacou os enormes desafios enfrentados por Botsuana em 1966.
Naquele período, o país apresentava baixos indicadores econômicos e sociais, pouca infraestrutura, escassez de recursos humanos qualificados e uma rede limitada de escolas e serviços de saúde. Botsuana também enfrentava uma severa seca.
Chingapane lembrou que, no momento da independência, havia menos de 70 pessoas no país com alguma qualificação de nível secundário. As principais cidades e comunidades ainda não estavam conectadas por estradas e as estruturas de saúde eram bastante limitadas.
Apesar das dificuldades, a população de Botsuana apostou na construção de um Estado livre, democrático e não racial. A liderança do primeiro presidente do país, Sir Seretse Khama, teve papel central nesse processo.
A embaixadora ressaltou que a estratégia de desenvolvimento de Botsuana foi baseada também em princípios tradicionais da sociedade local, como therisanyo, associado à consulta e ao diálogo; botho, relacionado ao respeito e à humanidade; e kagisano, que representa a harmonia.
A descoberta e a exploração de diamantes tiveram papel decisivo na transformação econômica do país. Os recursos provenientes do setor contribuíram para investimentos em educação, saúde, infraestrutura e geração de empregos.
Botsuana alcançou posteriormente a condição de economia de renda média-alta, mas, segundo a embaixadora, o país reconhece que a prosperidade futura não poderá depender exclusivamente dos diamantes.

Nova agenda de desenvolvimento
Ao completar seis décadas de independência, Botsuana busca avançar para uma economia mais diversificada, inovadora e digitalizada.
A nova agenda de desenvolvimento está estruturada em instrumentos como o 12º Plano Nacional de Desenvolvimento (NDP 12), o Botswana Economic Transformation Programme (BETP) e a National Transformation Strategy.
As iniciativas têm como objetivo promover crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável, além de estimular uma economia liderada pelo setor privado e orientada para as exportações.
Entre as áreas prioritárias estão mineração e energia, agricultura, indústria, turismo, esportes e economia criativa, infraestrutura, serviços financeiros e digitalização. Educação, saúde e proteção social também ocupam posição de destaque na estratégia nacional.
Botsuana e Brasil: quatro décadas de relações diplomáticas
A relação entre Botsuana e Brasil tem como marco a criação das relações diplomáticas em 1985. Desde então, os dois países vêm ampliando os mecanismos de cooperação, especialmente no contexto da chamada cooperação Sul-Sul.
O Brasil foi o primeiro país da América Latina a estabelecer uma missão diplomática residente em Botsuana, em 2007. Dois anos depois, em 2009, Botsuana inaugurou sua Embaixada residente no Brasil.
A presença diplomática permanente dos dois países contribuiu para ampliar o diálogo político, econômico, comercial, educacional e técnico, criando novas oportunidades de intercâmbio.
Ao longo desse período, Brasil e Botsuana assinaram acordos e instrumentos de cooperação em diferentes áreas, incluindo a criação de uma Comissão Permanente Conjunta de Cooperação, cooperação cultural e educacional, produção de gado de corte, defesa, fortalecimento de cooperativas e associações rurais.
Outro marco importante foi a assinatura, em julho de 2022, do acordo de isenção de visto, facilitando a circulação de cidadãos dos dois países dentro das condições estabelecidas pelo acordo.

Agricultura ganha destaque na parceria bilateral
A agricultura é atualmente uma das áreas de maior potencial na cooperação entre Brasil e Botsuana.
A parceria inclui iniciativas voltadas ao fortalecimento de cooperativas e associações rurais, em colaboração com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). De acordo com a embaixadora, a primeira fase do projeto teve boa receptividade entre os produtores participantes, enquanto uma segunda etapa está em avaliação.
Um dos principais exemplos dessa cooperação é o Projeto Milk Valley, voltado ao aumento da produção nacional de leite em Botsuana.
Em março de 2026, Botsuana assegurou a aquisição de 1.000 vacas da raça Girolando provenientes do Brasil, destinadas ao fortalecimento da produção leiteira nacional.
Durante o discurso, a embaixadora informou que o terceiro carregamento de animais havia sido entregue em Botsuana e que os animais já estavam instalados na Milk Valley Farm, em Lobatse.
A iniciativa também contempla um programa intensivo de capacitação técnica de 18 meses, com treinamento oferecido por fornecedores brasileiros nas áreas de reprodução, nutrição e manejo de rebanhos.
A cooperação demonstra como o conhecimento acumulado pelo Brasil no setor agropecuário pode ser aplicado às necessidades de desenvolvimento de Botsuana, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para empresas, produtores e instituições dos dois países.
Saúde e educação também fazem parte da cooperação
Na área da saúde, a parceria bilateral inclui ações de apoio ao sistema de saúde de Botsuana. A embaixadora agradeceu ao Brasil pela doação de medicamentos essenciais, incluindo contraceptivos e medicamentos destinados ao tratamento da tuberculose.
No campo educacional, Botsuana participa do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), iniciativa brasileira que possibilita a estudantes estrangeiros cursarem graduação em instituições de ensino superior do Brasil.
Para os estudantes de Botsuana, além da formação acadêmica, o programa representa uma oportunidade de conhecer a sociedade brasileira e adquirir domínio da língua portuguesa, conhecimento que pode ser posteriormente aplicado no desenvolvimento do país.
Comércio e investimentos
As relações econômicas entre Brasil e Botsuana também apresentam espaço para expansão.
Segundo dados apresentados pela Embaixada de Botsuana durante a celebração, o comércio bilateral registrou crescimento de 129,3% em 2025 em comparação com 2024.
Para os dois países, a ampliação das relações comerciais está diretamente relacionada à busca por diversificação econômica e à criação de novas oportunidades para empresas e investidores.
A agenda bilateral inclui ainda possibilidades de cooperação em setores como indústria farmacêutica, agregação de valor à indústria do couro e apoio a micro e pequenas empresas.
Novas oportunidades de parceria
Ao olhar para os próximos anos, a Embaixada de Botsuana considera que existe amplo espaço para aprofundar a cooperação com o Brasil.
A experiência brasileira em agricultura, indústria, cooperativismo, educação, saúde, digitalização e desenvolvimento de pequenas empresas pode contribuir para os objetivos de transformação econômica de Botsuana.
Ao mesmo tempo, a posição de Botsuana na África Austral e sua experiência de desenvolvimento oferecem ao Brasil oportunidades para ampliar relações comerciais e institucionais com o continente africano.
A parceria também ganha relevância no contexto da agenda internacional de cooperação Sul-Sul, na qual países em desenvolvimento buscam compartilhar conhecimentos, tecnologia e experiências para enfrentar desafios comuns.

Amizade entre os dois países
Ao concluir seu discurso, a Embaixadora Benetia Tumelo Chingapane afirmou que Botsuana e Brasil são parceiros naturais e destacou as semelhanças entre os desafios e aspirações dos dois países.
“Botsuana e Brasil são parceiros naturais. Nossas histórias, nossos desafios e nossas aspirações estão alinhados”, declarou.
A diplomata também reforçou a importância de continuar fortalecendo a resiliência e a prosperidade por meio da cooperação bilateral e da parceria entre países do Sul Global.
A celebração dos 60 anos de independência de Botsuana, portanto, não representou apenas uma homenagem à trajetória histórica do país desde 1966. O evento também serviu como oportunidade para reafirmar o compromisso de Botsuana e Brasil com o aprofundamento de suas relações diplomáticas, econômicas, comerciais, educacionais e culturais.
Ao brindar a data, a embaixadora desejou saúde e felicidade ao Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao Presidente de Botsuana, Duma Gideon Boko, encerrando a cerimônia com uma mensagem de amizade e cooperação.
“Pula! Muito obrigada! Ke lebogile! Thank you!”






