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Em uma agradável manhã de aromas, sabores e descobertas, a Embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlíková, e o Senhor Jan Havrlík receberam, na residência oficial da República Tcheca, integrantes do GCCM — Grupo dos Cônjuges dos Chefes de Missão para uma apresentação e degustação de cafés produzidos na Alta Mogiana, tradicional região cafeeira localizada no nordeste do estado de São Paulo, na divisa com Minas Gerais.
Por uma feliz coincidência, o encontro ocorreu na mesma data em que se celebra o Dia Internacional do Café, proporcionando um momento especial para conhecer um pouco mais sobre a produção, a tradição e a qualidade dos cafés brasileiros.

A programação contou com uma apresentação conduzida pelo produtor Paulo César Toledo Campos Filho, representante da quinta geração de uma família dedicada à produção de café. Durante o encontro, ele compartilhou informações sobre o cultivo, as diferentes etapas da produção, as características da região da Alta Mogiana e os desafios enfrentados atualmente pelo setor.
Natural de Franca, no interior de São Paulo, Paulo César é produtor de café e responsável pela Almo Coffee, empresa cujo nome faz referência à Alta Mogiana, região reconhecida pela produção de cafés de qualidade.
“Eu sou produtor de café e represento a quinta geração da minha família na atividade. Hoje, estou levando o nosso café da família para outros mercados, atravessando fronteiras”, contou.

Da Alta Mogiana para o mundo
A Almo Coffee atua principalmente com a exportação de café verde, permitindo que o produto seja torrado nos mercados de destino de acordo com as características e preferências de cada consumidor ou empresa.
Atualmente, a empresa já exporta para Suíça, Itália, República Tcheca e Rússia e busca ampliar sua presença internacional.
Entre os mercados que despertam interesse estão países asiáticos, especialmente China, Coreia do Sul e Japão.
Para Paulo César, encontros como esse são importantes não apenas para apresentar o café brasileiro, mas também para criar novas oportunidades de negócios e aproximar produtores de potenciais mercados internacionais.
“Sou muito grato à embaixadora Pavla por nos ajudar a divulgar o nosso café. Precisamos desse tipo de oportunidade para divulgar o nosso trabalho e, consequentemente, vender mais café”, afirmou.
O produtor também destacou a importância de valorizar a origem do produto.
“É importante que as pessoas saibam que nós existimos, conheçam o nosso café e percebam que ele é um café de origem, produzido diretamente pelo produtor. É um café de excelente qualidade.”

Tradição familiar e valorização das pessoas
A fazenda da família está localizada em Franca, no interior paulista, e conta com aproximadamente 50 pessoas envolvidas na atividade.
Paulo César faz questão de destacar a relação construída com aqueles que trabalham na propriedade. Em vez de simplesmente chamá-los de funcionários, prefere considerá-los amigos e parceiros que contribuem diariamente para o crescimento da produção.
A equipe reúne trabalhadores experientes, muitos deles com anos de conhecimento sobre a lavoura, além de pessoas mais jovens que começam a ingressar na atividade.
Essa combinação entre experiência e renovação contribui para a continuidade de uma tradição familiar que atravessa gerações.

Os desafios da produção
Entre os principais desafios enfrentados atualmente pelos produtores estão a disponibilidade de mão de obra e as mudanças climáticas.
“Hoje, uma das principais dificuldades é a mão de obra, que está cada vez mais escassa na nossa região”, explicou Paulo César.
As condições climáticas também têm provocado impactos importantes na produção. Períodos prolongados de seca e temperaturas extremamente elevadas representam uma preocupação para os produtores.
O café é uma planta tropical, mas apresenta limitações diante de temperaturas excessivamente altas. Nesse cenário, produtores e pesquisadores vêm buscando alternativas, incluindo variedades mais resistentes à seca e às doenças que afetam as lavouras.
Outro desafio é o desenvolvimento de resistência de algumas doenças aos produtos utilizados no controle das plantações, o que exige novas estratégias para preservar a produtividade e a qualidade do café.
Café como paixão e legado
Para Paulo César, no entanto, o café representa muito mais do que uma atividade econômica. É uma história familiar, uma tradição e uma paixão construída desde a infância.
“O café, para mim, é paixão. Eu costumo dizer que nasci debaixo de um pé de café. Desde criança, estou na lavoura e, para mim, isso não é um trabalho. É um prazer trabalhar com café.”
O encontro na residência oficial da República Tcheca proporcionou aos integrantes do GCCM uma oportunidade de conhecer de perto a história e a produção da Alta Mogiana, mostrando como um produto profundamente ligado à identidade brasileira vem conquistando espaço em diferentes mercados internacionais.
A coincidência com o Dia Internacional do Café tornou a ocasião ainda mais simbólica, celebrando, de forma espontânea, uma bebida que conecta produtores, culturas, negócios e pessoas ao redor do mundo.


*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.




