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A Embaixada da República Socialista do Vietnã no Brasil realizou o seminário “Compartilhamento de Informações sobre Economia, Comércio e Investimentos entre Vietnã e Brasil no Primeiro Semestre de 2026”, reunindo representantes dos governos, empresários, associações setoriais, especialistas e veículos de comunicação dos dois países para avaliar os avanços da cooperação bilateral e discutir novas oportunidades de negócios.
Na abertura do evento, o embaixador do Vietnã no Brasil, Bùi Văn Nghị, afirmou que o atual momento das relações bilaterais representa uma oportunidade histórica para transformar a excelente relação política entre os dois países em resultados econômicos concretos e sustentáveis.
Segundo o diplomata, o seminário teve como principal objetivo compartilhar informações estratégicas, avaliar os resultados alcançados, identificar desafios e construir soluções capazes de fortalecer a cooperação econômica, comercial e de investimentos entre Vietnã e Brasil.
Relação diplomática completa 37 anos em fase de maior aproximação
O embaixador lembrou que Brasil e Vietnã estabeleceram relações diplomáticas em 8 de maio de 1989 e, ao longo de 37 anos, construíram uma parceria sólida e crescente.
Inicialmente baseada no diálogo político e diplomático, a cooperação foi sendo ampliada para áreas como comércio, agricultura, ciência e tecnologia, educação, cultura, esportes e atuação conjunta em fóruns multilaterais.
Um dos marcos dessa evolução ocorreu em 2007, quando foi criada a Parceria Abrangente entre os dois países.
Entretanto, segundo Bùi Văn Nghị, o maior salto ocorreu em novembro de 2024, quando, durante a visita do então primeiro-ministro vietnamita Pham Minh Chinh ao Brasil para participar da Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, os dois governos elevaram oficialmente a relação bilateral ao nível de Parceria Estratégica.
A aproximação ganhou ainda mais força em março de 2025, durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Vietnã. Na ocasião, os dois países aprovaram um Plano de Ação para o período de 2025 a 2030, estruturado em seis áreas prioritárias de cooperação.
Segundo o embaixador, esse novo marco político oferece uma base sólida para impulsionar investimentos, ampliar o comércio e promover projetos conjuntos de longo prazo.
Avanços comerciais em 2025 abriram novos mercados
Durante sua apresentação, o embaixador destacou importantes conquistas alcançadas ao longo de 2025.
Entre elas está o reconhecimento, por parte do Brasil, do Vietnã como economia de mercado, anunciado durante a visita presidencial brasileira.
Outro avanço foi a retomada das importações brasileiras de filés de tilápia vietnamita, após anos de restrições.
Na Cúpula de Expansão do BRICS, realizada em julho de 2025, os dois governos anunciaram a abertura recíproca de mercados agrícolas.
O Vietnã autorizou a entrada da carne bovina brasileira, enquanto o Brasil abriu seu mercado ao peixe pangasius vietnamita, eliminando restrições relacionadas ao uso de fosfatos no processamento e conservação do produto.
O diplomata destacou ainda um anúncio considerado histórico para o comércio internacional: durante a 67ª Cúpula do Mercosul, realizada em dezembro de 2025, o bloco confirmou o início das negociações para um Acordo de Comércio Preferencial (PTA) entre o Vietnã e o Mercosul.
Na avaliação do embaixador, esse acordo poderá ampliar significativamente a integração econômica entre o Sudeste Asiático e a América do Sul.
Comércio bilateral cresce quase 17% em apenas um ano
Os números apresentados demonstram o fortalecimento da parceria econômica.
De acordo com dados brasileiros citados pelo embaixador, o comércio bilateral alcançou aproximadamente US$ 4,22 bilhões no primeiro semestre de 2026, representando crescimento de 16,8% em comparação com o mesmo período de 2025.
As exportações brasileiras para o Vietnã somaram cerca de US$ 2,104 bilhões, alta de 16,6%, enquanto as importações brasileiras de produtos vietnamitas atingiram aproximadamente US$ 2,114 bilhões, crescimento de 17%.
O embaixador ressaltou que o fluxo comercial permanece equilibrado entre os dois países.
O Brasil continua sendo importante fornecedor de soja, milho, algodão, carnes, celulose, minérios e outros insumos estratégicos para a indústria vietnamita.
Já o Vietnã amplia sua participação no mercado brasileiro com produtos manufaturados, incluindo telefones celulares, computadores, equipamentos eletrônicos, máquinas, calçados, vestuário, madeira processada, pescados e alimentos industrializados.
Segundo Bùi Văn Nghị, as economias dos dois países são altamente complementares.
Enquanto o Brasil possui vantagens competitivas em agricultura, energia, recursos naturais e matérias-primas, o Vietnã se destaca pela capacidade industrial, processamento de alimentos, produção manufatureira e forte integração às cadeias globais de valor.
Investimentos ainda representam o principal desafio
Apesar dos resultados positivos, o embaixador reconheceu que a cooperação econômica ainda está abaixo de seu potencial.
Entre os principais obstáculos apontados estão:
- baixo volume de investimentos bilaterais;
- concentração do comércio em poucos setores;
- elevados custos logísticos;
- ausência de rotas diretas de transporte;
- deficiência na troca de informações comerciais;
- necessidade de maior diálogo sobre normas sanitárias, barreiras técnicas e exigências regulatórias.
Segundo ele, muitas empresas brasileiras ainda conhecem pouco o ambiente de negócios vietnamita, enquanto empresários vietnamitas enfrentam dificuldades para compreender a legislação, o sistema tributário e as especificidades do mercado brasileiro.
Embaixada propõe sete prioridades para fortalecer a cooperação
Como estratégia para acelerar o relacionamento econômico, a Embaixada do Vietnã apresentou sete diretrizes prioritárias:
- transformar a parceria política em resultados econômicos concretos;
- criar um mecanismo permanente de intercâmbio de informações entre governos e setor privado;
- ampliar a cooperação entre estados brasileiros e províncias vietnamitas;
- incentivar investimentos em agricultura sustentável, energias renováveis, biocombustíveis, logística, biotecnologia, transformação digital e indústria verde;
- solucionar questões comerciais por meio do diálogo técnico;
- acelerar as negociações do acordo comercial entre Vietnã e Mercosul;
- estimular projetos conjuntos de produção, investimentos e cadeias globais de valor, substituindo a tradicional relação apenas de compra e venda.
Escritório Comercial destaca crescimento das exportações vietnamitas
Durante o seminário, a conselheira comercial Phạm Hồng Trang, chefe do Escritório Comercial do Vietnã no Brasil, apresentou um panorama detalhado do desempenho das exportações vietnamitas.
Ela destacou que o Brasil permanece como o maior parceiro comercial do Vietnã na América Latina, enquanto o Vietnã figura entre os principais parceiros do Brasil dentro da ASEAN.
Segundo a conselheira, a reorganização das cadeias globais de suprimentos tem criado novas oportunidades para ampliar a presença dos produtos vietnamitas na América do Sul.
Nos cinco primeiros meses de 2026, os produtos eletrônicos continuaram liderando as exportações vietnamitas para o Brasil.
As vendas de computadores, equipamentos eletrônicos e componentes alcançaram US$ 205,3 milhões, crescimento de 17,9%.
As exportações de telefones celulares e componentes totalizaram US$ 258,8 milhões, mantendo estabilidade em relação ao ano anterior.
Somados, esses segmentos representam aproximadamente 20% das exportações vietnamitas para o mercado brasileiro.
Também registraram crescimento expressivo:
- máquinas e equipamentos: US$ 95,2 milhões (+25,3%);
- veículos e autopeças: US$ 191,8 milhões (+42,9%);
- produtos siderúrgicos: US$ 168,3 milhões, crescimento superior a 215%;
- pescados: US$ 108,4 milhões (+38,7%);
- calçados: US$ 93,4 milhões;
- têxteis e vestuário: US$ 39 milhões (+40,1%);
- brinquedos e artigos esportivos: US$ 41,5 milhões, mais de quatro vezes o valor registrado no mesmo período de 2025.
Segundo Phạm Hồng Trang, esses números demonstram a crescente diversificação da pauta exportadora vietnamita e o aumento da participação de produtos industrializados e de maior valor agregado.
Empresas precisam investir em qualidade e sustentabilidade
A conselheira alertou, entretanto, que ampliar a presença no mercado brasileiro exige preparação das empresas vietnamitas para atender às rigorosas normas brasileiras relacionadas à segurança dos alimentos, rastreabilidade, barreiras técnicas, medidas sanitárias e sustentabilidade.
Ela defendeu investimentos contínuos em inovação, fortalecimento de marcas, ampliação da rede de distribuição e maior aproximação com importadores brasileiros.
Também destacou que o Escritório Comercial continuará atuando como elo entre empresas dos dois países, promovendo missões comerciais, intercâmbio de informações, aproximação entre investidores e ações de promoção comercial.
Mensagem final
Encerrando o seminário, o embaixador Bùi Văn Nghị reforçou que a atual Parceria Estratégica representa uma oportunidade inédita para elevar as relações entre Brasil e Vietnã a um novo patamar.
“O momento exige menos discursos e mais ações concretas. Precisamos ampliar as conexões entre empresas, resolver desafios com rapidez e transformar nossa sólida parceria política em crescimento econômico sustentável para os dois povos”, concluiu o diplomata.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


