|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A Embaixada da Suíça no Brasil celebrou, em Brasília, a Data Nacional da Confederação Suíça em uma recepção que reuniu autoridades brasileiras, membros do Corpo Diplomático, representantes do setor empresarial, convidados e integrantes da comunidade suíça.
A cerimônia teve início com a execução dos hinos nacionais do Brasil e da Suíça pela Banda de Música da Polícia Militar do Distrito Federal. Em seguida, discursaram o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, e o secretário de Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Roberto Abdalla, representando o governo brasileiro.
Em seu primeiro pronunciamento durante a celebração da Data Nacional desde que assumiu o posto em Brasília, há cerca de 11 meses, Hanspeter Mock abriu o discurso em tom descontraído, comentando sua torcida pelo Brasil durante a Copa do Mundo e revelando a expectativa de contar com a presença de sua esposa, Karine, na comemoração do próximo ano.
Na sequência, adotou um tom institucional para destacar a solidez das relações entre Brasil e Suíça, que serão celebradas de forma especial em 2026, quando os dois países comemorarão o bicentenário da nomeação do primeiro cônsul-geral da Suíça junto ao Brasil independente.
O diplomata ressaltou que os vínculos bilaterais têm raízes históricas profundas, marcadas pela imigração suíça ao Brasil desde o século XIX, e enfatizou que, apesar de possuir um território cerca de 200 vezes menor que o brasileiro, a Suíça figura entre os principais investidores estrangeiros no país.
Entre os avanços recentes da cooperação bilateral, Mock destacou a renovação da contribuição suíça ao Fundo Amazônia, anunciada em Belém durante a programação relacionada à COP30, e a assinatura e posterior ratificação, pelo Congresso Nacional, do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).
O embaixador também agradeceu ao senador Nelsinho Trad e ao deputado federal David Soares, presidentes dos grupos parlamentares Brasil-Confederação Suíça no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, pelo apoio à rápida aprovação do acordo no Parlamento brasileiro.
Segundo Hanspeter Mock, cabe agora à Suíça concluir seu processo interno de ratificação para que o acordo possa entrar plenamente em vigor, ampliando as oportunidades de comércio, investimentos, inovação, cooperação ambiental e desenvolvimento social entre os dois países.
Sustentabilidade e Amazônia
Grande parte do pronunciamento foi dedicada à cooperação ambiental entre Brasil e Suíça.
O embaixador destacou o programa Road to Belém, iniciativa que reúne diversas ações suíças voltadas para a COP30, e reafirmou o compromisso de seu país com projetos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Entre eles, citou a restauração da casa do naturalista suíço Emílio Goeldi, em Belém, projeto arquitetônico assinado pelos renomados arquitetos suíços Herzog & de Meuron, que deverá transformar o espaço em um importante centro cultural e científico.
Mock também fez questão de destacar a parceria entre a Embaixada da Suíça e a Associação Comissão Solidária, da Vila da Barca, em Belém.
Por meio do projeto Roteiro Cozinha Periférica, iniciado em abril de 2025, a iniciativa promove capacitação em gastronomia amazônica, preservando receitas tradicionais, saberes ancestrais e fortalecendo o patrimônio cultural da região.
Os convidados puderam conhecer parte desse trabalho durante a recepção, por meio da degustação de pratos típicos preparados pela associação.
Na ocasião, também foi lançado oficialmente o livro “Memória, Luta e Cultura Periférica”, publicado com apoio da Embaixada da Suíça, como reconhecimento às iniciativas de inclusão social e valorização da cultura amazônica.
Ao encerrar sua fala, Hanspeter Mock agradeceu a acolhida recebida no Brasil e ressaltou que representar seu país em Brasília é uma honra.
O diplomata concluiu lembrando que a bandeira suíça inspirou o símbolo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e afirmou que, em um cenário internacional marcado por conflitos e desafios ao direito internacional, valores como o diálogo, o humanitarismo, a paz e a cooperação tornam-se ainda mais relevantes.
“Viva a Suíça, viva o Brasil”, encerrou o embaixador.
Itamaraty destaca parceria estratégica
Representando o Ministério das Relações Exteriores, o secretário de Europa e América do Norte, embaixador Roberto Abdalla, destacou que Brasil e Suíça mantêm uma das mais sólidas relações diplomáticas da Europa com a América do Sul.
Ele lembrou que, em 2026, os dois países celebrarão 200 anos de relações diplomáticas contínuas, marcadas por intenso intercâmbio humano, político, econômico e cultural.
Abdalla ressaltou a contribuição da imigração suíça para a formação da sociedade brasileira, citando Nova Friburgo (RJ), conhecida como a “Suíça Brasileira”, além do legado deixado por Emílio Goeldi para a ciência e a pesquisa da biodiversidade amazônica.
Segundo o representante do Itamaraty, desde 2008 Brasil e Suíça mantêm uma Parceria Estratégica baseada em diálogo político permanente e valores comuns, como a defesa da democracia, dos direitos humanos, do multilateralismo, do direito internacional e da solução pacífica de controvérsias.
Na área econômica, destacou que mais de 600 empresas suíças atuam atualmente no Brasil em setores estratégicos como indústria farmacêutica, sistema financeiro, alimentos e infraestrutura.
De acordo com Abdalla, o estoque de investimentos suíços ultrapassa US$ 25 bilhões, contribuindo para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da inovação tecnológica.
O diplomata também comemorou os resultados do comércio bilateral, que alcançou, no último ano, o recorde de US$ 5,2 bilhões em bens, além de US$ 1,16 bilhão em comércio de serviços.
Outro ponto destacado foi a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e EFTA, considerada uma demonstração do compromisso brasileiro com a integração econômica internacional e com o fortalecimento das relações comerciais entre os dois blocos.
Na área ambiental, Abdalla agradeceu o apoio suíço ao Fundo Amazônia e às iniciativas de manejo florestal sustentável, manifestando o interesse do Brasil em ampliar a cooperação em projetos voltados ao desenvolvimento sustentável, incluindo o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Ao encerrar seu pronunciamento, o embaixador brasileiro desejou prosperidade e paz ao povo suíço e reafirmou o compromisso dos dois países com uma parceria baseada na amizade, na cooperação e na construção de um futuro mais justo, sustentável e humano.
Brinde e gastronomia
Após os pronunciamentos oficiais, foi realizado o tradicional brinde em homenagem à Confederação Suíça.
Na sequência, os convidados participaram de um coquetel que reuniu especialidades da gastronomia suíça e brasileira, incluindo sabores da culinária amazônica apresentados pela Associação Comissão Solidária, simbolizando a diversidade cultural e a cooperação entre os dois países.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


