Cuba denuncia intensificação do bloqueio dos EUA às vésperas de votação na ONU
Chanceler Bruno Rodríguez Parrilla acusa Washington de pressionar países para alterar votos sobre resolução que pede o fim das sanções contra a ilha.
Redação Diplomacia Business
24/10/2026 · 05h15

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou o endurecimento das medidas econômicas, comerciais e financeiras impostas pelos Estados Unidos ao país, durante coletiva de imprensa realizada em Havana, em 21 de outubro de 2026. A manifestação ocorreu às vésperas da votação, prevista para os dias 27 e 28 de outubro, na Assembleia Geral das Nações Unidas, de uma resolução que pede o fim do bloqueio norte-americano contra a ilha.
Segundo o chanceler, a situação atual é marcada pelo agravamento das restrições, especialmente no fornecimento de combustíveis, e por pressões diplomáticas que, de acordo com o governo cubano, buscam influenciar o posicionamento de outros países na votação. Rodríguez afirmou que Washington estaria recorrendo a ameaças de sanções, restrições de vistos e medidas comerciais para tentar modificar votos tradicionalmente favoráveis à resolução.
Durante a coletiva, o ministro destacou os impactos econômicos e humanitários que atribui ao bloqueio, mencionando dificuldades no acesso a medicamentos, equipamentos médicos, alimentos e combustíveis, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica e limitações nos serviços públicos. Ele também argumentou que as restrições afetam empresas estrangeiras que mantêm relações comerciais com Cuba.
Rodríguez ressaltou que a questão ultrapassa as relações bilaterais entre Havana e Washington, envolvendo princípios como a soberania dos Estados, a liberdade de comércio e o respeito ao direito internacional. Para o chanceler, a aplicação de medidas extraterritoriais pode atingir empresas e governos de outras regiões, inclusive da Europa e da América Latina.
O ministro também questionou iniciativas diplomáticas norte-americanas realizadas nas Nações Unidas e reiterou que Cuba espera obter novamente amplo apoio internacional à resolução. A votação integra uma série de debates realizados pela Assembleia Geral sobre o bloqueio, tema que, segundo o governo cubano, permanece central na agenda diplomática do país.
Ao final, Rodríguez agradeceu aos governos, organizações internacionais e movimentos sociais que manifestam solidariedade a Cuba e defendeu a ampliação da cooperação internacional. O chanceler afirmou acreditar que a política norte-americana em relação à ilha precisará mudar e reiterou o compromisso do governo cubano com a defesa da independência e da soberania nacional.
É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.





