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Brasília foi palco de uma das mais importantes celebrações do calendário nacional ruandês. A Embaixada de Ruanda no Brasil promoveu a comemoração do Kwibohora 32 – Dia da Libertação, reunindo embaixadores, autoridades do governo brasileiro, parlamentares, empresários, representantes da sociedade civil e amigos de Ruanda para celebrar os 32 anos da libertação do país, ocorrida em 4 de julho de 1994.
A cerimônia teve início com a execução dos hinos nacionais de Ruanda e do Brasil, seguida da exibição de um vídeo institucional que apresentou a trajetória de reconstrução da Força de Defesa de Ruanda (RDF) e sua evolução como uma das instituições militares mais respeitadas do continente africano.
O documentário mostrou como a RDF investiu na formação de seus militares por meio de academias especializadas, escolas de comando, centros de treinamento e da Academia de Paz de Ruanda, referência internacional na capacitação de militares, policiais e civis para missões de manutenção da paz. O vídeo destacou ainda o compromisso da força com a igualdade de gênero, o desenvolvimento comunitário e a reconstrução nacional após o genocídio de 1994 contra os tutsis.
Atualmente, além de garantir a segurança nacional, a RDF participa de ações de desenvolvimento social, construção de moradias para sobreviventes do genocídio, fortalecimento da agricultura sustentável e operações humanitárias. Desde 2004, Ruanda tornou-se um dos maiores contribuintes de tropas para missões de paz das Nações Unidas, mobilizando cerca de 77 mil mantenedores da paz ao redor do mundo.

A cultura como símbolo da identidade ruandesa
Após a apresentação institucional, os convidados foram conduzidos a uma imersão na cultura de Ruanda por meio de apresentações tradicionais.
Antes do espetáculo, foi destacado que a cultura representa a alma do povo ruandês. O grupo cultural apresentou duas das mais tradicionais danças do país.
O Umushagiriro, tradicionalmente interpretado por mulheres, simboliza beleza, alegria, respeito, elegância e paz. Os movimentos delicados das mãos reproduzem o balanço dos chifres das vacas, elemento de enorme importância na cultura ruandesa.
Na sequência, foi apresentada a dança Intore, conhecida como a “Dança dos Heróis” ou “Dança da Vitória”. Historicamente executada pelos guerreiros de elite, ela representa coragem, disciplina, dignidade e excelência, preservando uma das tradições mais emblemáticas da história de Ruanda.

Embaixador Lawrence Manzi destaca transformação de Ruanda e fortalecimento da parceria com o Brasil
Em seu discurso, o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, recebeu os convidados destacando que o Kwibohora representa a data nacional mais importante do país.
O diplomata transmitiu as saudações do presidente Paul Kagame, do governo e do povo ruandês, lembrando que a celebração também marcou os 64 anos da independência de Ruanda, comemorada em 1º de julho.
Segundo Manzi, o Kwibohora representa muito mais que uma vitória militar. A data simboliza o início da reconstrução nacional após o genocídio de 1994 contra os tutsis.
“O Kwibohora marca o início da jornada de renascimento de Ruanda após o genocídio. Foi a partir desse começo sombrio que os ruandeses embarcaram em um caminho de cura, reconstruindo a unidade e a reconciliação”, afirmou.
O embaixador ressaltou que os últimos 32 anos foram guiados por três escolhas fundamentais feitas pelo povo ruandês: permanecer unido como uma única nação; construir instituições fortes capazes de servir aos cidadãos; e acreditar no potencial do próprio país para alcançar grandes objetivos.
Segundo ele, essas decisões transformaram Ruanda em uma nação reconhecida internacionalmente por sua estabilidade, crescimento econômico, eficiência institucional e compromisso com resultados para sua população.
Manzi também lembrou que a segurança continua sendo prioridade para o país, diante dos desafios ainda existentes na região africana, reforçando que paz, estabilidade e boa governança constituem as bases do desenvolvimento.
Ao abordar a política externa, destacou que a experiência vivida por Ruanda fortaleceu seu compromisso com a paz mundial, tornando o país um dos maiores contribuintes para operações de paz das Nações Unidas.
Cooperação Brasil-Ruanda vive momento histórico
Grande parte do pronunciamento foi dedicada ao fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Ruanda.
O embaixador lembrou que, no último ano, os dois países assinaram um acordo de consultas políticas, um memorando de entendimento na área da saúde e um acordo de cooperação em educação.
Também destacou a realização da primeira missão empresarial brasileira multissetorial em Kigali, organizada pela ApexBrasil, e anunciou que Ruanda realizará sua primeira missão comercial ao Brasil, liderada pelo Rwanda Development Board e pela Federação do Setor Privado.
Outro marco celebrado foi a chegada de 43 estudantes ruandeses para cursos de mestrado e doutorado em universidades brasileiras, entre elas a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Enquanto celebramos esta noite, sigamos construindo pontes fortes entre Ruanda e o Brasil, criando novas oportunidades para nossos povos e contribuindo juntos para um futuro mais próspero e pacífico”, declarou.
Ao concluir, Lawrence Manzi convidou os presentes a conhecerem mais profundamente o país.
“Venham viver Ruanda.”

Governo brasileiro destaca exemplo de reconstrução e aproximação entre os dois países
Representando o Ministério das Relações Exteriores, o diretor do Departamento de África, embaixador Antônio César Martins, participou como convidado de honra da cerimônia.
Em nome do governo brasileiro, parabenizou Ruanda pelo 32º aniversário do Kwibohora e destacou que o Dia da Libertação representa um testemunho da extraordinária capacidade de reconstrução do povo ruandês.
“O Dia da Libertação lembra-nos que a liberdade precisa ser um compromisso constante. Ruanda mostrou ao mundo que, mesmo após um sofrimento inimaginável, é possível reconstruir, reconciliar e inspirar.”
O diplomata ressaltou que Ruanda alcançou avanços significativos em crescimento econômico, redução da pobreza, saúde e educação, consolidando-se como uma das economias mais dinâmicas da África.
Martins lembrou ainda que Brasil e Ruanda vivem uma nova etapa nas relações diplomáticas. Após a abertura da Embaixada de Ruanda em Brasília, em 2024, o Brasil inaugurou oficialmente sua Embaixada em Kigali em 2025, tornando-se o primeiro país da América do Sul a manter representação diplomática residente em Ruanda.
Segundo ele, os dois países compartilham interesses em áreas como agricultura tropical, combate à fome, saúde pública, economia verde, igualdade de gênero, governança digital e desenvolvimento sustentável.
Também destacou o crescimento das missões empresariais e das oportunidades de investimentos entre os dois países.

Celebração encerrou com cultura, música e confraternização
Após os pronunciamentos oficiais, foi realizado um brinde em homenagem ao povo ruandês e ao fortalecimento da amizade entre Ruanda e Brasil.
A programação foi encerrada com novas apresentações do grupo cultural ruandês, que encantou os convidados com danças tradicionais, tambores e músicas típicas, proporcionando uma verdadeira experiência da identidade cultural do país.
Mais do que uma comemoração nacional, o Kwibohora 32 reafirmou a mensagem de que a reconstrução de Ruanda continua sendo um exemplo internacional de resiliência, unidade, desenvolvimento e cooperação, ao mesmo tempo em que fortalece os laços de amizade e parceria entre Ruanda e Brasil.






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