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Por Fernando León*

A história da integração cidadã para uma sociedade global remonta à Roma clássica, com suas estradas e aquedutos. Porém, desde a década de 1990 assistimos a uma série de marcos fundamentais para a construção de uma agenda global, quando a globalização começou a se consolidar e a atores não estatais dos países passaram a ser interlocutores permanentes na construção de uma agenda comum, que não mais se limitava à tutela do Estado-nação.

Nos tempos atuais, não é mais novidade que as organizações da sociedade civil tenham participação complementar aos esforços diplomáticos tradicionais. A diplomacia cidadã faz parte das negociações tanto nos organismos multilaterais quanto na agenda de política externa dos países. Atores não estatais já participam de fóruns especiais das Nações Unidas como a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável 2015, são convocados para debater anualmente sobre o desempenho da gestão pública de seus países no Fórum de Davos e participam ativamente da construção de pontes que complementam a ação diplomática das nações.

Esse trabalho complementar tem sido fundamental para transformar a diplomacia cidadã em uma ferramenta crucial para unir o local ao global: na medida em que a sociedade civil não substitui o Estado no plano institucional, sua participação ampliou sua participação, agregou novos atores – e futuros líderes – ao espectro de interlocutores que discutem os termos do processo de globalização. Também tem permitido que demandas sobre questões fundamentais como segurança, meio ambiente ou saúde não sejam ignoradas.

A diplomacia cidadã criou relações e comunicações menos rígidas e mais próximas da multipolaridade em um contexto internacional muito mais complexo e interdependente, no qual os Estados são atravessados ​​por forças globais que excedem o controle político tradicional.

A relevância desta participação mais direta de atores não estatais na discussão global já está presente nas redes de especialistas que discutem no dia a dia questões que exigem uma comunicação cotidiana e regular entre as organizações. Os stakeholders de cada tópico a ser discutido. Permite o trabalho de longo prazo por meio de projetos de pesquisa transnacionais, subsidiados por estados e empresas multinacionais, que articulam o global com o local para harmonizar as relações entre governos municipais e nacionais, entre empresas e instituições privadas, e entre nações e organismos multilaterais. A sua tarefa de lobby, acompanhamento, investigação e campanhas através das novas plataformas de comunicação – as redes sociais – constitui uma forma pragmática de abordar a complexidade do processo de globalização na dinâmica das relações internacionais.

A diplomacia cidadã criou relações e comunicações menos rígidas e mais próximas da multipolaridade em um contexto internacional muito mais complexo e interdependente, no qual os Estados são atravessados ​​por forças globais que excedem o controle político tradicional.

Previsivelmente, a América Latina tentou construir essas pontes com maior ou menor sucesso desde a última década do século passado. Os primeiros diplomatas cidadãos emprestaram sua voz às chancelarias por meio das organizações da sociedade civil já existentes e uma incipiente vocação para o diálogo permitiu a construção de pontes por meio de experiências como o Mercosul ou CELAC (ainda em vigor), e uma coleção de tentativas – algumas muito vigorosas e outras malsucedida. Também deu espaço de participação a esses novos atores em uma região que necessita, mais do que qualquer outra em todo o planeta, mecanismos de coordenação para articular os interesses nacionais com os de toda a região. Também requer uma estratégia comum para enfrentar os desafios da globalização em velocidade exponencial, onde as regras do jogo mudam de um ano para o outro e na qual atores, estatais ou privados, muitas vezes suspendem longos períodos de cooperação aberta devido a necessidades de curto prazo que impõem barreiras protecionistas e postergam certos aspectos do dinâmica da globalização a médio prazo.

A influência dos novos atores através da prática ativa e frequente da diplomacia cidadã não é mais um simples gesto de boa vontade, mas uma ferramenta fundamental para adaptar as relações internacionais dos países da região à complexidade dos novos tempos. Mencionamos com frequência a revolução tecnológica pela qual estamos passando hoje, e cuja lógica sofreu uma aceleração exponencial como efeito da pandemia global.

O mundo está caminhando para uma cooperação crescente entre atores internacionais (governos, ONGs, organizações internacionais, grupos de pressão, ativistas, etc.) que formam alianças – e confrontos ocasionais – para enfrentar os profissionais problemas comuns e nossa região não pode escapar desta nova lógica. Este é o caminho que estão construindo as advogado pela UBA, especialista em Relações Públicas na América Latina, analista de política internacional e novas tecnologias. Bolsista do Programa de Liderança Visito Internacional e Presidente da Fundación Diplomacia Ciudadana. novas organizações não estatais, ONGs, fundações e outros espaços de liderança natural, dedicados ao exercício da diplomacia cidadã. Trata-se de dar um passo além do saudável confronto de ideias entre os cidadãos da região, para propor novas abordagens, exigir novas soluções e fiscalizar o cumprimento dos acordos internacionais em vigor.

* Fernando León é advogado pela Universidade de Buenos Aires, especialista em Relações Públicas na América Latina, analista de política internacional e novas tecnologias. Bolsista do Programa de Liderança Visito Internacional e Presidente da Fundación Diplomacia Ciudadana.

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