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A Embaixada da República Popular da China no Brasil realizou, em Brasília, recepção em comemoração ao 77º aniversário da fundação da República Popular da China, reunindo autoridades brasileiras, representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, integrantes das Forças Armadas, diplomatas, empresários, representantes da imprensa e da sociedade civil.
A cerimônia teve como anfitrião o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, acompanhado da embaixatriz Zhou Yongmei, e contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, André Carlos Alves de Paula Filho, além da embaixadora Susan Kleebank, secretária para Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, que representou o governo brasileiro.
O encontro marcou também um momento de destaque para as relações entre Brasil e China, que completam 52 anos de relações diplomáticas em 2026. Em seus discursos, os representantes dos dois países ressaltaram a ampliação da cooperação bilateral e a importância da parceria em áreas como comércio, agricultura, investimentos, infraestrutura, ciência, tecnologia, inteligência artificial, cultura, turismo e energia.

Zhu Qingqiao destaca trajetória de desenvolvimento da China
Durante a recepção, o embaixador Zhu Qingqiao fez uma avaliação da trajetória da República Popular da China ao longo de seus 77 anos e destacou o processo de desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
Segundo o diplomata, a China concentra atualmente seus esforços na modernização do país, na inovação tecnológica e no desenvolvimento de novos setores econômicos.
Zhu citou avanços em áreas como manufatura avançada, tecnologia digital, inteligência artificial e robótica, afirmando que esses segmentos vêm adquirindo importância crescente na economia chinesa e no mercado internacional.
O embaixador também destacou o desempenho da economia chinesa. Segundo dados oficiais, o PIB da China cresceu 4,7% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para Zhu, a abertura econômica e a integração internacional continuam entre os principais elementos da estratégia chinesa de desenvolvimento.
“Caminhar ao lado da China é abraçar oportunidades. Confiar na China é confiar no amanhã. Investir na China é investir no futuro”, afirmou.
Defesa do multilateralismo
A política internacional também ocupou espaço importante no discurso.
Zhu Qingqiao afirmou que a China defende o multilateralismo, o fortalecimento do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e uma ordem internacional baseada no direito internacional.
O embaixador apresentou a posição chinesa de defesa da igualdade entre os países e afirmou que Pequim pretende ampliar parcerias internacionais, especialmente com os países do Sul Global.
Também mencionou as iniciativas chinesas de Desenvolvimento Global, Segurança Global e Civilização Global, além da proposta de ampliar a cooperação internacional na área de inteligência artificial.
Ao abordar conflitos internacionais, o diplomata afirmou que a China defende soluções políticas e diplomáticas e mencionou os esforços chineses relacionados aos conflitos no Oriente Médio e à crise da Ucrânia.

Relação Brasil-China ganha espaço no discurso
A parceria com o Brasil foi um dos principais temas da noite.
Zhu Qingqiao afirmou que as relações entre os dois países atravessam um período de aprofundamento e destacou a atuação conjunta dos presidentes Xi Jinping e Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o embaixador, a relação bilateral avançou de uma parceria estratégica para uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil, conceito que, segundo ele, está associado à busca por um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.
O diplomata também destacou o diálogo entre os governos, parlamentos, partidos políticos, Forças Armadas e administrações subnacionais dos dois países.
A coordenação em organismos multilaterais, como Nações Unidas, BRICS e G20, também foi apresentada como um dos pilares da relação.
Comércio bilateral
A dimensão econômica foi outro ponto central da recepção.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil há 17 anos consecutivos. No primeiro semestre de 2026, o comércio bilateral chegou a aproximadamente US$ 96,8 bilhões, segundo dados apresentados no discurso do embaixador.
As exportações brasileiras para a China alcançaram cerca de US$ 58,3 bilhões, enquanto as importações de produtos chineses ficaram em aproximadamente US$ 38,5 bilhões.
O resultado representou um superávit de aproximadamente US$ 19,8 bilhões para o Brasil.
Zhu ressaltou ainda a importância do mercado chinês para o agronegócio brasileiro e defendeu a ampliação da presença de empresas e produtos brasileiros na China.
“O mercado chinês estará sempre aberto ao Brasil e ao mundo”, afirmou o embaixador.
Investimentos chineses no Brasil
Além do comércio, os investimentos foram apresentados como uma dimensão cada vez mais importante da relação bilateral.
De acordo com Zhu, os dois países vêm ampliando a cooperação em setores como energia, agricultura, infraestrutura, tecnologia e economia digital.
O embaixador citou ainda novas áreas de interesse, entre elas mobilidade elétrica, biotecnologia, energias renováveis, inteligência artificial e tecnologia espacial.
A avaliação apresentada durante a recepção é de que a relação econômica vem passando por um processo de diversificação, com maior participação de setores tecnológicos e de inovação.

Susan Kleebank destaca complementaridade entre os países
Representando o governo brasileiro, a embaixadora Susan Kleebank destacou a importância histórica da relação bilateral.
Em seu discurso, ela lembrou que Brasil e China completam 52 anos de relações diplomáticas em 2026 e afirmou que a parceria é baseada no respeito mútuo e em interesses compartilhados.
Para Kleebank, a China ocupa posição central no comércio exterior brasileiro, enquanto o Brasil desempenha papel relevante no fornecimento de alimentos e energia ao mercado chinês.
A embaixadora citou a soja e o petróleo como exemplos da complementaridade econômica entre os dois países.
Ela também destacou a expansão dos investimentos chineses no Brasil, especialmente no setor automotivo.
Segundo Kleebank, a presença de fabricantes chinesas de veículos elétricos e híbridos contribui para ampliar investimentos, empregos e a modernização da indústria brasileira, enquanto o mercado nacional representa uma importante plataforma para a expansão internacional dessas empresas.
Cooperação em ciência e tecnologia
A cooperação Brasil-China, segundo Susan Kleebank, ultrapassa o comércio e os investimentos.
A embaixadora citou a parceria espacial entre os dois países, incluindo a construção e o lançamento de satélites, além da colaboração em observação astronômica.
Também mencionou projetos relacionados à inteligência artificial, educação, pesquisa científica, saúde, transição energética, preservação ambiental e mudanças climáticas.
“Estamos cooperando nas fronteiras do conhecimento”, afirmou.
Para Kleebank, a relação bilateral é construída não apenas pelos governos, mas também por empresários, cientistas, médicos, professores, artistas, estudantes e representantes das administrações públicas.

Ano Cultural Brasil-China
A cultura também ganhou destaque durante a recepção.
Em 2026, Brasil e China realizam o Ano Cultural Brasil-China, com uma programação que inclui exposições, apresentações artísticas, música, teatro, atividades relacionadas ao patrimônio cultural e intercâmbios acadêmicos.
Zhu Qingqiao ressaltou que o intercâmbio cultural contribui para aproximar as duas sociedades e ampliar o conhecimento sobre os dois países.
O embaixador mencionou ainda iniciativas de cooperação educacional e científica e programas de intercâmbio destinados a jovens brasileiros e chineses.
Turismo amplia aproximação
O turismo foi outro setor mencionado pelo representante chinês.
Segundo dados apresentados na cerimônia, mais de 113 mil turistas chineses visitaram o Brasil nos primeiros oito meses de 2026, enquanto também cresce o número de brasileiros que viajam para a China.
Zhu afirmou que a experiência presencial contribui para ampliar o conhecimento sobre a realidade chinesa e superar percepções construídas sem contato direto com o país.
O embaixador convidou mais brasileiros a conhecerem a China e destacou o intercâmbio entre os povos como elemento importante para o fortalecimento da amizade bilateral.

“Vamos de mãos dadas”
Ao encerrar seu discurso, Zhu Qingqiao recorreu à literatura brasileira para simbolizar a relação entre os dois países.
O embaixador citou o poeta Carlos Drummond de Andrade, em versos do poema Mãos Dadas:
“O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”
A referência sintetizou a mensagem apresentada pelo diplomata durante a recepção: a intenção de aprofundar a cooperação entre Brasil e China em um cenário internacional marcado por transformações econômicas, tecnológicas e geopolíticas.
Susan Kleebank também encerrou sua participação destacando a importância da parceria e cumprimentando a Embaixada da China pela celebração.
A recepção terminou com um brinde à prosperidade da China e do Brasil, à amizade entre os dois países e à saúde e felicidade dos convidados.
A celebração dos 77 anos da República Popular da China, em Brasília, tornou-se, assim, também uma oportunidade para reafirmar a dimensão estratégica da relação Brasil-China e destacar uma agenda bilateral que se estende do comércio e dos investimentos à ciência, tecnologia, cultura, turismo e cooperação internacional.




