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Em 29 de agosto de 1926, na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), nascia aquela que seria a quarta mulher a se formar em física no Brasil: Neusa Margem Amato. Hoje, 100 anos após o seu nascimento, a pesquisadora ainda é lembrada na área por ter dedicado a vida à física de partículas.
Com pais de origem libanesa, Neusa estudou no Colégio Rivadávia Correa, junto à também futura física Elisa Frota-Pessoa. Sem o apoio da família para seguir sua vocação científica devido às dificuldades financeiras, ao terminar os estudos secundários, Amato estava decidida a procurar um emprego quando seu professor de física a incentivou e a convenceu a fazer o vestibular para o curso de Física na Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil.
Foi assim que, em 1945, Neusa se tornou a quarta brasileira a concluir o bacharelado em Física. Mas as coisas continuaram difíceis financeiramente e, inicialmente, a recém-formada precisou adiar um pouco mais seu desejo de se dedicar à pesquisa e passou a dar aula em escolas.
Neusa foi convidada a trabalhar em uma pesquisa juntamente com Elisa Frota-Pessoa no recém-criado Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). O estudo intitulado Sobre a Desintegração do Méson Pesado Positivo foi o primeiro trabalho da instituição e recebeu grande atenção da comunidade científica.
Mesmo com o destaque da pesquisa, Neusa começou timidamente na instituição, trabalhando por um período como pesquisadora voluntária e professora nas escolas. Em 1951, a amante da física foi enfim efetivada e conseguiu se dedicar integralmente à pesquisa.
Durante sua carreira, a física investigou a detecção de raios cósmicos de altas energias, além de ter contribuído para a manutenção do Laboratório de Emulsões Nucleares do CBPF e para o projeto de cooperação científica Colaboração Brasil-Japão (CBJ), em 1967. Ela publicou 116 trabalhos.
A pioneira se aposentou compulsoriamente em 1966, quando recebeu a Medalha CNPq de Honra ao Mérito. Neusa Amato faleceu aos 88 anos, em 2015.
Fonte: MCTI




