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A Embaixada da República Socialista do Vietnã no Brasil realizou uma recepção comemorativa pelo 81º aniversário do Dia Nacional do Vietnã, celebrado em 2 de setembro. O evento reuniu autoridades brasileiras, embaixadores, representantes de missões diplomáticas e organizações internacionais, empresários, acadêmicos e convidados, em uma noite marcada pela celebração da amizade e pelo fortalecimento das relações entre Vietnã e Brasil.
Entre os convidados, esteve a secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Susan Kleebank, que representou o governo brasileiro e destacou, em seu discurso, a importância do fortalecimento das relações entre os dois países.

Em seu discurso, o embaixador Bùi Văn Nghị destacou a importância histórica do 2 de setembro de 1945, quando o presidente Hồ Chí Minh proclamou, na histórica Praça Ba Đình, em Hanói, a Declaração de Independência do Vietnã, dando origem à então República Democrática do Vietnã, atual República Socialista do Vietnã.
Segundo o diplomata, a data representou um momento decisivo na história do país, encerrando mais de oito décadas de dominação estrangeira e abrindo uma nova etapa de independência nacional e construção do socialismo.
“Foi também uma poderosa afirmação de que todas as nações, grandes ou pequenas, têm o direito de viver, de serem livres e independentes e de determinar seu próprio caminho de desenvolvimento”, afirmou.
Superação e transformação econômica
O embaixador ressaltou que, ao longo das últimas oito décadas, o povo vietnamita enfrentou guerras, divisão nacional, bloqueios, embargos, desastres naturais e profundas transformações no cenário internacional.
De acordo com Bùi Văn Nghị, a combinação de autossuficiência, resiliência, solidariedade e busca pelo progresso permitiu ao Vietnã preservar sua independência, soberania, unidade e integridade territorial, ao mesmo tempo em que promoveu a reconstrução e o desenvolvimento nacional.
O ano de 2026 também marca os 40 anos do Đổi Mới, processo de renovação econômica e social iniciado em 1986 e que transformou profundamente o país.
O embaixador destacou a trajetória do Vietnã, que deixou de ser uma nação pobre e devastada pela guerra para se tornar uma economia dinâmica, fortemente integrada à comunidade internacional e às cadeias globais de produção, comércio e inovação.
Atualmente, o país possui 17 acordos de livre comércio e ocupa posição cada vez mais relevante nas cadeias de fornecimento, produção, comércio e inovação da região da Ásia-Pacífico.
Ao abordar os próximos anos, Bùi Văn Nghị afirmou que o Vietnã está empenhado em implementar as resoluções do 14º Congresso Nacional do Partido Comunista do Vietnã, com o objetivo de promover um desenvolvimento rápido, sustentável e inclusivo.
Entre as metas estabelecidas estão transformar o Vietnã em um país em desenvolvimento, com indústria moderna e renda média-alta até 2030, e em uma economia desenvolvida e de alta renda até 2045.
Para alcançar esses objetivos, o governo vietnamita considera estratégicos investimentos em ciência e tecnologia, inovação, transformação digital, formação de recursos humanos qualificados e crescimento verde.
O diplomata também enfatizou que o desenvolvimento deve ter as pessoas como centro, garantindo que a população seja, simultaneamente, protagonista e beneficiária dos avanços econômicos e sociais.
Brasil ganha posição estratégica
Ao abordar as relações bilaterais, Bùi Văn Nghị destacou que o Brasil ocupa um lugar especialmente importante na política externa vietnamita.
Após mais de 37 anos de relações diplomáticas, Brasil e Vietnã elevaram suas relações ao nível de parceria estratégica, em novembro de 2024, durante a Cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro.
Para o embaixador, a nova condição cria uma estrutura importante para transformar o potencial existente entre os dois países em programas, projetos e resultados concretos de cooperação.
O diplomata destacou ainda a intensificação dos contatos de alto nível e a ampliação da coordenação entre os dois países em organismos e mecanismos multilaterais, como as Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio (OMC), o BRICS e os mecanismos de cooperação Sul-Sul.
Segundo ele, Brasil e Vietnã compartilham posições semelhantes em temas como paz, desenvolvimento sustentável, reforma da governança global e ampliação da participação dos países em desenvolvimento nos processos decisórios internacionais.

Comércio bilateral supera US$ 5,49 bilhões em sete meses
A cooperação econômica e comercial foi apresentada pelo embaixador como um dos principais pilares da relação bilateral.
O Brasil é atualmente o maior parceiro comercial do Vietnã na América do Sul. Segundo os dados apresentados no discurso, nos primeiros sete meses de 2026, o comércio bilateral ultrapassou US$ 5,49 bilhões, crescimento de quase 23% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Apesar dos avanços, Bùi Văn Nghị avaliou que os números ainda não refletem plenamente o tamanho das duas economias, suas capacidades produtivas e o elevado grau de complementaridade existente entre Brasil e Vietnã.
Nesse contexto, os dois países mantêm a meta de alcançar US$ 15 bilhões em comércio bilateral até 2030.
Para o embaixador, o objetivo é ambicioso, mas plenamente possível, desde que os dois governos trabalhem para eliminar barreiras, ampliar o acesso aos mercados e criar condições mais favoráveis para as empresas.
Áreas prioritárias de cooperação
Entre os setores considerados prioritários para a nova etapa da parceria estratégica estão agricultura de alta tecnologia e segurança alimentar; energias renováveis, biocombustíveis e transição verde; ciência, tecnologia e inovação; inteligência artificial; semicondutores; transformação digital; indústrias de processamento; mineração sustentável; educação e formação profissional; defesa e segurança; cultura; esportes; turismo e intercâmbio entre os povos.
O Vietnã também pretende ampliar a conexão direta entre ministérios, órgãos governamentais, governos locais, universidades, centros de pesquisa e empresas dos dois países, com o desenvolvimento de projetos concretos, recursos definidos e cronogramas de implementação.
Bùi Văn Nghị ressaltou que o Vietnã está disposto a atuar como uma ponte para que o Brasil fortaleça suas relações com a ASEAN e as regiões da Ásia-Pacífico e do Oceano Índico.
Da mesma forma, o Brasil é considerado pelo Vietnã um parceiro estratégico para ampliar sua cooperação com a América do Sul e a América Latina.

Brasil reforça amizade com o Vietnã
Representando o governo brasileiro, a embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, destacou a importância da celebração e transmitiu as congratulações do Brasil ao governo e ao povo vietnamita.
“É um privilégio estar aqui esta noite, em nome do governo do Brasil, para celebrar com vocês o Dia Nacional da República Socialista do Vietnã”, afirmou.
Kleebank ressaltou a trajetória de resistência e determinação do povo vietnamita desde a proclamação da independência por Hồ Chí Minh e destacou a transformação do país em uma das economias mais dinâmicas do mundo e em uma voz respeitada nos assuntos internacionais.
Em nome do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a diplomata transmitiu as congratulações do Brasil ao governo e ao povo do Vietnã e cumprimentou o novo governo liderado pelo primeiro-ministro Lê Minh Hưng.
A embaixadora também agradeceu ao embaixador Bùi Văn Nghị e à equipe da Embaixada do Vietnã pelo trabalho realizado para aproximar os dois países.
Café, futebol e novos negócios
Em um momento descontraído de seu discurso, Susan Kleebank destacou algumas das características que aproximam Brasil e Vietnã.
“Brasil e Vietnã produzem quase metade de todo o café que o mundo consome. Dois países que abastecem as manhãs da humanidade realmente precisavam se aproximar. E foi exatamente isso que aconteceu nos últimos anos”, afirmou.
A diplomata lembrou que, em novembro de 2024, no Rio de Janeiro, os líderes dos dois países anunciaram a parceria estratégica.
Quatro meses depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma visita de Estado ao Vietnã, considerada pela própria liderança brasileira como uma das mais importantes visitas de um chefe de Estado brasileiro ao país asiático.
Durante a visita, Brasil e Vietnã adotaram o Plano de Ação para 2025–2030, e o presidente Lula reconheceu o Vietnã como uma economia de mercado.
A aproximação também alcançou o esporte. Durante a visita de Estado, as federações de futebol dos dois países assinaram um memorando de entendimento.
“Eu diria que esse foi o sinal mais seguro de que nossa amizade veio para durar”, brincou a embaixadora.

Carne bovina brasileira e tilápia vietnamita
A expansão das relações comerciais já começa a ser percebida no cotidiano dos consumidores.
Susan Kleebank destacou a presença da carne bovina brasileira nas mesas vietnamitas e da tilápia vietnamita nos supermercados brasileiros.
Segundo os dados apresentados pela diplomata, o comércio entre os dois países chegou a aproximadamente US$ 7,4 bilhões no ano passado e alcançou US$ 4,2 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano, crescimento de quase 17%.
O Brasil mantém, assim, o compromisso com a meta estabelecida pelos líderes dos dois países de alcançar US$ 15 bilhões em comércio bilateral até 2030.
Outro passo considerado relevante foi dado em dezembro, durante a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, quando foram iniciadas as negociações para um acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e o Vietnã.
Para o governo brasileiro, o acordo poderá funcionar como uma ponte para facilitar e ampliar negócios e intercâmbios entre a América do Sul e o Sudeste Asiático.
Compromisso com a paz e o desenvolvimento sustentável
Além do comércio, café e futebol, a embaixadora Susan Kleebank destacou a convergência entre Brasil e Vietnã em temas de relevância internacional, especialmente paz, desenvolvimento sustentável e construção de uma ordem internacional mais justa e representativa.
Ao final da cerimônia, os representantes dos dois países reforçaram a disposição de aprofundar a parceria estratégica e transformar a aproximação política em resultados concretos para suas sociedades.
Em seu discurso, o embaixador Bùi Văn Nghị agradeceu ao governo brasileiro, ao Ministério das Relações Exteriores, ao Congresso Nacional, aos ministérios e autoridades federais e locais, aos partidos políticos, associações de amizade, empresários, universidades, organizações de mídia e amigos brasileiros pelo apoio contínuo ao Vietnã e às relações bilaterais.
O diplomata também agradeceu aos embaixadores, representantes de organizações internacionais e demais convidados presentes à celebração.
Ao encerrar sua mensagem, Bùi Văn Nghị afirmou acreditar que, com base na amizade, na confiança política e nos interesses cada vez mais complementares, a parceria estratégica Vietnã–Brasil continuará avançando de maneira sólida, concreta, eficaz e sustentável.
“Que a amizade e a parceria estratégica entre o Vietnã e o Brasil continuem a florescer”, declarou.
A celebração foi encerrada com votos de saúde, felicidade e prosperidade aos povos dos dois países, além de uma mensagem em defesa da independência, da liberdade, da paz, da amizade e da cooperação entre as nações.




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