|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
A Embaixada do Uruguai no Brasil promoveu, na noite de segunda-feira (25), uma recepção em Brasília para celebrar o bicentenário da independência do país. O evento reuniu diplomatas, autoridades brasileiras, representantes da comunidade uruguaia e convidados especiais em um ambiente de confraternização e reflexão sobre a trajetória histórica e os desafios atuais.

Em seu discurso, o embaixador do Uruguai no Brasil, Rodolfo Nin Novoa, ressaltou o significado da data. “Em 25 de agosto de 1825, proclamamos nossa liberdade do Rei de Portugal, do Império do Brasil e de qualquer outro poder estrangeiro. Hoje celebramos não apenas um marco jurídico ou político, mas uma trajetória baseada em valores profundamente democráticos, na convivência pacífica, no fortalecimento das instituições e no compromisso com os direitos humanos”, afirmou.
O diplomata destacou que a independência uruguaia segue inspirada pelo legado de José Artigas — “unidos, distintos e soberanos” — e reafirmou a disposição do país em atuar pela integração regional. Lembrou ainda que o Uruguai presidirá a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em 2026 e disse esperar, para este ano, a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia.

Representando o Itamaraty, a secretária para a América Latina e o Caribe, embaixadora Gisela Padovan, elogiou a trajetória do novo representante uruguaio e destacou a solidez das relações bilaterais.
“Uruguai e Brasil compartilham mais de mil quilômetros de fronteira viva, onde convivem cerca de dois milhões de pessoas. Temos um comércio vigoroso, investimentos crescentes e um diálogo permanente, sempre com respeito à soberania de cada nação. Soberania não se negocia — se defende”, declarou.
Padovan também recordou parcerias históricas, como o Acordo da Lagoa Mirim, firmado em 1909, e enfatizou a necessidade de equilibrar o comércio bilateral, que alcançou quase US$ 5 bilhões em 2024. A diplomata prestou ainda homenagem ao ex-presidente José “Pepe” Mujica, lembrado como símbolo de integração regional e defensor dos mais vulneráveis.

A noite foi marcada também pela apresentação do grupo Rueda de Candombe, projeto cultural que resgata a tradição afro-uruguaia reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade. O público desfrutou de música, dança e de um autêntico churrasco uruguaio, preparado pelo chef Sebastián Bacos, do Instituto Nacional de Carnes.
Com pouco mais de três milhões de habitantes e dois séculos de história independente, o Uruguai reafirma sua presença no cenário internacional como nação democrática, aberta ao diálogo e fiel a seus princípios. Como destacou o embaixador Nin Novoa:
“O futuro não é escrito na pedra — ele se constrói. Sonhar é o primeiro passo, mas transformar o sonho em realidade é tarefa da política e da vontade coletiva”.


*A reprodução é permitida, desde que citada a fonte.




