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O Uruguai deu um passo decisivo em direção à adesão ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP), um dos blocos comerciais mais relevantes do mundo, responsável por 15% do PIB global e integrado por 595 milhões de pessoas. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, Mario Lubetkin, e pela subsecretária Valeria Csukasi, após a aprovação unânime dos 12 países membros, durante reunião realizada nesta sexta-feira (21), em Melbourne, na Austrália.

A autorização abre caminho para o início formal do processo de adesão do Uruguai, que agora participará de um grupo de trabalho encarregado de definir as condições e os procedimentos necessários. Atualmente, o comércio com os membros do CPTPP representa cerca de 9% das exportações uruguaias de bens, superando US$ 1 bilhão anuais.

O Uruguai possui acordos comerciais em vigor com apenas quatro integrantes do bloco — México, Chile, Peru e Singapura. A entrada no CPTPP ampliaria o acesso a outros oito mercados e traria oportunidades em bens, serviços, investimentos e tecnologias voltadas à modernização do comércio, com impactos positivos especialmente para pequenas e médias empresas.

Lubetkin destacou que o avanço resulta de “um trabalho sério, discreto e constante”, alinhado à diretriz do governo de evitar anúncios prematuros e comunicar resultados apenas quando consolidados. Segundo ele, no início da atual gestão o país estava “muito distante” do cenário atual, que abre uma nova etapa de negociações complexas.

“Temos que pensar com muito cuidado para que todos os setores se beneficiem ao começarmos a percorrer este caminho que abrimos”, afirmou o chanceler. Ele ressaltou ainda que o movimento faz parte de uma agenda mais ampla de inserção internacional, que inclui negociações com o MERCOSUL, a EFTA e a possível conclusão do acordo MERCOSUL-União Europeia.

A subsecretária Valeria Csukasi destacou o caráter inovador do CPTPP e o potencial de ganhos para diversos setores da economia. Ela citou avanços em disciplinas comerciais, facilitação de procedimentos e acesso ampliado para serviços e investimentos. “Agora temos condições de igualdade de acesso em mercados onde nossa concorrência vinha ganhando vantagem por não pagar tarifas”, explicou.

Csukasi também detalhou o trabalho dos últimos oito meses e meio, que envolveu 25 reuniões técnicas e políticas com representantes dos países do bloco e cinco viagens à Ásia. Ambos os diplomatas agradeceram a responsabilidade com que todos os envolvidos lidaram com informações sensíveis ao longo do processo.

Segundo a vice-ministra, o reconhecimento internacional do Uruguai como país “sério, institucional e previsível” foi determinante. “Mantemos 40 anos de democracia ininterrupta, respeitamos as regras, e elas não mudam de governo para governo. Isso é algo que o mundo percebe”, afirmou.

Com a aprovação unânime, o Uruguai inicia agora uma nova fase, que demandará negociações intensas, mas é vista pelo governo como estratégica para ampliar a competitividade e diversificar a inserção econômica do país no cenário global.

*Com informações do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai.

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