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De origem nipônica, o Deputado Federal Luiz Hiloshi Nishimori, eleito pelo Paraná, tem se consolidado como uma importante voz nas relações nipo-brasileiras. Empresário e agricultor, ele vem exercendo mandatos sucessivos na Câmara desde 2011, tendo sido também deputado estadual.
Desde o início de sua vida política teve ligação com a terra do Sol Nascente, liderando missões econômicas de brasileiros no Japão. Atualmente, preside o Grupo Parlamentar Brasil-Japão da Câmara dos Deputados.
Em entrevista ao Diplomacia Business, ele falou sobre a integração histórica dos imigrantes japoneses no Sul do Brasil, e explicou como trabalha na promoção das relações nipo-brasileiras. Comentou também sobre a ajuda constante oferecida pelo Japão ao Brasil, como ocorreu neste verão após as enchentes em Petrópolis e na Bahia.
Confira na íntegra:
Diplomacia Business: Como tem sido o trabalho do Grupo Parlamentar Brasil-Japão?
Deputado Federal Luiz Nishimori – O Grupo Parlamentar Brasil- Japão tem realizado, ao longo dos anos, um trabalho de fortalecimento e cooperação contínuo entre os dois países. Realizamos missões diplomáticas de amizade e econômica que já resultaram em inúmeras parcerias e projetos muito importantes para as duas nações. O grupo também contribui para a valorização dos laços de amizade que se entendem desde o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação e da Imigração Japonesa no Brasil. Busca preservar, manter e difundir toda a cultura, educação, costumes e tradições para as futuras gerações.
A imigração japonesa tem uma forte ligação com a formação do povo brasileiro. Como o senhor vê essa relação, em especial no Paraná, que o senhor representa?
Sim! Sempre digo que hoje temos a perfeita integração entre a comunidade nipo-brasileira e a sociedade brasileira. Esta integração foi tomando forma ao longo destes quase 140 anos de relações de amizade e comércios, e neste ano dos 114 anos da Imigração Japonesa no Brasil. O início não foi fácil. Tivemos muitas questões de adaptações, mas, graças à união e amizade da comunidade, conseguimos manter os costumes e tradições; fomos muito bem acolhidos pela população brasileira que incorporou alguns costumes e que, inclusive, gosta muito de nossa gastronomia. A contribuição de nossos imigrantes é marcante principalmente no desenvolvimento da agricultura e tecnologia de alguns setores. Temos nomes nikkeis em vários segmentos no Paraná.
Como o senhor avalia a relação Brasil-Japão nos últimos anos?
Como já disse anteriormente, vejo uma perfeita integração entre as duas nações. Tanto no acolhimento brasileiro para com os imigrantes, quanto na questão reversa, quando nossos brasileiros começaram a ir buscar novas oportunidades no Japão. Hoje, principalmente depois do período de pandemia, podemos perceber ainda mais as contribuições e relações diplomáticas e de intercâmbio tanto educacional, de tecnologia quanto econômico.
O Governo Japonês ajudou e continua ajudando o Governo Brasileiro tanto na questão de pandemia, quanto nas últimas calamidades de enchentes e alagamentos. Sem contar todo o trabalho desenvolvido pelo Jica, no que se refere à Educação, Saúde, Ciência e tecnologia agrícola. Podemos citar grandes projetos como, Usiminas, Carajás, abertura do Cerrado brasileiro e tantos outros que contribuíram com a evolução agrícola do país, transformando-o em um verdadeiro celeiro para o mundo. Digo que temos uma relação bilateral de muito sucesso.
O Japão é um país de dimensões bem menores que o Brasil, mas consegue estar entre as economias mais fortes do mundo. Quais lições o Brasil poderia aprender com a terra do sol nascente?
Sou bem incisivo quando falo na questão da educação japonesa no que diz respeito ao método de ensino. O fomento em educação, ciência e tecnologia podem mudar completamente o rumo do país. Recentemente, sugeri ao Governo Brasileiro, o Plano Nacional de Industrialização que contribuirá ainda mais para o desenvolvimento e crescimento de nossa economia. Acredito que focando nas áreas certas, conseguiremos mudar nossa realidade.
Desde que entrei para a vida pública há 20 anos, realizo a Missão Econômica, Diplomática e de Amizade entre o Brasil e o Japão e, ao longo dessas missões, tivemos resultados muitos significativos para o estado do Paraná e para o Brasil. Levamos nossa carne de frango e suco de laranja para o Japão e hoje 80% da carne de frango e 60% do suco de laranja consumidos no país são de origem brasileira. Já levamos mais de 400 empresas, profissionais das mais diversas áreas de atuação para conhecer as indústrias, escolas, política, infraestrutura, além do desenvolvimento econômico e científico do Japão.
O senhor esteve em missão oficial ao Japão para a entronização do imperador Naruhito e também participou do encontro do G-20 em 2019. Qual a perspectiva de aperfeiçoamento nos laços Brasil-Japão para o futuro?
Um laço que, com certeza, irá se fortalecer ainda mais com o nosso trabalho contínuo. Estamos sempre abertos ao diálogo e com vontade de trabalhar muito para o fortalecimento e crescimento destes laços tão profundos e que produzem tantos frutos para as duas nações. São duas culturas tão distintas e, ao mesmo tempo, que se complementam, criando uma sociedade perfeitamente integrada que comunga valores, tradições e uma cultura própria.
Da minha parte, como parlamentar e Presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, poderão contar sempre com meu trabalho e apoio para o fortalecimento desta relação bilateral. Nos últimos anos, estivemos empenhados em promover os produtos do agronegócio brasileiro no mercado asiático; agora, estamos trabalhando pelo tratado de livre comércio e queremos aumentar a nossa exportação de frutas tropicais, carnes bovinas e suínas para o Japão. Também solicitei ao presidente Jair Bolsonaro e para o Governo Japonês, na pessoa do então primeiro-ministro, Shinzo Abe, a questão do estágio para profissionais brasileiros em sua área de atuação, um programa que já existe para outros países e que permite ao profissional firmar residência no país de 3 a 5 anos. Uma grande contribuição tanto para o Japão quanto para o aprimoramento de novas técnicas para o Brasil.


