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A Embaixada da República do Equador no Brasil promoveu, em Brasília, uma noite especial em comemoração aos 217 anos do Primeiro Grito de Independência do Equador, proclamado em Quito em 10 de agosto de 1809.
A celebração foi marcada por um Concerto de Gala da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em uma iniciativa de intercâmbio cultural que contou com a parceria do Governo do Distrito Federal e reuniu autoridades brasileiras e equatorianas, integrantes do corpo diplomático e convidados.
A programação musical teve a participação do maestro David Harutyunyan, diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional do Equador, responsável pela regência, e do reconhecido violinista e concertino Santy Abril. O concerto representou um encontro entre duas tradições musicais e reforçou a música como instrumento de aproximação entre povos e culturas.
Uma noite de celebração e fraternidade
Na abertura do evento, o embaixador do Equador no Brasil, Carlos Alberto Velástegui, destacou o significado histórico da data nacional e ressaltou a importância da cultura como ponte entre as duas nações.
“Celebrar a nossa data nacional — a data do Equador — significa honrar a nossa história, a nossa soberania e a identidade de um povo, transformando a memória em força para o futuro”, afirmou o diplomata.
O embaixador também destacou que a celebração representa um momento de convergência entre o orgulho pelas raízes equatorianas e o fortalecimento dos vínculos de fraternidade com outros países, reafirmando valores como democracia, paz, liberdade, desenvolvimento e justiça social.
Antes de iniciar seu discurso, Velástegui convidou os presentes a prestarem um momento de solidariedade ao povo colombiano, diante da tragédia provocada por um terremoto, ressaltando os laços de proximidade e fraternidade existentes entre os países da região.
Equador: diversidade em quatro mundos
Em seu discurso, o embaixador apresentou aos convidados aspectos da diversidade geográfica, histórica e cultural do Equador, país que, embora não possua fronteira terrestre com o Brasil, mantém relações de amizade e cooperação com o país.
Velástegui destacou que o território equatoriano, apesar de ter extensão territorial comparável à do estado de São Paulo, concentra uma extraordinária diversidade natural, cultural e histórica, expressa em quatro grandes regiões: Amazônia, Andes, litoral e Ilhas Galápagos.
Ao falar sobre a Amazônia equatoriana, mencionou o Parque Nacional Yasuní e a riqueza da biodiversidade da região, além de referências arqueológicas que apontam para a antiga utilização e domesticação do cacau na região de Palanda.
Na região andina, o diplomata ressaltou a importância do Chimborazo, com 6.263 metros de altitude, e de Quito, capital equatoriana fundada há quase cinco séculos e reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por seu patrimônio histórico e cultural.
O litoral equatoriano também foi lembrado por sua riqueza arqueológica e pela tradição marítima de suas antigas civilizações. Já as Ilhas Galápagos foram apresentadas como um dos maiores símbolos da biodiversidade do país e como o ambiente natural que contribuiu para inspirar as observações científicas de Charles Darwin.
Biodiversidade e cooperação amazônica
Ao abordar as relações entre Equador e Brasil, o embaixador ressaltou que os dois países compartilham importantes características, especialmente a megabiodiversidade e o patrimônio cultural reconhecido internacionalmente.
Segundo Velástegui, essa convergência contribui para uma agenda bilateral “construtiva, madura e positiva”, que inclui temas como desenvolvimento social, combate à pobreza, juventude, segurança e enfrentamento ao crime organizado internacional.
O diplomata também destacou o vínculo entre os dois países no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), espaço no qual Equador e Brasil trabalham conjuntamente para fortalecer a cooperação e aprimorar os mecanismos de resposta aos desafios enfrentados pela região amazônica.
Ao falar sobre sua experiência pessoal no Brasil, Velástegui afirmou estar prestes a completar cinco anos de residência no país e declarou seu profundo carinho pelo Brasil e por Brasília.
“Brasília não é apenas um destino diplomático: é um lar”, afirmou o embaixador, em uma demonstração de apreço pela cidade e pelos vínculos construídos durante sua missão diplomática.
Itamaraty destaca novo momento nas relações bilaterais
Representando o governo brasileiro, o embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, diretor do Departamento de América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, participou da abertura da celebração e transmitiu as felicitações do Brasil ao povo equatoriano pelo aniversário do Primeiro Grito de Independência.
Em seu discurso, o representante do Itamaraty destacou o momento positivo vivido pelas relações entre Brasil e Equador e ressaltou a frequência dos contatos entre os governos dos dois países.
Galvão de Queiroz lembrou a visita do presidente do Equador, Daniel Noboa, a Brasília, em 18 de agosto de 2025, considerada um marco no processo de aproximação bilateral. Segundo o diplomata, a visita foi a primeira visita oficial de um chefe de Estado equatoriano ao Brasil em quase duas décadas e demonstrou a disposição dos dois governos de ampliar o diálogo no mais alto nível.
O representante do Itamaraty também mencionou os encontros realizados pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com autoridades equatorianas, incluindo a visita bilateral de trabalho realizada em Quito, em janeiro de 2026.
Para Galvão de Queiroz, a sequência de encontros demonstra que o diálogo entre os dois governos é atualmente frequente, direto e voltado para resultados concretos na agenda bilateral.
Comércio, segurança e cooperação técnica
Entre os temas destacados pelo representante brasileiro estão o crescimento do intercâmbio comercial, a diversificação do comércio bilateral e a ampliação da conectividade sul-americana.
A cooperação na área de segurança pública também recebeu atenção. O diplomata mencionou a instalação das respectivas adidâncias policiais dos dois países, medida que deverá contribuir para o fortalecimento da cooperação no enfrentamento ao crime organizado e a outros desafios de segurança de caráter transnacional.
A cooperação técnica, especialmente na área agrícola, também foi apontada como um dos campos de interesse comum e com perspectivas de expansão.
Para o representante do Itamaraty, os avanços demonstram que países com diferentes visões e orientações políticas podem trabalhar conjuntamente em favor do desenvolvimento econômico e da justiça social na América do Sul.
Equador e integração regional
Galvão de Queiroz destacou ainda a contribuição do Equador para o processo de integração regional e mencionou o papel desempenhado pelo país no Consenso de Brasília.
O diplomata também ressaltou a atuação equatoriana no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, destacando a contribuição do embaixador Carlos Alberto Velástegui para os trabalhos da organização e os esforços conjuntos para seu fortalecimento institucional.
Segundo o representante brasileiro, a realização da próxima cúpula de presidentes dos países amazônicos, prevista para 2027 no Equador, deverá representar mais uma oportunidade para aprofundar a cooperação entre os países da região. O futuro exercício da Secretaria-Geral da OTCA pelo Equador também foi citado como um marco relevante para a agenda amazônica.
A música como ponte entre Equador e Brasil
Ao longo da noite, a cultura ocupou lugar central na celebração. A apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro David Harutyunyan e com a participação do violinista Santy Abril, transformou o concerto em um símbolo da aproximação entre os dois países.
A iniciativa demonstrou como a diplomacia cultural pode contribuir para fortalecer relações internacionais, aproximando sociedades por meio da arte, da música e do intercâmbio de experiências.
A celebração dos 217 anos do Primeiro Grito de Independência do Equador, portanto, foi além de uma homenagem à história nacional. Em Brasília, a data também se tornou uma oportunidade para reafirmar os vínculos de amizade entre Equador e Brasil e destacar as perspectivas de ampliação da cooperação bilateral em áreas como comércio, segurança, agricultura, integração regional, cultura e Amazônia.
Ao final, o espírito da noite sintetizou a mensagem deixada pelos dois representantes diplomáticos: Equador e Brasil, embora não compartilhem uma fronteira terrestre, estão unidos por fortes vínculos históricos, culturais e humanos e encontram na cooperação e na amizade instrumentos para construir uma relação cada vez mais próxima.
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