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Por Pedro Merheb
Pesquisador em direito do Estado pelo IDP
Em 1961, a chancelaria de San Tiago Dantas introduziu a chamada política externa independente em nossas relações internacionais, e sua premissa repousava no próprio nome: a condução da política externa brasileira se dará por valores e prioridades fundamentalmente nacionais. Assim, o Brasil que saiu da Segunda Guerra Mundial como um prestigiado articulador em função do seu trabalho pela institucionalização da paz internacional incrementava altivez e desprendimento à sua reputação no auge da radicalização que ditou os rumos das relações internacionais do pós-Guerra.
Mais do que isso, a política externa independente significava o rompimento com uma gasta e abusada praxe tão vulgar em países emergentes e que predominara na gestão imediatamente anterior, de Juscelino Kubitschek, o qual apostava não em uma política externa independente, mas em uma política externa pedinte, que consistia no vezo embaraçoso de chorar às portas do centro econômico por alguns trocados, quer em nome de uma carona no Plano Marshall, quer pela crença vazia de só podemos nos desenvolver com o dinheiro dos outros.
A redenção das nossas relações internacionais com o Lula 3 após quatro anos de aviltamento atendeu às expectativas de uma renovada diplomacia presidencial à maneira clássica introduzida em nossa cultura diplomática por Fernando Henrique Cardoso, porém, com os mesmos vícios e virtudes: um empenho incessante pela integração com a comunidade internacional sem jamais recolher o chapéu com os vinténs obtidos, digo,
com os “investimentos” atraídos.
Como a insistência em peditórios de teor estritamente caritativo nunca foi lá a mais rendosa das estratégias, pelo menos não para nós, o engenhoso recurso a um ambientalismo raso tem tido o seu mérito até agora. Ao trocar a palavrinha mágica por “Amazônia” e “clima”, os países do centro econômico como Estados Unidos, Suíça e Reino Unido não hesitaram em tirar o escorpiãozinho do bolso para afiançar o seu compromisso e responsabilidade com a Amazônia por meio de aportes milionários ao seu Fundo.
Com a transferência do bastão da presidência do G20 para o Brasil, a 18a Cúpula a ser realizada semana que vem será uma memorável oportunidade para que o presidente revigore a pedra de toque ambientalista e atraia volumes inestimáveis de solidariedade internacional na boca do caixa.




