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Cinco pessoas refugiadas da Venezuela, Haiti, Etiópia, Sudão do Sul e Paquistão fazem parte da delegação da Agência da ONU para Refugiados na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30. A indígena venezuelana Gardenia Cooper, o haitiano Robert Montinard e o etíope Mekebib Tadasse Assef moram no Brasil e representarão suas comunidades nos pleitos que ocorrem na primeira semana de conferência em Belém.
A delegação contará também com o Alto Comissário do ACNUR, Filippo Grandi, que vem em sua última missão na América Latina do mandato, e o Embaixador da Boa Vontade do ACNUR, o ator Alfonso Herrera.
Dentre as pessoas que representam as comunidades deslocadas, a indígena da etnia Warao, Gardenia Cooper, mora atualmente em Belém, o haitiano Robert Montinard vive no Rio de Janeiro e Mekebib Tadasse Assef, em São Paulo. Os três são gestores de organizações lideradas por pessoas refugiadas.
Conheça as pessoas refugiadas que moram no Brasil e estarão na COP30:
Gardenia Cooper é artesã indígena Warao, mãe de quatro filhos e uma líder reconhecida dentro do Conselho Warao Ojiduna em Belém. Deslocada em 2019 junto com sua família, ela deixou a Venezuela após a invasão de suas terras tradicionais, o que forçou sua comunidade a uma jornada perigosa por Boa Vista e Manaus até chegar à capital do Pará. Sua trajetória reflete o padrão mais amplo de deslocamento forçado que afeta milhares de pessoas Warao que perderam acesso a territórios ancestrais, meios de subsistência e serviços essenciais. Como membro fundadora do Conselho Warao Ojiduna, Gardenia agora trabalha para preservar as tradições culturais, garantir trabalho digno e construir autonomia comunitária no Brasil, transformando a adversidade pessoal em ação coletiva para povos indígenas deslocados.
Robert Montinard, ou Bob como é comumente conhecido, é haitiano e foi deslocado devido à instabilidade que se seguiu ao terremoto de 2010 em seu país de origem. Vive no Brasil desde então e, atualmente, reside no Rio de Janeiro. Em 2012, fundou a organização Mawon, que já apoiou milhares de refugiados por meio de assistência jurídica, cultural e socioeconômica, transformando sua experiência pessoal em ação coletiva. Antes do terremoto, Montinard atuava como mediador da ONU no Haiti. No Brasil, tornou-se educador ambiental. Em 2024, ele introduziu o “Mural do Clima”, uma metodologia baseada em jogos que aborda as causas, impactos e respostas às mudanças climáticas, transformando vítimas em protagonistas e capacitando pessoas refugiadas a liderar discussões em escolas, comunidades e empresas. Em novembro de 2024, Bob participou do G20 Social, defendendo a criação de um marco legal para proteger pessoas deslocadas por eventos climáticos extremos.
Mekebib Tadasse Assef foi reconhecido como refugiado no Brasil em dezembro de 2024. Em São Paulo, ele lidera a organização FEB3 – For Refugees, By Refugees, dedicada à promoção dos direitos e da inclusão das populações refugiadas. É formado em Engenharia pela Universidade de Addis Ababa e possui MBA em Ciência de Dados e Análise pela Universidade de São Paulo (USP). É fundador e instrutor em conscientização sobre cibersegurança. Seu trabalho tem contribuído para o fortalecimento da proteção e da participação de refugiados em espaços institucionais e comunitários.
Como parte da COP30, Mekebib participou do Balanço Ético Global realizado pelo ACNUR em São Paulo, onde destacou a interseção entre os impactos da crise climática e o agravamento dos conflitos e do deslocamento forçado na Etiópia. Ele conecta a perseguição que sofreu às questões climáticas e ambientais que afetam seu país de origem. Atualmente, está promovendo uma atividade independente para o Balanço Ético Global com foco em refugiados, migrantes e poesia.
E o que a COP30 tem a ver com refugiados?
Antes de ir direto ao ponto, é importante entender que a COP é um encontro global anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima. A COP é composta pelos 198 países que assinaram e ratificaram a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança. Neste ano, será realizada entre 10 a 21 de novembro em Belém do Pará, na região amazônica do Brasil.
A COP30 no Brasil representa para o país uma oportunidade histórica de reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre mudanças climáticas e sustentabilidade global. O evento permitirá que o país demonstre seus esforços e soluções para o combate às mudanças climáticas, como o uso de energias renováveis, agricultura sustentável e preservação florestal, além de buscar construir consensos entre diferentes nações
A forma como uma pessoa vivencia a crise climática depende de quem ela é e de onde vive. Pessoas refugiadas estão entre as mais afetadas pelas mudanças climáticas, eventos climáticos extremos e desastres. Até meados de 2025, três quartos das 117 milhões de pessoas deslocadas por guerras, violência e perseguições em todo o mundo viviam em países altamente expostos a riscos climáticos.
Vulnerabilidades já existentes são agravadas e novos riscos surgem durante o deslocamento, inclusive para crianças, idosos e pessoas com necessidades específicas. Para além disso, pessoas refugiadas, solicitantes de refúgio e apátridas muitas vezes vivem em áreas de alto risco com acesso limitado a serviços, infraestrutura e informações em seus próprios idiomas.
Os efeitos das mudanças climáticas, incluindo enchentes, secas, queimadas, deslizamentos de terra e incêndios, contribuem para novos deslocamentos e deslocamentos secundários, como os que afetaram as pessoas refugiadas nas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Mais de 43 mil pessoas refugiadas e migrantes foram impactadas, principalmente da Venezuela, Haiti e Cuba.
O ACNUR trabalha para que as pessoas refugiadas e em necessidade de proteção internacional estejam integradas e suas perspectivas sejam consideradas nas respostas governamentais em relação aos impactos dos desastres e das mudanças climáticas. O objetivo é incluir as vozes e as necessidades específicas das populações deslocadas à força nas decisões sobre financiamento climático e políticas públicas.
Programação do ACNUR na COP30
Além das pessoas mencionadas, a delegação do ACNUR na COP30 conta ainda com especialistas internacionais e brasileiros participarão de debates e painéis da conferência que reforçam a necessidade de incluir as populações deslocadas nos planos de ação.
Fonte: ACNUR Brasil.




