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Por Gurjit Singh, ex-embaixador e autor

A crescente competição no espaço sideral oferece à Índia uma oportunidade única de construir uma narrativa em que a colaboração, e não a confrontação, impulsione a exploração espacial. Reconhecida como uma nação espacial confiável e com excelente relação custo-benefício, a Índia está bem posicionada para transformar seus avanços tecnológicos em parcerias internacionais duradouras, contribuindo para o progresso científico, o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

A trajetória da Índia no espaço sempre foi singular. Diferentemente de muitos programas espaciais que surgiram da rivalidade da Guerra Fria, o programa indiano foi concebido como um instrumento de desenvolvimento nacional. O Dr. Vikram Sarabhai fundamentou a visão espacial da Índia em aplicações práticas capazes de melhorar a vida da população. Sob sua liderança, satélites foram desenvolvidos para fortalecer as comunicações, a previsão do tempo, a gestão de desastres, a saúde, a agricultura e a educação. Essa filosofia voltada ao desenvolvimento continua sendo a base do programa espacial indiano e responde diretamente às necessidades dos países do Sul Global, que buscam aplicações práticas da tecnologia espacial, e não apenas prestígio.

Hoje, as conquistas da Índia vão muito além das aplicações voltadas ao desenvolvimento. As missões Chandrayaan, a Missão Orbital para Marte, o observatório solar Aditya-L1 e o futuro programa de voo espacial tripulado Gaganyaan consolidaram o país como uma potência capaz de executar missões espaciais sofisticadas e confiáveis. O pouso bem-sucedido da Chandrayaan-3 próximo ao polo sul da Lua colocou a Índia entre um seleto grupo de potências espaciais, demonstrando que inovação de nível mundial pode ser alcançada com custos relativamente modestos.

A crescente credibilidade da Índia coincide com a rápida expansão da economia espacial global. Avaliado atualmente em mais de US$ 600 bilhões e com projeção de atingir cerca de US$ 1,8 trilhão até 2035, o setor é cada vez mais impulsionado por atividades comerciais em comunicações via satélite, observação da Terra, navegação, serviços climáticos, conectividade de banda larga e áreas emergentes, como manutenção em órbita e exploração lunar. Muitos países desejam participar desse mercado, mas não possuem capacidades próprias e procuram parceiros confiáveis de longo prazo, e não apenas fornecedores de lançamentos.

A Índia reúne as capacidades necessárias para atender a essa demanda. A liberalização do setor espacial em 2020 transformou o ecossistema ao abrir espaço para a participação da iniciativa privada. A criação do Centro Nacional Indiano de Promoção e Autorização Espacial (IN-SPACe), a expansão do papel comercial da NewSpace India Limited e o crescimento de empresas privadas deram origem a um dos ecossistemas espaciais emergentes mais dinâmicos do mundo. Startups indianas desenvolvem veículos lançadores, plataformas de satélites, aplicações geoespaciais e tecnologias de propulsão que atraem investimentos e clientes internacionais. Empresas como Skyroot Aerospace, Pixxel e Agnikul Cosmos demonstram que o setor privado indiano pode competir globalmente em tecnologias espaciais avançadas.

O próximo passo é internacionalizar esse ecossistema.

Em vez de se posicionar apenas como um destino de lançamentos de baixo custo, a Índia pretende oferecer parcerias abrangentes que incluam projeto de satélites, serviços de lançamento, operações de missão, estações terrestres, treinamento de astronautas, capacitação técnica e aplicações em agricultura, gestão de desastres e segurança marítima. Essas parcerias integradas serão especialmente valiosas para países do Sul Global e do Indo-Pacífico que buscam tecnologias acessíveis, personalizadas e confiáveis para atender às suas prioridades de desenvolvimento.

A Índia já demonstrou o valor diplomático dessa cooperação. Por meio do Satélite do Sul da Ásia, ofereceu benefícios em comunicação e desenvolvimento aos países vizinhos. Seus veículos lançadores colocaram com sucesso centenas de satélites estrangeiros em órbita para governos, universidades e operadores comerciais em todo o mundo. A decisão da Índia de aderir aos Acordos Artemis reflete sua disposição de participar da exploração pacífica da Lua em colaboração internacional. A cooperação com a NASA, a Agência Espacial Europeia e a JAXA fortaleceu significativamente suas capacidades científicas e tecnológicas.

Essas parcerias reforçam a posição da Índia como uma das principais vozes do Sul Global. O país oferece cooperação para o desenvolvimento baseada em acessibilidade, confiabilidade e respeito mútuo, em vez de criar dependência tecnológica. Dessa forma, a cooperação espacial tornou-se um importante instrumento da diplomacia indiana, fortalecendo relações bilaterais e proporcionando benefícios concretos ao desenvolvimento.

Para concretizar todo o seu potencial, a Índia pretende manter o ritmo das reformas. Aprovações regulatórias mais rápidas, maior acesso a capital de risco, proteção mais robusta da propriedade intelectual e colaboração mais estreita entre instituições de pesquisa, indústria e universidades serão essenciais. Políticas de compras públicas continuarão apoiando startups indianas, permitindo que ampliem suas operações, inovem e se integrem às cadeias globais de suprimentos.

A Índia também está posicionada para desempenhar um papel mais relevante na governança do espaço exterior. O congestionamento orbital, os detritos espaciais, o uso responsável dos recursos e o acesso equitativo às novas oportunidades espaciais tornaram-se preocupações internacionais urgentes. À medida que as atividades espaciais se expandem, cresce a necessidade de países capazes de construir consensos sobre normas e práticas responsáveis. O compromisso histórico da Índia com o uso pacífico do espaço, aliado ao avanço de suas capacidades tecnológicas, permite que contribua de forma significativa para o desenvolvimento de regras que promovam transparência, sustentabilidade e acesso equitativo.

A próxima década definirá não apenas quais países liderarão a exploração espacial, mas também como o espaço será governado. Com sua capacidade científica, ecossistema empreendedor e credibilidade internacional, a Índia está em posição privilegiada para aproximar nações espaciais consolidadas e emergentes. Ao construir parcerias colaborativas baseadas em inclusão, benefícios mútuos e inovação, o país poderá transformar seu programa espacial em um dos principais pilares de sua atuação global.

Em um mundo cada vez mais dividido, o setor espacial da Índia representa um poderoso lembrete de que as maiores conquistas no espaço são aquelas que unem as nações. Essa poderá ser, talvez, a contribuição mais duradoura da Índia para a próxima fronteira da humanidade.

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