Hungria celebra 70 anos da Revolução de 1956, símbolo da luta pela liberdade e da resistência à opressão
A Embaixada da Hungria no Brasil realizou, em Brasília, uma cerimônia em comemoração aos 70 anos da Revolução Húngara de 1956, movimento histórico marcado pela luta por liberdade e pela resistência à opressão.
Redação Diplomacia Business
23/10/2026 · 09h12

A cerimônia comemorativa dos 70 anos da Revolução Húngara de 1956 foi realizada na noite de quarta-feira, 21 de outubro, pela Embaixada da Hungria em Brasília. O evento homenageou um dos episódios mais marcantes da história europeia do século XX, símbolo da luta pela liberdade, da resistência à opressão e da defesa da soberania nacional.
A cerimônia começou com a execução dos hinos nacionais do Brasil e da Hungria, além do hino da União Europeia. Em seguida, foram realizados os pronunciamentos do Embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, e do Secretário de Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Embaixador Roberto Abdalla.
Os discursos destacaram o significado histórico da Revolução Húngara, símbolo da resistência à opressão e da luta pela liberdade, além da importância de preservar essa memória e fortalecer os laços diplomáticos, econômicos e culturais entre Brasil e Hungria, que celebrarão o centenário de suas relações diplomáticas em 2027.

Revolução Húngara de 1956: um marco histórico da luta pela liberdade
A Revolução Húngara de 1956, um dos episódios mais marcantes da história europeia do século XX, levou milhares de húngaros às ruas em defesa da liberdade, da independência nacional e do fim da interferência soviética. Celebrada em 23 de outubro, a data representa um marco da resistência ao autoritarismo e permanece como referência histórica para a defesa das liberdades fundamentais.
A revolução começou em Budapeste, em 23 de outubro de 1956, quando estudantes, trabalhadores e outros setores da sociedade se mobilizaram contra o regime comunista e reivindicaram reformas políticas, liberdades civis e soberania nacional. O movimento ganhou força rapidamente, mas foi violentamente reprimido pela União Soviética, que enviou tropas e tanques para sufocar a revolta em novembro daquele ano.
A repressão deixou milhares de mortos, levou dezenas de milhares de pessoas à prisão e provocou o êxodo de aproximadamente 200 mil húngaros. Apesar da derrota militar, a revolução tornou-se um símbolo internacional de resistência, demonstrando que a busca por liberdade pode atravessar gerações e influenciar profundamente o curso da história.
Um dos emblemas mais conhecidos do movimento é a bandeira húngara com um recorte no centro, criado pelos revolucionários que retiraram o brasão comunista. O símbolo expressava a rejeição ao regime e a reivindicação de uma identidade nacional livre de imposições políticas.
O legado de 1956 também está relacionado às transformações que levaram ao fim dos regimes comunistas na Europa Central e Oriental, em 1989. Embora a revolução tenha sido reprimida, seus ideais permaneceram vivos e contribuíram para a memória coletiva das lutas pela democracia e pela soberania dos povos.

A memória histórica e os laços entre Hungria e Brasil
Durante a cerimônia, o Embaixador da Hungria no Brasil, Miklós Halmai, ressaltou o significado universal da Revolução de 1956 e sua importância para a solidariedade internacional. Segundo o diplomata, o 23 de outubro não representa apenas uma data nacional húngara, mas também uma homenagem àqueles que rejeitam a opressão e defendem a liberdade. Halmai destacou o papel do Brasil no acolhimento dos refugiados húngaros que deixaram o país após a repressão. Muitos reconstruíram suas vidas em território brasileiro e contribuíram para o desenvolvimento nacional em áreas como ciência, cultura e atividade empresarial.
Entre as referências à memória da comunidade húngara no Brasil, o Embaixador mencionou sua visita ao monumento dedicado à Revolução de 1956, localizado no Parque Escoteiro, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Erguido pela comunidade húngara local, o monumento homenageia os jovens que lutaram pela liberdade.
A programação também contou com a participação da Banda da Força Aérea Brasileira, responsável pela execução dos hinos, e apresentações musicais de obras de Béla Bartók e Zoltán Kodály, dois importantes compositores húngaros do século XX. Como parte das homenagens, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, foi anunciado para receber iluminação nas cores da bandeira húngara em 23 de outubro, das 19h às 21h.

Itamaraty destaca o fortalecimento das relações bilaterais
O Secretário de Europa e América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, Embaixador Roberto Abdalla, destacou as perspectivas de aprofundamento das relações entre Brasil e Hungria, que completarão cem anos em 2027.
Em seu discurso, Abdalla ressaltou que o centenário oferecerá uma oportunidade para ampliar o diálogo político, intensificar as visitas de alto nível e fortalecer a cooperação bilateral. O diplomata recordou o encontro entre os Chanceleres dos dois países à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no final de setembro, ocasião em que foi discutida a ampliação dos contatos institucionais.
O Secretário também mencionou a carta enviada pelo Primeiro-Ministro húngaro, Péter Magyar, ao Presidente da República, na qual foi manifestada a disposição de trabalhar pela expansão da parceria entre os dois países, propósito compartilhado pelo Governo brasileiro.
No campo econômico, Abdalla destacou as oportunidades relacionadas ao Acordo Mercosul–União Europeia e à ampliação dos intercâmbios comerciais entre as duas regiões. Segundo ele, o novo cenário oferece perspectivas para diversificar as relações econômicas e explorar novas possibilidades de cooperação.
A indústria de defesa foi outro ponto de destaque. O Embaixador recordou a aquisição, pela Hungria, das aeronaves C-390 Millennium, desenvolvidas pela brasileira Embraer, em 2020. A parceria, além de fortalecer a presença da indústria aeronáutica brasileira no mercado europeu, abre possibilidades para iniciativas conjuntas de pesquisa e desenvolvimento com instituições húngaras, como a Universidade Técnica de Budapeste.
A cooperação educacional também ocupa lugar importante na relação bilateral. Abdalla destacou a participação brasileira no programa Stipendium Hungaricum, que possibilitou a mais de mil estudantes brasileiros frequentarem cursos em universidades húngaras ao longo dos últimos dez anos.

Comunidade húngara e intercâmbio cultural fortalecem os laços
Os vínculos humanos e culturais foram apontados pelo representante do Itamaraty como parte essencial da amizade entre os dois países. O Brasil abriga a maior comunidade de húngaros e seus descendentes na América Latina, cujas contribuições se estendem a diferentes áreas da sociedade.
Entre os nomes lembrados por Abdalla estão o tradutor e crítico literário Paulo Rónai, o fotógrafo Thomaz Farkas e a atriz Eva Todor, personalidades que deixaram marcas importantes na cultura brasileira.
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