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Diplomacia Business

Especialista francês participa do V Encontro anual da Rede Nacional de Ciência para a Educação

Rio de Janeiro recebe o neurocientista francês Stanislas Dehaene

Redação Diplomacia Business

17/11/2022 · 20h15

Reprodução/Diplomacia Business

Stanislas Dehaene é um dos principais expoentes da ciência cognitiva, que se dedica à compreensão de como o cérebro humano adquire, usa e transmite o conhecimento. Dehaene está no Brasil para participar do V Encontro anual da Rede Nacional de Ciência para a Educação. Ele fará a abertura do evento, que acontece no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com a palestra “Como aprendemos: os quatro pilares da aprendizagem eficiente”.

Neurociência aplicada à aprendizagem – O trabalho de Stanislas Dehaene é considerado revolucionário, pois integra perspectivas históricas, fisiológicas e cognitivas com o objetivo de entender a base biológica de atividades do dia a dia, como o raciocínio, a consciência e a leitura. Dehaene é professor do Collège de France e diretor da Unidade de Neuroimagem Cognitiva do Instituto Nacional de Saúde e da Pesquisa Médica da França. Atualmente é presidente do Conselho Científico de Educação Nacional da França. Em seus estudos, o neurocientista enfatiza os principais fatores que promovem o sucesso da aprendizagem: atenção, envolvimento ativo, feedback e consolidação – elementos fundamentais que constituem o que ele chama de “os quatro pilares da aprendizagem”.

São eles: Atenção: é importante que o professor consiga a atenção dos alunos, por exemplo, desafiando-os ou simplesmente alterando o tom de voz, por exemplo. Também é importante priorizar as informações e repetir aquelas que são mais importantes. Engajamento ativo: não há substituto para o esforço intelectual de incorporar o conhecimento no nosso cérebro e na memória. As pedagogias ativas contribuem para um aprendizado efetivo. Feedback: os erros podem ser proveitosos, se entendermos por que os cometemos. Reside aí a importância do feedback, de uma resposta, uma avaliação. O cérebro funciona por repetição: fazemos uma previsão, o erro revela uma discrepância entre a previsão e a realidade, o que nos leva a nos corrigir e a fazer uma nova previsão. São estes ajustes sucessivos que promovem o aprendizado. Consolidação: memorizar novos conhecimentos ou adquirir novas habilidades é apenas o primeiro passo: para se tornar sustentável, a aprendizagem precisa ser consolidada para permitir uma atividade automática, quase inconsciente. O cérebro tem que repetir os mecanismos de aprendizado muitas vezes até que o aprendizado seja verdadeiramente dominado. O sono tem um papel essencial neste processo. Gradualmente, o esforço é reduzido e se torna rotineiro. Isto liberta espaço no cérebro para aprender ou fazer coisas novas.

Os Neurônios da leitura

Livro de Stanislas Dehaene traduzido para o português e publicado no Brasil pela editora Penso vem sendo apontado como uma das grandes e mais bem fundamentadas publicações da atualidade acerca das pesquisas em neurociências aplicadas à educação. Foi considerado o melhor livro científico do ano pelo Washington Post.

A obra se dedica a uma temática considerada primordial ao desenvolvimento e à formação do indivíduo: a leitura. “O ato de ler parece tão simples que muitas vezes acabamos esquecendo o quão fascinante é esse processo.”

O V Encontro anual da Rede Nacional de Ciência para a Educação traz também outra referência francesa em neurociência, Ghislaine Dehaene-Lambertz, pediatra e neurocientista. Ghislaine fará a palestra “Da linguagem oral à escrita: por que aprender a ler deveria ser fácil?”.

Esposa de Stanislas Dehaene, Ghislaine é pesquisadora do Centro Nacional da Pesquisa Científica da França CNRS e diretora do Laboratório de Neuroimagem do Desenvolvimento da Universidade Paris-Saclay. Em seu trabalho ela busca entender como as funções cognitivas complexas emergem no cérebro humano, determinando as funções primitivas acessíveis a um cérebro infantil para processar palavras e outros conteúdos no início da vida. Além disso, ela investiga como os vieses iniciais na organização cerebral são moldados pelo mundo ao redor e pela cultura.

Serviço

V Encontro anual da Rede Nacional de Ciência para a Educação Museu do Amanhã, Rio de Janeiro 17 a 19 de novembro de 2022 Neurocientistas franceses disponíveis para entrevistas: Stanislas Dehaene Ghislaine Dehaene-Lambertz Contato: Fernanda Isidoro (Embaixada da França) 61 99966-4771

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