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Delegação de Comores conhece programas de gestão de resíduos sólidos em Brasília

Uma delegação da União das Comores esteve no Brasil durante toda esta semana para uma missão técnica focada em gestão sustentável de resíduos sólidos. O objetivo da visita técnica foi compartilhar tecnologias, políticas públicas e boas práticas brasileiras para aprimorar a capacidade institucional das Comores no setor. “Os comorianos estão conhecendo todo o ciclo de

Redação Diplomacia Business

08/06/2025 · 05h00

Foto: ABC – Agência Brasileira de Cooperação

Uma delegação da União das Comores esteve no Brasil durante toda esta semana para uma missão técnica focada em gestão sustentável de resíduos sólidos. O objetivo da visita técnica foi compartilhar tecnologias, políticas públicas e boas práticas brasileiras para aprimorar a capacidade institucional das Comores no setor.

“Os comorianos estão conhecendo todo o ciclo de gestão de resíduos sólidos — desde a coleta e triagem até o tratamento final — incluindo visitas a usinas de compostagem, cooperativas de catadores e unidades de reciclagem, além de conhecerem o papel do SLU, responsável pela gestão de todo o resíduo do Governo do Distrito Federal (GDF)”, informou Andrea Tillmann, analista de projetos da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, responsável pela missão.

A visita é parte do projeto de cooperação técnica “Melhoramento da Gestão de Resíduos Sólidos em Comores”, que visa contribuir para o enfrentamento de desafios como a falta de infraestrutura adequada, a desorganização na gestão urbana e rural de resíduos e a ausência de políticas de inclusão social no setor.

Durante a missão, quatro representantes comorianos, incluindo especialistas da Agência Nacional de Gestão de Resíduos (ANGD) e o ponto focal da Agência Comoriana de Cooperação Internacional (ACCI), tiveram a oportunidade de conhecer centros de triagem e reciclagem, como a CENTCOOP e o projeto Recicle a Vida; unidades de processamento de resíduos e produção de adubo; e aterros sanitários em Brasília e Águas Lindas de Goiás.

“Nós já reciclamos o nosso lixo, mas não temos mercado para escoar a reciclagem”, afirmou Nassur Said Anoir Cheick, ao conhecer o modelo da cooperativa Recicle a Vida e se dizer impressionado com a organização de todo o processo de gestão de lixo e escoamento dos recicláveis.

A cooperativa Recicle a Vida, uma das visitadas, afirma que tirar o atravessador foi essencial no processo e que, apesar de ter contratos com a indústria para escoar seus produtos, a empresa não consegue atender toda a demanda. Hoje, produz 310 toneladas de reciclados ao mês.

“O processo é caro e temos o desafio da alta tributação”, afirma Mônica Mendes Liccassali, superintendente da cooperativa, que apresentou a história da empresa, bem como os desafios encontrados desde que a Recicle a Vida foi criada, em 2005.

Humanizada Apesar de haver muitos desafios, a missão da Recicle a Vida tem um DNA humanizado já que investe na saúde e bem-estar de seus cooperados. Com 72 associados, no espaço, que fica na cidade de Ceilândia, zona satélite de Brasília, os catadores trabalham com o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), têm um refeitório que serve as três refeições diárias e plano de saúde.

As catadoras e catadores têm, ainda, a chance de se profissionalizarem em outras áreas: corte e costura, cabeleireiro e panificação são alguns dos cursos desenvolvidas na cooperativa em parceria com o SENAC/DF para incentivar os catadores a melhorar sua renda e autoestima.

Os cursos que não tiverem as vagas preenchidas prioritariamente com os catadores, são disponibilizados para a comunidade.

Mônica Liccassali se emociou ao receber o feedback dos comorianos, com relação à sua paixão pelo trabalho. Apaixonada pelo que faz, a superintendente tem um grande respeito pelo lixo e pelo valor inserido nele.

A catadora Maria Antônia dos Santos compartilha esse respeito pelo lixo. Ela trabalha na Recicle a Vida há cinco anos, mas é catadora há 17. “Eu amo o que eu faço”, afirma sorridente. “Eu me sustento, comprei uma casinha, levei minha filha para a faculdade e sei que o que eu faço ainda ajuda o meio ambiente, que é o principal para mim.”

Intercâmbio O ponto focal da Agência Comoriana de Cooperação Internacional (ACCI), Ben Yamine Mohammed Soule, permanecerá em Brasília por mais dois dias para aprofundar conhecimentos sobre o modelo de cooperação da ABC, dialogando com as diferentes coordenações para compreender o funcionamento da Agência, bem como para descobrir oportunidades em outras modalidades de cooperação internacional.

Parcerias Estratégicas Além da ABC e do governo comoriano, participaram da missão representantes da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, da Universidade de Brasília (UnB), além de empresas e cooperativas locais, como a SUSTENTARE Ambiental.

Comores Localizado no canal de Moçambique, no Oceano Índico, Comores é um país africano formado por quatro ilhas, sendo que as três principais são: Nzwani, Mwali e Ngazidja, que abriga a capital, Moroni. O território nacional não possui fronteiras terrestres, estando entre Moçambique e Madagascar.

Fonte: ABC – Agência Brasileira de Cooperação.

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