Brasil e Egito trocam experiências sobre saúde mental e apoio psicossocial para crianças e adolescentes, com apoio do UNICEF
Missão trilateral entre Brasil, Egito e UNICEF promove intercâmbio de experiências em cuidado psicossocial e proteção de crianças e adolescentes.
Redação Diplomacia Business
29/10/2026 · 09h29

Como organizar uma rede de serviços capaz de identificar crianças e adolescentes que precisam de apoio, encaminhá-los para o atendimento adequado e garantir a continuidade do cuidado? Como integrar saúde mental, proteção social, saúde e outros setores em torno das necessidades de cada criança? E como fortalecer profissionais e serviços para oferecer respostas cada vez mais qualificadas? Essas foram algumas das perguntas que orientaram a missão de estudos de uma delegação do Governo do Egito ao Brasil, realizada entre 21 e 25 de setembro, no âmbito da Cooperação Sul-Sul Trilateral entre os dois países e o UNICEF.
O intercâmbio respondeu a uma solicitação formal do Governo do Egito ao Governo do Brasil, recebida em abril de 2026, com foco no cuidado psicossocial de crianças e adolescentes. A missão foi organizada conjuntamente pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), pelos Ministérios da Saúde (MS), do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), pelo Ministério da Solidariedade Social do Egito e pelo UNICEF no Brasil e UNICEF no Egito. A visita foi precedida por um intercâmbio virtual realizado em agosto, que permitiu identificar temas de interesse e aprofundar as questões a serem exploradas durante a missão presencial.
O contexto egípcio
O Egito vem fortalecendo sua agenda de saúde mental e bem-estar psicossocial de crianças e adolescentes por meio de diferentes marcos nacionais. O país busca avançar na coordenação entre serviços, na disponibilidade de atendimento, na formação de profissionais e na integração da saúde mental infantil e de adolescentes aos sistemas de saúde, educação e proteção social.
Nesse contexto, o Ministério da Solidariedade Social do Egito está desenvolvendo centros nacionais de excelência para apoio psicológico e social integrado a crianças e adolescentes. A proposta é que esses centros atuem não apenas na oferta de atendimento especializado, mas também como referências para o desenvolvimento de padrões profissionais, formação de equipes, supervisão técnica, gestão de casos, encaminhamentos, produção de conhecimento e articulação entre serviços de proteção social, saúde, universidades e sociedade civil. A experiência brasileira com a rede de Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) foi identificada como uma referência relevante para esse processo.
Uma abordagem integrada para a saúde mental
No Brasil, a atenção à saúde mental de crianças e adolescentes parte da compreensão de que o bem-estar psicológico está relacionado às condições familiares, sociais e comunitárias em que meninas e meninos vivem. Por isso, a resposta não se limita ao atendimento clínico: envolve a articulação entre saúde, assistência social, educação, proteção e direitos humanos.
A rede CAPSi é um dos exemplos dessa abordagem. Os centros oferecem atendimento por equipes multidisciplinares e estão articulados com outros serviços da rede, incluindo a atenção primária à saúde e os serviços sociais. A experiência brasileira também contempla cuidados centrados na família, encaminhamentos e acompanhamento dos casos, buscando aproximar o cuidado especializado dos territórios e das redes de proteção de crianças e adolescentes.
Da política pública ao atendimento no território
Ao longo da missão, a delegação egípcia participou de reuniões institucionais e discussões técnicas com diferentes órgãos do Governo Federal e visitou serviços que permitem observar, na prática, como diferentes componentes da rede de proteção e cuidado se articulam.
A programação incluiu encontros com o Ministério da Saúde (MS), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e o UNICEF. A delegação também realizou visitas a Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), conhecendo diferentes portas de entrada e modalidades de atendimento para crianças, adolescentes e suas famílias.
As visitas de campo permitiram aprofundar questões levantadas durante os intercâmbios preparatórios, incluindo os mecanismos de encaminhamento entre serviços, a identificação e o acompanhamento de casos, a atuação de equipes multidisciplinares, o apoio às famílias e a articulação entre saúde, assistência social e proteção. A programação também abriu espaço para discutir formação e desenvolvimento de capacidades, modelos de atendimento, acompanhamento pós-atendimento e estratégias para ampliar o acesso de crianças e adolescentes que mais precisam de apoio.
Durante a missão, a delegação egípcia também conheceu iniciativas de apoio psicossocial que utilizam ferramentas digitais para ampliar o acesso de adolescentes à informação, à escuta e ao encaminhamento. Entre elas está o Pode Falar, plataforma de escuta e apoio em saúde mental desenvolvida para adolescentes e jovens, que combina atendimento digital, formação de profissionais, produção de conhecimento e participação de adolescentes na construção da iniciativa
Próximos passos para ampliar o intercâmbio
Ao final da missão, Brasil, Egito e UNICEF reafirmaram o interesse em dar continuidade ao diálogo e explorar novas oportunidades de intercâmbio de conhecimentos e experiências sobre saúde mental e apoio psicossocial para crianças e adolescentes.
Os próximos passos deverão aprofundar os temas observados durante a visita, incluindo a organização e o funcionamento dos serviços, os mecanismos de encaminhamento e acompanhamento de casos, a formação de profissionais, a articulação entre proteção social e saúde e as possibilidades de adaptação de experiências brasileiras ao contexto egípcio.
Mais do que uma visita técnica, o intercâmbio busca criar um espaço de aprendizagem mútua entre os dois países, reconhecendo que a cooperação Sul-Sul se constrói a partir da troca de experiências, dos desafios encontrados na implementação das políticas públicas e da identificação conjunta de soluções que possam contribuir para garantir que crianças e adolescentes tenham acesso ao cuidado, à proteção e ao apoio de que precisam.
Fonte: ABC - Agência Brasileira de Cooperação.





