Brasil e China aprofundam cooperação em governo digital com participação estratégica do Serpro
Em desdobramento à missão oficial do governo brasileiro na China, liderada pelo programa do MRE Diplomacia da Inovação em parceria com o Consulado brasileiro em Xangai, o Serpro participou de novas agendas estratégicas com autoridades centrais de tecnologia do governo chinês, em Pequim, consolidando sua atuação como braço tecnológico do Estado brasileiro em fóruns de
Redação Diplomacia Business
05/08/2025 · 11h20

Em desdobramento à missão oficial do governo brasileiro na China, liderada pelo programa do MRE Diplomacia da Inovação em parceria com o Consulado brasileiro em Xangai, o Serpro participou de novas agendas estratégicas com autoridades centrais de tecnologia do governo chinês, em Pequim, consolidando sua atuação como braço tecnológico do Estado brasileiro em fóruns de alta complexidade.
A assinatura do acordo de cooperação entre o Serpro e o China Academy of Information and Communications Technology (CAICT), nesta semana, marca um avanço significativo na presença internacional da empresa e na consolidação de parcerias com atores centrais da transformação digital global. O acordo estabelece uma agenda de intercâmbio técnico voltada ao desenvolvimento de soluções inovadoras e à definição de padrões para a governança digital e o uso da inteligência artificial no setor público.
Vinculado ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o CAICT é o órgão responsável por traçar os eixos estratégicos da digitalização do governo central chinês. Sua atuação combina a formulação de diretrizes, pesquisa aplicada e definição do rumo tecnológico de um Estado com uma das arquiteturas digitais mais complexas do mundo.
“O acordo potencializa uma cooperação em que o Serpro contribui com a expertise de operar soluções em larga escala para mais de 200 milhões de brasileiros, enquanto a China traz sua força em pesquisa aplicada e formulação de diretrizes para o futuro digital sustentável dos Estados”, afirma André Agatte, diretor de Negócios, Governo e Mercados do Serpro.
Inteligência artificial como pauta estratégica De acordo com Rafael Ferreira, gerente de Internacionalização do Serpro, a China busca referências práticas para estabelecer diretrizes regulatórias e padrões tecnológicos em inteligência artificial. “O Brasil tem muito a colaborar com a China, sobretudo neste momento, pois ambos os países estão criando as estruturas legais e técnicas que vão suportar os próximos passos da infraestrutura pública digital e do uso ético de dados”, afirma Ferreira.
O Brasil traz para esse debate uma abordagem baseada em um modelo evolutivo de integração: usar, conectar e, a partir disso, permitir que o padrão emerja do uso coletivo. “Não buscamos uma padronização formal e rígida para definir previamente os padrões técnicos da IA no contexto do BRICS. A ideia é que a adoção prática, escalável e culturalmente sensível dos modelos seja o motor para consolidar padrões mais eficientes”, sinaliza Ferreira.
Mesa-redonda com lideranças locais de tecnologia Outro destaque da agenda foi a participação do Serpro em uma mesa-redonda com representantes da TI municipal de Xangai, da iFlytek, empresa líder em inteligência artificial na China, e com o coletivo de mulheres em tecnologia. O encontro promoveu reflexões sobre os impactos sociais da IA, com destaque para a desigualdade de gênero no setor de tecnologia, ainda mais acentuada na China, e para os desafios de compartilhamento de dados entre instâncias do governo local e nacional, um tema que chamou atenção da delegação brasileira pela diferença em relação ao modelo federativo do Brasil.
“A soberania sobre dados e infraestrutura segue no centro das nossas contribuições aqui. Foi uma agenda rica em contrastes, mas também cheia de pontos de convergência. A cooperação internacional se fortalece quando conseguimos reconhecer nossas diferenças e, ainda assim, construir soluções tecnológicas públicas com valores compartilhados”, completa Agatte.
Brasil que pensa o futuro do Estado Com mais essa rodada de compromissos, o Serpro reforça seu papel como representante técnico do Brasil nas discussões que moldam os rumos do governo digital global. A missão posiciona a estatal de TI do governo federal como protagonista na construção de soluções públicas baseadas em inteligência artificial, soberania digital e cooperação internacional.
Em breve, o Serpro retorna à China para ministrar treinamentos sobre os modelos adotados no Brasil, especialmente no que diz respeito à soberania digital e à operação de nuvem pública com controle estatal. A agenda também inclui a participação brasileira nas discussões internacionais para regulação da IA no contexto do BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Fonte: Comunicação do Serpro.





