António Costa destaca papel estratégico de Chipre na abertura da Presidência do Conselho da União Europeia
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a Presidência cipriota do Conselho da União Europeia chega em um momento decisivo para o futuro do bloco, marcado por desafios geopolíticos, pressões sobre a ordem internacional baseada em regras e a necessidade de reforçar a segurança, a competitividade econômica e a coesão social da União.
Redação Diplomacia Business
09/01/2026 · 05h00

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a Presidência cipriota do Conselho da União Europeia chega em um momento decisivo para o futuro do bloco, marcado por desafios geopolíticos, pressões sobre a ordem internacional baseada em regras e a necessidade de reforçar a segurança, a competitividade econômica e a coesão social da União.
Durante a cerimônia de abertura da Presidência do Chipre, em Nicósia, Costa destacou que o sistema de presidências rotativas fortalece a União Europeia ao permitir que cada Estado-membro contribua com sua experiência e visão para a definição da agenda comum. Segundo ele, a diversidade cultural, política e histórica dos 27 países do bloco é um dos principais ativos da integração europeia.
Ao elogiar a liderança do presidente cipriota Nikos Christodoulides, Costa afirmou que o lema escolhido para o semestre — “Uma União autónoma. Aberta ao mundo” — reflete com precisão as prioridades atuais da UE. Para o presidente do Conselho Europeu, Chipre ocupa uma posição singular como ponte entre Europa, Oriente Médio e África, o que lhe confere especial sensibilidade para o diálogo intercultural e a construção de soluções inclusivas.
Costa ressaltou que a Presidência cipriota se inicia em um contexto internacional marcado por violações do direito internacional e pelo enfraquecimento do multilateralismo. Nesse sentido, lembrou que a própria história de divisão e ocupação do Chipre reforça a importância da defesa da legalidade internacional como base para a paz e a estabilidade globais.
O presidente reiterou que a União Europeia é, antes de tudo, uma comunidade de valores e que não pode tolerar violações do direito internacional em nenhuma região do mundo, citando explicitamente situações em países como Ucrânia e Gaza. Sobre a Groenlândia, Costa foi enfático ao afirmar que qualquer decisão sobre o território deve respeitar a vontade de seu povo, com o apoio integral da UE à Dinamarca e à própria Groenlândia.
No campo da segurança, António Costa voltou a condenar a invasão russa da Ucrânia, classificando-a como uma grave violação da Carta das Nações Unidas. Ele reafirmou o compromisso europeu com o apoio político, financeiro e militar a Kiev, destacando os recentes acordos sobre garantias de segurança e os recursos assegurados para os próximos dois anos. Segundo Costa, a reconstrução da Ucrânia e seu avanço rumo à integração europeia serão prioridades durante a Presidência cipriota.
O presidente do Conselho Europeu também enfatizou a importância do alargamento da União Europeia, apontando Ucrânia, Moldávia e os Balcãs Ocidentais como elementos centrais para o fortalecimento geopolítico do bloco. Ele defendeu avanços simultâneos nas reformas dos países candidatos e na adaptação institucional da própria UE, mencionando a possibilidade de conclusão das negociações de adesão de Montenegro já nos próximos meses.
No plano econômico, Costa anunciou que 2026 será dedicado a impulsionar a competitividade europeia e a aprofundar o mercado único. Uma reunião estratégica de líderes europeus está prevista para fevereiro, com o objetivo de explorar todo o potencial econômico da União. Ele destacou ainda o papel da UE como maior bloco comercial do mundo e o avanço das negociações de acordos com países da Ásia, da América Latina e do Oriente Médio.
Por fim, o presidente ressaltou a relevância do papel de Chipre nas relações da União Europeia com o Mediterrâneo e o Oriente Médio, mencionando a liderança cipriota em iniciativas humanitárias para Gaza e sua contribuição para a implementação do plano de paz endossado pelo Conselho de Segurança da ONU. Costa anunciou ainda a realização da primeira Cúpula UE-Jordânia e um encontro de líderes europeus com parceiros mediterrâneos, previsto para abril de 2026, em Chipre.
Encerrando seu discurso, António Costa afirmou que a Presidência do Conselho vai além da condução técnica de reuniões, sendo fundamental para promover consensos e manter a União Europeia unida diante dos desafios globais. Segundo ele, a experiência e o compromisso europeu do Chipre serão decisivos para o sucesso do semestre.
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