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Consolidando as relações comerciais que existem há mais de 120 anos, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou nesta quarta-feira (16) de uma reunião bilateral com o ministro da Agricultura do Irã, Gholamreza Nouri Ghezeljeh, que esteve em Brasília acompanhado de sua comitiva oficial.
A reunião ocorreu paralelamente à programação do Grupo de Trabalho de Agricultura (AWG) dos BRICS, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que ocorre até esta quinta-feira (17) e será encerrado com uma reunião ministerial dos países que integram o bloco.
Entre os principais temas discutidos, está a criação de um comitê agrícola consultivo bilateral, iniciativa que tem o objetivo de agilizar as pautas de interesse comum e promover o intercâmbio técnico entre os dois países.
“Nosso objetivo principal é estreitar os laços de amizade e os laços comerciais. A criação de um comitê consultivo agrícola vai permitir que sejamos mais céleres e eficientes nas pautas de interesse mútuo”, afirmou o ministro Fávaro.
Durante o encontro, o Brasil reforçou seu interesse em ampliar as exportações de frutas, pescados e carne de aves, além de tratar da ampliação do comércio de fertilizantes, especialmente ureia. O ministro iraniano demonstrou disposição em aprofundar o diálogo técnico e científico com o Brasil e ressaltou o respeito do povo iraniano pelo Brasil.
“Acredito que Deus gosta do povo brasileiro, abençoa muito a terra brasileira, e podemos aproveitar isso para ampliar nossas relações. Queremos estabelecer uma rota direta do Irã para o Brasil e vice-versa, facilitar o comércio, fortalecer a cooperação em áreas como meio ambiente, vacinação de rebanhos e exportação de peixes”, afirmou Gholamreza Nouri Ghezeljeh.
Brasil reforça sistema sanitário e negocia importação de caviar
As questões sanitárias também estiveram na pauta. O ministro Carlos Fávaro ressaltou que o Brasil é um dos poucos países do mundo que não registra casos de gripe aviária ou doença de Newcastle em criações comerciais ou de subsistência, o que comprova a solidez e a eficiência do sistema sanitário brasileiro. O Irã, por sua vez, demonstrou interesse em revisar os protocolos sanitários vigentes, com foco na abertura de novos mercados, especialmente no comércio de carne de aves, pescados e derivados.
Em relação ao caviar, produto tradicional do país persa, o Brasil já cumpriu três das cinco etapas técnicas necessárias para a habilitação da importação. A expectativa é de que, com o avanço das tratativas, esse processo possa ser finalizado em breve.
O Brasil conta com um adido agrícola em Teerã, o que fortalece a articulação técnica e institucional entre os dois países. A presença do representante facilita o acompanhamento de pautas sanitárias, comerciais e regulatórias. Também contribui para a identificação de oportunidades de mercado para os produtos agropecuários brasileiros. O adido atua como ponte direta entre o Mapa e as autoridades iranianas, acelerando processos e ampliando a cooperação bilateral no setor.
Irã propõe rota marítima e destaca interesse em ampliar comércio
O ministro iraniano destacou o interesse de seu país em instalar uma empresa de navegação iraniana no Brasil, o que pode facilitar a logística entre os dois países e impulsionar as trocas comerciais.
Ao final do encontro, os ministros reafirmaram o desejo de fortalecer os laços diplomáticos, econômicos e culturais, com apoio técnico das equipes de ambos os governos.
Participaram da reunião, pelo governo iraniano, o ministro da Agricultura, Gholamreza Nouri Ghezeljeh; o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadirli; o deputado e chefe do Grupo de Amizade Irã-Brasil, Ahmad Naderi; o deputado e membro da Comissão de Agricultura, Kamal Hosseinpour; o diretor dos Serviços de Protocolo do Ministério da Agricultura, Mohammad Hassan Vahid Akbari; o vice-ministro, Hooman Fathi; o chefe da Instituição de Desenvolvimento Rural, Ali Kiani Rad; e o chefe do setor econômico da Embaixada do Irã, Mehdi Ghasemi.
Representando o Mapa, estiveram presentes o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua; o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira; a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; o diretor do Departamento de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade, Augusto Billi; e o chefe de gabinete da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, Guilherme da Costa.
Fávaro, recebeu também o ministro da Agricultura e Bem-Estar da Índia, Shivraj Singh Chauhan, acompanhado de sua delegação e da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá. O encontro teve como objetivo estreitar as relações comerciais e intensificar a cooperação em pesquisa e tecnologia agropecuária entre Brasil e Índia.
A reunião bilateral aconteceu paralelamente à programação do Grupo de Trabalho de Agricultura (AWG) dos BRICS, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que ocorre até esta quinta-feira (17), quando será encerrado com uma reunião ministerial dos países do bloco.
Durante o encontro, Fávaro destacou a importância da aproximação entre Brasil e Índia, reforçando a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o fortalecimento das relações internacionais. “O presidente Lula nos incumbiu de ampliar, cada vez mais, as relações de amizade e comerciais. Uma boa relação comercial deve ser recíproca — comprar e vender”, afirmou o ministro. Ele também citou o pleito da Índia para a abertura do mercado brasileiro à romã indiana, tema já em análise pelo Mapa.
Por sua vez, Fávaro solicitou agilidade por parte da Índia na análise para abertura do mercado do feijão guandu brasileiro, além de manifestar interesse em exportar outros produtos como erva-mate, noz-pecã e ampliar as vendas de carne de aves ao mercado indiano.
O ministro também ressaltou a ligação histórica entre os países no que se refere à genética bovina. “Cerca de 80% do rebanho bovino brasileiro é formado por zebuínos, originários da Índia. Com o trabalho da Embrapa, alcançamos avanços significativos no melhoramento genético dessa raça. É uma alegria poder, hoje, devolver à Índia uma genética ainda mais evoluída, fruto dessa cooperação que tanto nos orgulha”, pontuou.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, reforçou o histórico da empresa no desenvolvimento de tecnologias para a agropecuária. “A Embrapa tem 52 anos de história, com 43 centros de pesquisa espalhados pelo país. Desde o início, trabalhamos no melhoramento genético dos zebuínos no Brasil, gerando conhecimento e inovação”, destacou.
Durante a reunião, a delegação indiana manifestou interesse em promover intercâmbios entre técnicos dos dois países, com o envio de representantes ao Brasil para conhecer práticas agropecuárias locais, além de convidar especialistas brasileiros para visitas técnicas à Índia.
O encontro também abordou o fortalecimento da cooperação internacional para o desenvolvimento da agricultura por meio de tecnologias sustentáveis e sistemas de produção inovadores, com foco no benefício mútuo e no respeito entre as nações.
Participaram da reunião o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy; o diretor-geral do Ministério da Agricultura e Bem-Estar da Índia, Ajeet Sahu; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua; e o secretário-adjunto da pasta, Marcel Moreira.
Fonte: Mapa:


