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Anunciando sua viagem à Nova Caledônia, Macron tem o objetivo de mostrar sua determinação em acabar com a crise no local. Desde o início dos distúrbios, na semana passada, o Ministério do Interior da França e o primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, estavam encarregados do problema.

A ida do chefe de Estado ao arquipélago foi anunciada de forma surpresa no Conselho de Ministros nesta terça-feira. Fontes do governo explicaram, em seguida, as razões do deslocamento inesperado: “Macron vai para escutar, trocar ideias, discutir com os políticos da Nova Caledônia”.

Segundo a porta-voz do governo, Prisca Thévenot, o retorno à ordem no território continua sendo a prioridade do presidente. “O Executivo busca a construção de uma solução política para a Nova Caledônia”, garante.

Origem da crise na Nova Caledônia
A situação se deteriorou na Nova Caledônia desde que uma reforma do corpo eleitoral do território foi aprovada pela Assembleia de Deputados da França, no último 14 de maio. A medida, que ainda deve passar por uma votação no Congresso em junho, permite dar direito de voto a cerca de 25 mil pessoas que residem no arquipélago há mais de 10 anos. Para os canaques – como é chamada a população nativa – a decisão é um retrocesso ao território.

A França colonizou a Nova Caledônia no século XIX, mas desde os anos 1970 vem realizando um processo de devolução da autonomia ao local, considerado lento e insuficiente pelos nativos. O chamado “Acordo de Nouméa”, firmado em 1998, permitiu “congelar” o corpo eleitoral do território, determinando que apenas votantes e seus descendentes, recenseados na época, pudessem participar dos pleitos provinciais.

O pacto também previa que três referendos fossem realizados na Nova Caledônia. No último deles, em 2021, o “não” à independência recebeu 96,50% dos votos. No entanto, a consulta teve abstenção recorde e foi boicotada pelo movimento independentista devido à recusa do governo francês de adiar a votação, em plena pandemia de Covid-19.

Três forças políticas têm protagonismo nesta crise: a Frente de Libertação Kanak e Socialista (FLNKS), – coalizão de partidos independentistas criado em 1984 -, a Célula de Coordenação de Ações em Terreno (CCAT), próxima do FNLKS e criada no final de 2023 para coordenar a mobilização contra a reforma do corpo eleitoral, e os nacionalistas, que se opõem à independência do arquipélago, vinculados à direita e à extrema direita francesa.

Oito dias de distúrbios
Em oito dias de violências desencadeadas pela aprovação da reforma do corpo eleitoral da Nova Caledônia, seis pessoas morreram – entre eles, dois policiais. Estradas foram bloqueadas, o comércio foi saqueado e empresas e carros foram incendiados. Alguns moradores assustados, muitos originários da França continental, organizaram barricadas e grupos de defesa armados para se proteger.

O governo francês determinou estado de emergência ao território, com toque de recolher noturno, proibiu aglomerações, bem como o transporte de armas, a venda de bebidas alcoólicas e bloqueou o TikTok. Centenas de policiais e militares foram enviados à Nova Caledônia, totalizando cerca de 2.700 membros das forças de segurança no local.

Desde o início da crise, 276 pessoas foram presas. Segundo dados oficiais, a revolta causou, até o momento, um prejuízo de US$ 217 milhões (equivalente a cerca de R$ 1,1 bilhão). O aeroporto da capital Nouméa permanecerá fechado a voos comerciais pelo menos até o próximo sábado (25).

Turistas australianos, que se refugiaram em hotéis desde o início das tensões, são retirados aos poucos da Nova Caledônia
A Austrália e a Nova Zelândia, que há vários dias tentam repatriar centenas de cidadãos na Nova Caledônia, enviaram vários voos na manhã de terça-feira para retirá-los do território.

Devido aos distúrbios, o percurso da chama olímpica pelo arquipélago, previsto para 11 de junho, foi cancelado para “dar prioridade ao retorno da calma”, explicou a ministra francesa de Esportes, Amelie Oudea-Castera.

Apesar de a violência ter sido controlada pelo envio de um grande efetivo das forças de segurança, Nouméa continua sendo palco de confrontos e bloqueios nas estradas. A frágil retomada da calma “continua no conjunto do território”, garantiu nesta terça-feira o alto comissário da República na Nova Caledônia, Louis Le Franc.

(RFI com agências)

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