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No dia 15 de março, o Grupo dos Cônjuges dos embaixadores africanos (GCEA) presidido pela embaixatriz de Camarões, Laura Mbeng realizou, no espaço Serzedello Correa em Brasília, o evento “Mulheres em Nosso Mundo” em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres”.
Martin Mbeng, embaixador da República dos Camarões no Brasil e Decano dos embaixadores africanos, presenteou as mulheres com flores “como símbolo de apoio às lutas e atividades diárias de todas as mulheres de nosso mundo”.
Mbeng enfatizou em seu discurso que “como homens, devemos apoiar iniciativas como essa e ser fonte de inspiração na sociedade”. Disse também que as mulheres representam o coração e o pulmão do mundo, ao “dar à vida, educar e proteger”, e por isso, “devem ser celebradas e homenageadas todos os dias”.
A cerimônia contou com a presença de embaixadores, representantes do corpo diplomático, autoridades e representantes do governo federal brasileiro, imprensa e amigos dos países africanos.
Na ocasião, as embaixatrizes dos países que compõe o Grupo, prestaram sua homenagem contando histórias de mulheres que fizeram e que fazem a diferença em suas pátrias e em todo o mundo.
Veja em seguida as mulheres homenageadas pelas embaixatrizes de alguns dos países africanos que compõe o Grupo dos Cônjuges dos embaixadores Africanos (GCEA)
ARGÉLIA
Primeira a se apresentar, embaixatriz argelina, Saida Bladehane falou sobre a importância de três mulheres, entre outras, em seu país. São elas:
Al Kahina, a rainha berbere de Aurès do século VII, foi uma líder religiosa e militar no que era então conhecido como Numídia. Ela derrotou as forças omíadas, tornando-se a governante de todo a região do Magrebe.
Lalla Fatma N’Soumer, nascida em 1830, foi outra figura importante. Dessa vez, no movimento de resistência argelina durante os primeiros anos da conquista francesa da Argélia.
Djamila Bouhired, por sua vez, nasceu cerca de um século depois, (em 1937) em Argel, é até hoje indiscutivelmente a mulher mais famosa ativa na resistência FLN da Revolução Argelina (1954-62), sendo a única mulher que alcançou fama internacional durante a Revolução.
CAMARÕES
A embaixatriz Laura Mbeng, da República de Camarões, iniciou sua apresentação falando um pouco sobre sua terra natal: “Ainda chamada de África em miniatura, Camarões é um país situado no centro de África dotado de uma riqueza incrível tanto a nível cultural, ambiental como turístico. Estende-se por uma área de 475.442 km e tem mais de 27 milhões de habitantes divididos em 240 grupos étnicos. Neste país, as mulheres são as mais numerosas porque constituem mais de 50,6% da população nacional.
Como resultado, rapidamente entendemos que o surgimento de nosso grande e belo país passará necessariamente por eles. Ator principal para o desenvolvimento de nossa localidade, a mulher camaronesa é quem deve atuar para sua emancipação. A sua presença, a sua atuação e o papel que desempenha em todos os setores de atividade fazem dela um elemento essencial do progresso. Daí a importância da sua promoção, supervisão e influência. Para que ela brilhe mais, muitas instituições fizeram seus os problemas das mulheres e decidiram fazer de sua promoção sua prioridade”.
Mbeng, que é presidente do grupo dos conjuges destacou a vida de Chantal Biya, uma senhora de grande coração comprometeu-se pessoalmente, com entusiasmo e determinação, a travar a mortalidade materna e neonatal, a travar a pandemia do VIH/SIDA, a cuidar das crianças doentes e aflitas. Além disso, ela dá um ponto de honra à educação da jovem.
Seus trabalhos são numerosos e todos impulsionados por uma fundação criada em 1994, a Fundação CHANTAL BIYA. Esta fundação atua em diversas áreas. Um centro de pesquisa e aplicação em cirurgia endoscópica e reprodução humana em Yaoundé, a capital, que trabalha principalmente em cirurgia endoscópica, procriação medicamente assistida e atividades de treinamento.
Um centro médico em Meyomessala, no sul do país, cuja principal atividade é percorrer aldeias e áreas remotas para aproximar mulheres grávidas e crianças em dificuldade de primeiros socorros. Um centro materno-infantil em Yaoundé que pertence à rede materno-infantil da Francofonia, na qual são consultadas anualmente pelo menos 40.000 crianças e 33.000 mulheres, é também um centro piloto de oncologia pediátrica para o tratamento de cânceres da criança.
Madame Chantal Biya desempenha um papel de liderança na mobilização nacional e internacional. O centro materno-infantil de sua fundação é o primeiro projeto-piloto de Camarões na prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho. E durante seus primeiros quatro anos de existência, ali foram recebidas cerca de 12.000 gestantes.
GANA
A embaixada de Gana, por sua vez homenageou Annie Ruth Jiagge, que foi a primeira mulher em Gana e na Comunidade das Nações a se tornar juíza e Ama Ata Aidoo, a primeira dramaturga africana publicada, tornando-se um clichê do fotojornalismo ocidental, onde a mulher africana é velha. Além de sua idade, ela está seminua e com os seios caídos e murchos bem expostos, além da presença de moscas zumbindo em volta dos rostos de seus filhos.
GABÃO
Julie-Pascale Moudoute-Bell, embaixatriz gabonesa falou sobre Sylvia Bongo Ondimba, esposa do presidente Ali Bongo Ondimba, tornou-se primeira-dama do Gabão em 2009. Em 2011, criou a Fundação Sylvia Bongo Ondimba para a Família, em favor de mulheres, jovens e pessoas mais vulneráveis.
Moudote-Bell sublinhou em sua fala que “seu empenho é notadamente marcado pelo reconhecimento pela Assembleia Geral das Nações Unidas do dia 23 de junho como o Dia Internacional das Viúvas e pela implantação da iniciativa nacional de Igualdade do Gabão, resultando em reformas legislativas e medidas históricas em favor dos direitos dos gaboneses. O tema do acesso à educação também é um assunto caro ao seu coração”.
A Fundação Sylvia Bongo Ondimba foi criada por iniciativa da Primeira Dama do Gabão em 2011. Ela trabalha para o surgimento de uma nação unida e unida oferecendo a todos o lugar que merecem na sociedade. A sua missão é encorajar todos os gaboneses a tornarem-se os primeiros atores do seu próprio sucesso, para que todos beneficiem de novas oportunidades de desenvolvimento.
Desde a sua criação, a Fundação esteve na origem de vários projetos de grande escala pelos direitos das mulheres no Gabão, em particular Agir contre le Cancer, Solidarité Veuves e All Mothers Count.
GUINÉ BISSAU
A Embaixada da Guiné-Bissau no Brasil trouxe em vídeo as palavras da Ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Dra. Suzi Carla Barbosa, a qual em seu discurso encorajou as jovens a estudarem, a perseguir os seus sonhos, destacando o papel da mulher em sociedade.
QUÊNIA
Em um breve vídeo, Janet Lemarron mostrou aos presentes o legado deixado pela bióloga Wangari Maathai, primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz e a ter um doutorado. Ela dedicou sua vida e cuidar do meio ambiente e lutar pelo direitos das mulheres.
NIGÉRIA
A Embaixatriz Aisha Ibrahim Gashash apresentou aos convidados a secretária-geral Adjunta das Nações Unidas, Amina J. Mohammed. Nascida na Nigéria, Amina tem, desde 2017, uma longa carreira na ONU. A secretária também já ocupou cargos importantes no governo de seu país. Em 2015, ela ganhou o Prêmio Notre Dame de Desenvolvimento Internacional e Solidariedade, e em 2007 esteve no Hall da Fama de mulheres nigerianas.
MARROCOS
A embaixatriz marroquina, Siham Belamine, apresentou vários perfis de mulheres marroquinas que tiveram destaque e visibilidade e fama.
“Sendo um país de civilização milenar, o Reino de Marrocos sempre teve, ao longo da sua história, eventos importantes e momentos gloriosos feitos por mulheres que fizeram e estão fazendo do Marrocos um país destacado em vários áreas e setores”, disse Belamine.
Começou sua homenagem mencionando Fátima El Fihriya, fundadora da Al-Qaraouiyine, a universidade mais antiga do mundo. Nascida no século IX (9), ela decidiu gastar seu próprio dinheiro para construir esta obra-prima.
De acordo com documentos históricos, em 859, Fátima Al-Fihriya empreendeu a ampliação da Mesquita Al-Qaraouiyine, que seria a maior do norte da África. Graças aos esforços e determinação desta mulher, a Universidade se tornou um verdadeiro centro intelectual e cultural para o mundo muçulmano e Europa. Ao longo dos anos, a Universidade recebeu vários grandes cientistas, como Mohammed Al-Idrissi e Ibn Khaldun, e ensinou religião, medicina, matemática, filosofia e astronomia.
Falou também sobre Touria Chaoui, uma mulher marroquina, foi a primeira aviadora civil do mundo árabe e Africano. Corajosa e determinada, Touria Chaoui construiu sua própria carreira durante os anos 50, em um mundo que tinha sido reservado aos homens: a aviação. Desde então, ela se tornou um modelo para todas as mulheres do mundo árabe que se tornaram pilotos. O vanguardismo sempre fez parte da natureza da mulher marroquina.
Já a marroquina Hanae Zerouali, é a primeira mulher a assumir o controle de uma aeronave militar, uma função de grande responsabilidade. Os militares devem ser vigilantes, eficientes e saber tomar decisões rápidas em caso de eventos imprevistos. A piloto comandante de transporte da Força Aérea Real do Marrocos, Hanae Zerouali, sempre se apresenta como a pessoa certa no lugar certo, e com um grande sorriso.
“Seja marroquina, africana ou de qualquer outra nacionalidade, a mulher nunca deixará de dar e de surpreender onde quer que ela deseje estar. Além de ser extraordinária em seu trabalho, ela nunca abandona seu papel de mãe, esposa, irmã e amiga”, finalizou Belamine.
TUNÍSIA
“Neste dia memorável que é o Dia Internacional da Mulher, felicito todas as mulheres do mundo e permito-me felicitar as mulheres do meu país, em particular. As belas, fortes e ambiciosas tunisinas, e entre elas escolhi uma mulher excepcional que Vou apresentá-la hoje”, iniciou Ameni Hajji em sua apresentação.
Ela contou que: “Ons Jabeur foi a primeira jogadora árabe e africana a alcançar a segunda posição mundial no ranking WTA 2022. Nascida em 28 de agosto de 1994, em Ksar Hellal, na Tunísia, Jabeur começou a jogar no circuito ITF JUNIOR em agosto de 2007. Ganhou diversos campeonatos internacionais, tendo sido classificada como a número 2 do mundo, além de ser a jogadora tunisiana, árabe e africana mais bem classificado no ranking WTA 2022.
TANZANIA
Salome L. Shitunguru falou sobre a própria líder de seu país, Samia Hassan Suhulu, política e atual presidente da Tanzânia, e primeira mulher a ocupar este cargo. Suhulu iniciou a sua carreira profissional no governo de Zanzibar, onde trabalhou de 1977 a 1987, desempenhando funções administrativas e de desenvolvimento.
SUDÃO
Sawsan Awadallah Abdallah Mohammed, Embaixatriz do Sudão, apresentou aos convidados a Fatima Ahmed Ibrahim, uma escritora e ativista sudanesa engajada na causa das mulheres de seu país.
Fotos do evento:


