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O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou, em relatório divulgado em 19 de janeiro, que a Finlândia precisará manter esforços de consolidação fiscal por vários anos para conter o avanço da dívida pública. A recomendação é de um ajuste anual equivalente a 0,5% do PIB, mantido até o reequilíbrio das contas e a colocação da dívida em trajetória de queda. Segundo o FMI, o novo arcabouço fiscal do país é um passo positivo, mas o ajuste exigirá forte compromisso político, revisão de gastos e mudanças na tributação indireta.
O relatório aponta que as finanças públicas se deterioraram significativamente nos últimos anos, com déficit em torno de 4,5% do PIB em 2025, pressionado por maiores gastos com defesa, imigração, saúde, previdência e juros da dívida. Sem novas medidas, a dívida pode se aproximar de 95% do PIB até o fim da década. Entre as opções de ajuste, o FMI sugere melhorar a eficiência da seguridade social, cortar subsídios às empresas, reformar o sistema de pensões e eliminar incentivos fiscais a combustíveis fósseis, além de aproximar alíquotas reduzidas do IVA da taxa padrão.
Apesar do quadro fiscal desafiador, o FMI projeta retomada do crescimento econômico em 2026, impulsionada pela recuperação da demanda privada, com expansão em torno de 1,5% nos próximos anos. A inflação deve se manter próxima de 2%, favorecendo o aumento dos salários reais e da renda disponível. Ainda assim, os riscos permanecem inclinados para baixo, devido a tensões comerciais e à incerteza geoeconômica.
O Fundo destaca que o principal motor de crescimento de longo prazo da Finlândia está no aumento da produtividade, por meio de reformas no mercado de trabalho, fortalecimento do ensino superior, melhor integração de imigrantes e maior investimento em inovação, digitalização e inteligência artificial. No setor financeiro, considerado estável, o FMI recomenda cautela com o mercado imobiliário e o reforço das reservas macroprudenciais, diante da forte integração do sistema finlandês aos mercados internacionais.
O documento integra as Consultas do Artigo IV, realizadas regularmente pelo FMI com seus países membros, com base em análises técnicas e diálogos com autoridades e agentes econômicos locais.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.




