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Na terça-feira (10), o Embaixador da Áustria no Brasil, Stefan Scholz, recebeu convidados na Embaixada austríaca em comemoração aos 200 anos do início das relações diplomáticas entre o Brasil e os países da Europa Central. O evento contou com a participação dos embaixadores da República Tcheca, Croácia, Hungria, Eslovênia e Eslováquia.
Em 2025, Brasil e países da Europa Central comemoram dois séculos de relações diplomáticas, marcadas por laços históricos, intensos fluxos migratórios e uma crescente cooperação econômica, científica e cultural.
O reconhecimento internacional, que começou com os países da Europa Central, aconteceu em 30 de dezembro de 1825 e foi seguido por vários outros países da Europa continental em 1826.

Homenagem às vítimas de ataque na Áustria
No início de seu discurso, o Embaixador da Áustria no Brasil, Stefan Scholz, prestou uma homenagem emocionada às vítimas de um recente ataque a uma escola em seu país, que resultou na morte de 11 crianças. Ele agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas do governo brasileiro e da comunidade internacional. “Hoje prestamos homenagem às vítimas do trágico ataque em uma escola austríaca. A solidariedade expressa pelo Brasil e por outros países é profundamente comovente e digna de reconhecimento”, declarou Scholz.
Relações históricas desde a independência brasileira
Scholz destacou que o reconhecimento internacional da independência do Brasil foi crucial para a consolidação de sua soberania. “Em 15 de novembro de 1825, foi promulgado o reconhecimento formal da independência do Brasil, encerrando 325 anos de determinação externa”, afirmou. Segundo o diplomata, três fatores foram decisivos nesse processo: a declaração de independência em 1822, a vitória das forças brasileiras na Guerra da Independência — que resultou na morte de até 5 mil combatentes — e a implantação de estruturas básicas de governança.
O reconhecimento internacional, iniciado por potências da Europa Central, ocorreu em dezembro de 1825 e prosseguiu ao longo de 1826. Entre os primeiros signatários estavam o Reino da Hungria, a Croácia e Eslavônia, o Arquiducado da Áustria, a Caríntia, a Estíria e o Marquesado da Morávia — todos integrantes do antigo império multiétnico da Europa Central.
Influência cultural e científica
O Embaixador austríaco também destacou a influência cultural e científica da Europa Central no Brasil. Um exemplo foi a expedição de artistas, naturalistas e cientistas europeus que chegaram ao país em 1817 e permaneceram por 17 anos, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do conhecimento sobre o Brasil. Outro ponto ressaltado foi a herança dinástica presente na bandeira brasileira. O amarelo, segundo Scholz, faz referência direta à Casa de Habsburgo, uma das mais importantes dinastias da Europa Central. “É um símbolo de como a história europeia está inscrita na identidade nacional do Brasil até os dias de hoje”, pontuou.
Legado humanitário
Durante a solenidade, também foi lembrada a contribuição humanitária da Europa Central para a abolição da escravidão. O Código Civil Geral da região, de 1812, trazia a mais antiga proibição da escravidão militar ainda em vigor à época e inspirou disposições discutidas no Congresso de Viena. Em alusão ao 180º aniversário desse congresso, Scholz destacou a importância do Brasil ter participado pela primeira vez como um Estado com direitos iguais, ainda que em união pessoal com a monarquia portuguesa.

Cooperação e futuro compartilhado
O chefe da Divisão de Europa Central e Oriental do Itamaraty, Danielo Teófilo Costa, celebrou os 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e os países representados, destacando os valores compartilhados, como democracia, direitos humanos e proteção ambiental. Costa também agradeceu ao embaixador Stefan Scholz pela hospitalidade e anunciou a chegada do novo embaixador brasileiro em Viena, Fernando Sáboia. O diplomata brasileiro lamentou o ataque ocorrido na escola pública em Graz e, em nome do governo, expressou solidariedade às vítimas, reafirmando o repúdio a qualquer forma de violência.
Durante o evento, Costa aproveitou para reforçar o convite aos países presentes para participarem da COP30, que será sediada em Belém (PA). Ele destacou os desafios sociais e ambientais da Amazônia, região habitada por mais de 30 milhões de brasileiros.
O evento foi encerrado com um brinde simbólico, em celebração a dois séculos de amizade, cooperação e vínculos históricos entre o Brasil e os países da Europa Central.







