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Em entrevista exclusiva ao Diplomacia Business, o embaixador do Equador, Carlos Alberto Velástegui, fala sobre a data nacional do Equador, quando as residências dos equatorianos são enfeitadas com a bandeira nacional, atividades culturais, atos militares e comemorações cívicas são realizadas e a música é comandada por fanfarras.
Velástegui discorre sobre turismo, agricultura familiar e gastronomia, dentre outros temas. “O Equador e o Brasil buscam fortalecer seu comércio bilateral por meio da abertura comercial de novos produtos e atração de Investimento Estrangeiro Direto”, explica o embaixador. Ele anuncia a Rodada de Negócios 2022: “Mais Equador no Mundo”, que será realizada nos dias 13 e 14 de setembro deste ano, no Hotel Hilton Colón, em Guayaquil. Veja a entrevista completa:
Diplomacia Business – Como serão feitas as comemorações da data nacional do Equador, dentro e fora do país?
Embaixador do Equador no Brasil, Carlos Alberto Velástegui – Em 10 de agosto será o 213º aniversário do Primeiro Grito de Independência no Equador, um feito que levou a um processo revolucionário sem precedentes e que produziu a Primeira Constituição em 1812. A lembrança do fato no Equador é uma oportunidade para enaltecer os valores cívicos em que comemoramos a vontade de liberdade dos heróis e que chegou ao sacrifício de suas vidas. Nessa data, é costume enfeitar as casas com a bandeira nacional; realizar atividades culturais e comemorações cívicas, atos militares e ter apresentações de fanfarras. No exterior, as comemorações são promovidas pelas embaixadas e associações equatorianas.
Em Brasília, no dia 10 de agosto, às 12h, haverá celebração litúrgica na Catedral com o cardeal arcebispo de Brasília; e às 18h, será exibido o filme “O Vigário” no Cine Brasília. À noite, a Catedral e a Biblioteca Nacional serão iluminadas com as cores da bandeira equatoriana e, nesta ocasião, será celebrado o Dia Nacional com a comunidade equatoriana residente em Brasília, para estimular a união e o vínculo com o país, em evento a ser realizado no dia 13 de agosto;
Recentemente, o sr. esteve com o presidente da Embrapa. Como foi esse encontro? Como a Embrapa pode cooperar com o Equador e em quais áreas?
Embaixador do Equador no Brasil, Carlos Alberto Velástegui – Realizamos no dia 19 de abril uma reunião com o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o sr. Celso Luiz Moretti, para identificar oportunidades de cooperação entre nossos países. O presidente Moretti mencionou que nessa cooperação é importante que haja sempre missões da Embrapa ao Equador, com interesse nas questões fitossanitárias da banana e também em conhecer o cacau.
Da mesma forma, o Equador tem interesse em conhecer a experiência da Embrapa na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias agrícolas e em sua atuação administrativa por meio dos 43 centros de pesquisa que possui em todo o território brasileiro.
Discutimos o Programa de Cooperação Internacional para Melhoramento e Inovação Agropecuária que a Embrapa mantém em várias regiões do mundo. Pretendemos retomar esse programa ao nível bilateral, com treinamento e educação, por meio de intercâmbio de pesquisadores sobre temas de interesse bilateral, especialmente em áreas de inovação agropecuária como o Programa de Melhoramento Genético de pastagens para bovinos de corte e leite e a transferência de conhecimento.
O Equador reconhece o grande potencial que o Brasil tem na área agrícola e parabeniza o importante trabalho da Embrapa na melhoria da produção, por meio de investimentos adequados na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias agrícolas. Queremos continuar avançando em futuras conversas e realizar convênios de trabalho.
A agricultura familiar tem forte presença no território equatoriano. Como esse setor tem se destacado?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – A agricultura familiar garante a segurança alimentar, melhora os meios de subsistência, administra melhor os recursos naturais, protege o meio ambiente e alcança o desenvolvimento sustentável, especialmente nas áreas rurais. Por isso, e sob o conceito de promover os mecanismos de desenvolvimento e financiamento da agricultura familiar, o governo do Presidente Guillermo Lasso (do Equador) mantém a Subsecretaria de Agricultura Familiar Camponesa.
A agricultura no Equador é uma das principais fontes de emprego e renda para a população rural. Embora sua importância econômica esteja em segundo lugar, visto que economicamente o país depende da produção-exportação de petróleo. No Equador, 30% da população é considerada rural e 25% da PEA está ligada às atividades agropecuárias, que atualmente têm 7,9% de participação no PIB, concorrendo com outros setores mais dinâmicos, como petróleo, construção e comércio.
No Equador, segundo o analista Carmigniani, a agricultura familiar é composta por 250 mil produtores e estes têm 4 milhões de hectares (33%) da área agrícola total. Trata-se de uma agricultura articulada ao mercado, com o mercado de terras, com o trabalho agrícola rural e urbano, com o mercado de capitais das instituições de crédito e com o mercado de mercadorias.
Recentemente, o Equador foi um dos cinco países eleitos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O país assume o posto em 1º de janeiro de 2023 até 31 de dezembro de 2024. Qual a importância desse fato?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – O Equador fará parte do Conselho de Segurança pela quarta vez (1950-51; 1960-61; 1991-92 e hoje) caracterizando-se por ser dono de uma voz independente em questões de política internacional e com um claro compromisso com a paz mundial, os direitos humanos e segurança. Seu papel é apresentado com uma visão objetiva e com uma vontade conciliadora de priorizar a resolução pacífica de controvérsias, a proteção de civis em contextos de conflito armado e a agenda da mulher, paz e segurança, além do combate ao tráfico ilícito de armas. e atenção às ameaças emergentes. Ressalta-se também que o Equador e o Brasil coincidirão no exercício como membros não permanentes do Conselho de Segurança por um ano.
Como estão as relações comerciais entre o Brasil e o Equador? Quais são prioridades para fortalecer e ampliar esse comércio?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – O Equador considera o Brasil um parceiro comercial e um importante mercado na região sul-americana, pois é a 13ª maior economia do mundo. É o maior receptor de Investimento Direto Estrangeiro (IED) da América Latina e Caribe. A balança comercial entre os dois países é deficitária para o Equador em 276 milhões de dólares (Banco Central do Equador, em maio de 2022). O Equador exporta para o Brasil produtos como chumbo, conservas de atum, lombos pré-cozidos, filés de pescada, conservas de sardinha, camarão, têxteis, doces, confeitaria, cacau e chocolate.
O Brasil exporta para o Equador produtos como metalurgia, chapas de ferro, bombas de ar, máquinas, plásticos, veículos de transporte, tratores, chassis, pneus, peças e acessórios, papéis, medicamentos e preparações químicas. O Equador e o Brasil buscam fortalecer seu comércio bilateral por meio da abertura comercial de novos produtos e atração de Investimento Estrangeiro Direto, com eventos como a Rodada de Negócios 2022: “Mais Equador no Mundo”, que será realizada em 13 e 14 de setembro de 2022, no Hotel Hilton Colón, em Guayaquil. O Equador e o Brasil possuem um Acordo de Facilitação de Investimentos, assinado em 2019 e que está em processo de ratificação pelas autoridades legislativas brasileiras.
É rica a gastronomia equatoriana. Quais são os pratos mais típicos? Como essa gastronomia tem contribuído para o crescimento do turismo no país?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – Há uma extraordinária riqueza gastronômica equatoriana, em parte devido à sua variedade de regiões de climas diversos, que oferecem microclimas generosamente e que em seus extremos vão desde o calor da Costa e da Amazônia até o clima temperado e frio da Cordilheira dos Andes. Assim, a gastronomia à base de peixe, marisco e banana da Costa passa para a das carnes vermelhas, arroz e batata da Serra. Nesta configuração encontramos entre outros pratos:
- Fritada – um prato típico à base de carne de porco encontrado em todos os lugares: desde o hotel mais luxuoso da capital até as “cavidades” das cidades menores e mais charmosas da serra equatoriana. Leva pedaços de carne de porco crocantes, cheios do sabor único da comida típica equatoriana, acompanhados de produtos colhidos nas terras da montanha, como llapingachos (batatas com queijo), espiga de milho, mote, banana doce frita, abacate e picles. Tradicionalmente é preparado em uma panela de bronze e cozido na lenha.
- Hornado – um dos pratos típicos mais famosos do Equador. É essencialmente semelhante à fritada. A grande diferença é que no hornado o porco é assado e a sua carne é servida desfiada, enquanto na fritada a carne é frita e cortada em cubos. Quando assado, é adicionado um tipo de molho que é ironicamente chamado de azedo, mas seu sabor é doce. E o toque perfeito é um pedaço do couro crocante. Os acompanhamentos são semelhantes à fritada.
- Ceviche de camarão – originário do litoral, mas adotado em todo o país com leves toques de sabor próprio nas regiões. É uma sopa fria com frutos do mar marinados com limão, cebola, pedaços de tomate e especiarias equatorianas. O mais pedido é o ceviche com o famoso camarão equatoriano, mas também há mariscos, peixes, caranguejos, lulas ou qualquer outro marisco, inclusive combinados em diferentes opções como o ceviche misto. Geralmente são acompanhados de chifles (fatias de banana verde fritas), pipoca e torradas ou chulpi (milho frito).
- Fanesca – um dos melhores pratos típicos do Equador, típico na Semana Santa. Contém doze grãos andinos que representam os 12 apóstolos, seu caldo é à base de leite e bacalhau. É servido quente no prato mais fundo e por cima apresenta pequenas empanadas, bolinhas ou fios de massa, banana doce frita, rodelas de ovo, talos de cebola, queijo fresco, pimentos inteiros e folhas de salsa. Este prato é normalmente seguido por puré de batata com queijo sobre uma cama de alface; e depois vem a sobremesa: pristiños com mel, figos com queijo ou arroz doce.
- Cobaia Assada (porquinhos da Índia) – um prato exótico, uma iguaria para o paladar. O assado é servido com batatas cozidas, um requintado molho de amendoim e alface.
- Encebollado – caldo costeiro cozido com peixe (atum branco), mandioca, tomate, cebola, pimenta e outros ingredientes. Geralmente é servido com pipoca, chifles (tiras finas de banana verde frita), torradas (milho torrado) ou pão.
- Peixe encocado – prato tradicional da província de Esmeraldas, na costa equatoriana. É à base de coco e peixe (embora possa conter outros mariscos) e é servido com arroz branco, patacones (fatias achatadas de banana verde frita) ou Maduro frito (banana madura frita). Este prato é geralmente preparado com corvina, mas pode ser preparado com outros tipos de peixe.
- Bolas verdes – No litoral, a banana verde é vital. Os bolones consistem em uma massa verde recheada com queijo, chicharrón (carne de porco) ou ambos. Eles podem ser assados ou fritos. O seu segredo está no verde “triturado”. O seu sabor é magnífico e acompanha-se com um bom café preto.
- Empanadas – as empanadas de vento são maravilhosas. No Equador existe uma grande variedade de empanadas, sendo talvez o marrocho e o verde o trio mais famoso. Estas massas são geralmente artesanais e podem ser recheadas com uma variedade de carnes, queijos, legumes, entre outros.
- Locro de papa – é um prato típico e clássico. A batata é um dos tubérculos mais importantes da Serra. O locro é ancestral e emblemático desta região. Esta sopa grossa é feita com uma batata chamada “papa chola”. Com esta base pode-se fazer outros tipos de pratos como acelga locro, favas, abóbora, milho… Leva abacate, queijo e malagueta (picante) por cima. A gastronomia é um cenário que atrai turistas, pois complementa a hospitalidade equatoriana, com paisagens e cenários naturais.
Com a pandemia, o turismo no mundo em geral sofreu baixas. Hoje, os turistas já voltaram a movimentar o turismo no país? Como está o setor agora?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – Há uma recuperação gradual. Em 2021, quando a pandemia começou a surgir, 198.662 turistas chegaram ao país entre janeiro e junho. Em 2022, nos primeiros seis meses do ano, chegaram 507.551. Em outras palavras, os números estão crescendo. A política oficial, o Plano de Promoção Turística gerido justamente pelo Governo, estimula a recuperação do mercado tradicional de turismo do país: Estados Unidos e Europa. Estamos recuperando a infraestrutura dos operadores de serviços hoteleiros, gastronômicos e turísticos; e promovendo mercados interessantes, como o Brasil, outros da América Latina e Ásia, aos quais todo o esforço será dedicado em 2023.
Os espaços de visitação no Equador são múltiplos e marcantes, como as paradisíacas Ilhas Galápagos, com espécies endêmicas, entre elas as tartarugas longevas que lhe deram o nome e que vivem há mais de 150 anos. Quito é a primeira cidade declarada Patrimônio da Humanidade e com o maior e mais bem preservado espaço arquitetônico colonial da América Latina. Temos a avenida dos vulcões, uma rota que permite ver picos nevados como Chimorazo, 6.310 metros de altura, e muitos outros colossos nevados, vulcões ativos como Cotopaxi, Tungurahua, Cayambe. Temos as emblemáticas populações do sul de Cuenca, berço da cultura e arquitetura colonial, e Vilcabamba, uma cidade com um clima único que permite uma população longeva.
Em 2019, antes da pandemia, 1.592.522 turistas chegaram ao Equador, nosso objetivo é recuperar e superar esse número.
Como está o empreendedorismo no Equador?
Embaixador Carlos Alberto Velástegui – No Equador, o empreendedorismo se desenvolveu de tal forma que, de acordo com vários relatórios internacionais (Global Entrepreneurship Monitor – GEM e Global Entrepreneurship Development Institute – GEDI), a propensão a empreender e a percepção do empreendedor pela sociedade estão entre as mais altas do mundo. mundo. Por outro lado, a inovação tornou-se um eixo fundamental, graças à proposta do atual governo de transformar a matriz produtiva. O país busca superar as limitações para a criação de negócios, como burocracia e leis que dificultam a formação de empresas.




