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O Encarregado de Negócios do Sudão no Brasil, Mohammed Elrashed, concedeu uma coletiva de imprensa na sede da Liga Árabe, em Brasília, para falar sobre os conflitos em seu país. Ele destacou que é preciso conscientizar a opinião pública e as autoridades brasileiras, sobre o que está acontecendo com a população sudanesa e as consequências dos embates entre forças do governo e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR).
Elrashed disse ter certeza que o Brasil certamente ajudará no que for possível para impedir que o conflito continue. Nesse sentido, destacou que o governo brasileiro não estimula conflitos armados e ”fornece alimentos ao mundo e não pólvora”, o que é um exemplo para as demais nações.
Também falou que o Sudão está se esforçando para retirar a todos os estrangeiros das zonas de conflito, destacando membros do corpo diplomático e atletas profissionais. No final de abril, os jogadores de futebol brasileiros que atuavam no Sudão conseguiram sair por via terrestre, indo para o Egito e de lá retornando ao Brasil.
O diplomata leu uma declaração onde explica que o motivo dos conflitos em andamento é que “uma facção militar se rebelou contra o processo de transição democrática, no qual o povo do Sudão edifica grandes esperanças na construção do Estado da liberdade, paz e justiça, bem como fundar um regime de governo civil submetido a vontade popular”.
Conforme o encarregado de negócios, o povo sudanês enfrenta uma série de calamidades sociais em consequência dos conflitos, incluindo falta de água e de energia, cortes na redes de comunicação e falta de combustíveis. As interrupções nos serviços bancários, que acarreta na falta de dinheiro nas mãos dos cidadãos, é um grave problema, pois em muitas regiões do país, o pagamentos ainda é majoritariamente em espécie.
O país enfrente ampla paralisação dos hospitais e centros de saúde, que acarreta na morte de pacientes. Muitos alimentos também estão em falta. A posição das Forças Armadas do Sudão foi aceitar vários pedidos de “cessar-fogo”, enquanto o governo busca alternativas para acabar com o cessar total o mais rápido possível.
Existem muitas nações preocupadas com essa situação no Sudão e diferentes reuniões já foram realizadas fora do território sudanês em busca da paz na região. A mais recente foi na Arábia Saudita, mas não há previsão para o fim dos embates.

Em todo o tempo, garante Elrashed, os acontecimentos são devidamente relatados ao Ministério da Relações Exteriores do Brasil, às Embaixadas no Brasil e aos organismos internacionais. Citando a comoção internacional em favor da Ucrânia, o encarregado de negócios pede a mesma solidariedade com o povo sudanês.
O Decano do Conselho dos Embaixadores Árabes e Embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, afirmou a necessidade de ajuda do Brasil à população do Sudão. “Conclamamos ao povo brasileiros e as organizações humanitárias que estende a mão para esse país-irmão”, disse.
O Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil, que esteve ao lado de Elrashed na coletiva, emitiu nota onde expressa “grande preocupação com os infelizes desdobramentos e acontecimentos ocorridos na República do Sudao”. Declarou ainda que “aparecia a aceitação pelas partes conflitantes de urna trégua humanitária para permitir aos cidadãos sudaneses e residentes sejam atendidos em suas necessidades básicas de alimentos e tratamento médico”.





