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Para iniciar as comemorações dos 190 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o México e o Brasil, a Embaixada do México inaugurou a exposição “Modular Ocular”, do renomado artista mexicano Cisco Jiménez. O projeto apresenta obras realizadas ao longo de 22 anos e se trata de pinturas e desenhos sobre telas dobráveis e de fácil transporte. O evento aconteceu no Espaço Cultural Alfonso Reys, na sede da Chancelaria em Brasília.

Alessandro Ramos Cardoso, Encarregado de Negócios da Embaixada do México no Brasil, disse em seu discurso que 2024 é uma data que sem dúvida deixará uma marca indescritível na história dos laços intensos e fecundos que unem o México e o Brasil. “Hoje, comemoramos a feliz circunstância que em 1834 nos levou a estabelecer oficialmente relações diplomáticas bilaterais, quando Duarte da Ponte Ribeiro apresentou as suas Cartas Credenciais como o primeiro Encarregado de Negócios do Brasil no México. Os primeiros contatos, porém, datam de 1822, no início das nossas vidas como nações independentes”, disse.

Explicou que em 1922, ou seja, há um pouco mais de 100 anos, o Ministro mexicano de Educação Pública da época, “José Vasconcelos entregou o primeiro presente a uma nação do nosso continente, a estátua do Cuauhtémoc, para comemorar o centenário da Independência do Brasil. O Imperador asteca ainda hoje está erguido na praça Cuauhtémoc no Rio de Janeiro”.

Outra estátua, a do antigo Deus asteca Xochipilli também chegou até o Jardim Botânico da cidade maravilhosa, pelas mãos do destacado escritor e diplomata mexicano, Alfonso Reyes, em cuja honra foi criado o Espaço Cultural que hoje leva o seu nome e que estamos prestes a visitar. Reyes foi Embaixador do México no Rio, entre 1930 e 1936.
O Encarregado de Negócios lembrou que em dezembro do ano passado, em 2023, foi lançado o Dual, uma iniciativa que inclui um conjunto de atividades nos dois países no campo da cooperação cultural. “O Ano Dual promove ainda uma maior aproximação e sinergia entre os dois países, desencadeando uma harmonia social para os nossos povos, gerando uma força de integração na região latino-americana da qual fazemos parte”, prosseguiu o diplomata.

Finalizou afirmando que 190 anos após o estabelecimento das relações diplomáticas, o México e o Brasil se identificam como dois países fortes e aliados com interesse mútuo em fortalecer ainda mais os profundos laços políticos, econômicos, socioculturais e de amizade duradoura que dão vida a esta relação entre as nações amigas. “Que nossas vontades continuem se encontrando para que possamos continuar sonhando e construindo um futuro ainda mais promissor para esta indispensável relação bilateral”.

O Diretor do Instituto Guimarães Rosa, Ministro Marco Antonio Nakata, ao proferir seu discurso, destacou que o Ano Dual Brasil-México simboliza não apenas quase dois séculos de interações diplomáticas, mas também a rica troca cultural que tem florescido entre nossas nações. “O desenvolvimento deste projeto, tão importante de nossas diplomacias culturais, tem intensificado essas trocas, promovendo eventos, exposições e iniciativas conjuntas que destacam o melhor de nossas culturas”, acrescentou.

Disse também que o Brasil contará com um pavilhão próprio na tradicional Feira Internacional de Guadalajara, maior evento literário e editorial da América Latina, onde o violonista Yamandu Costa se apresentará, na capital mexicana, no próximo dia 13 de junho, no Centro Nacional das Artes, e realizará um concerto, em 16 de junho, com a Orquestra Juvenil da Universidade Nacional Autônoma do México, no recinto musical mais prestigiado desta cidade, a Sala de Sahau Coyota.

Nakata ressaltou ainda que “a unidade do Instituto Guimarães Rosa no México tem tido atuação vigorosa em termos de programação cultural e de ampliação do número de alunos de língua portuguesa, e realizará uma exposição na segunda edição do Circuito de Arte Contemporânea na América Latina, reunindo trabalhos de artistas de ambos os países”.

Aproveitou a oportunidade para lembrar da participação do Brasil como país homenageado no Festival Cervantino, o mais importante evento cultural do México. A participação brasileira será multidisciplinar, contando com música, dança, performance, artes cênicas e artes visuais, entre outras linguagens artísticas, que acontecerá em outubro deste ano.

Concluindo sua fala, o Ministro ressaltou que o Ano Dual Brasil-México é uma oportunidade para reforçar os laços diplomáticos entre o Brasil e o México e olhar para o futuro com uma visão compartilhada de progresso e prosperidade.

Por sua vez, o artista Cisco Jiménez explicou que a exposição cabe em uma caixa de 90 centímetros, e que o título da mostra “Ocular Modular” se refere “à capacidade humana de olhar e compreender o mundo e poder criar módulos intercambiáveis que possam gerar ideias e pensamentos sempre numerosos e com a possibilidade de se transformar constantemente”.

Segundo Jiménez, o mundo, em sua constante mudança, não permite alusão a conceitos absolutos uma vez que tudo parte de um ponto de vista diferente do outro. “As ideias viajam e as imagens podem se dobrar ou enrolar, se reproduzir ou se intercambiar”.

Ele contou que parte da exposição é integrada por bordados sobre tela, realizados em colaboração com Hortência Donites, oriunda de um povo originário do estado de Guerreiro, que se chama Palos Altos, e de Ana Domingues, esta, proveniente de uma tribo indígena, que se chama Puentepec, no estado de Morelos. “Estas mulheres artesãs se atreveram a ir mais além da criação habitual que fizeram por gerações, criando uma fusão de arte contemporânea e as artes populares, como o bordado doméstico”, concluiu.

Ao final dos discursos, os convidados desfrutaram de deliciosos pratos e bebidas típicas mexicanas, e uma exposição de documentos alusivos ao estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países.

Quem é Cisco Jiménez
Cisco Jiménez (1969) é um artista mexicano. Estudou no Instituto Regional de Bellas Artes e na Universidade Autónoma Metropolitana antes de estudar com Bruce Dorfman e Jose Manuel Springer. Jiménez foi também um dos primeiros Artspace International Artist-in-Residence no inverno de 1995.

O artista expõe as preocupações do ambiente político e social no México, e suas obras marcadas por cores vibrantes, detalhes de grande riqueza e o recurso frequente ao texto criam um voz satírica que exige a nossa atenção.

A obra de Cisco Jiménez foi amplamente exposta Suas obras já foram expostas no Museu de Arte Contemporânea de Oaxaca, México; no Museu de Arte Moderno, Mexico; Museu de Arte Contemporânea de Guayaquil, Equador. A sua obra está presente também em coleções permanentes tais como a Coleção de Isabel e Augustin Coppel, México; Museum of Latin American Art (MOLAA), Long Beach, CA; e no USC Fisher Museum of Art, Los Angeles, CA, entre outras.

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