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O youtuber Bruno Aiub, conhecido como Monark, defendeu no podcast Flow, que foi ao ar na segunda-feira (7), a possibilidade da existência de um partido nazista no Brasil. Ele debatia sobre o que é liberdade de expressão com os deputados federais por São Paulo Kim Kataguiri e Tabata Amaral.
As palavras do apresentador foram: “acho que tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei (…) dentro da [liberdade de] expressão a gente que liberar tudo. Se o cara quiser ser um anti-judeu eu acho que ele tinha o direito de ser”. Na sequência, Kataguiri foi questionado e disse acreditar que a Alemanha errou ao criminalizar o nazismo.
Com a grande repercussão da afirmação, que viola a Lei 7.716, de 1989, a qual prevê que apologia ao nazismo é crime, o programa perdeu patrocinadores. Monark publicou um vídeo pedindo desculpas pelo comentário, mas mesmo assim foi demitido do programa.
O assunto acabou sendo bastante repercutido ao longo desta terça-feira (8) e gerou manifestações de diferentes personalidades e grupos de defesa dos direitos humanos.
Mesmo sem mencionar diretamente o caso, a Embaixada de Israel publicou uma nota de repúdio. “Apoio ao nazismo não é liberdade de expressão. O nazismo é uma ideologia que trabalhou para destruir povos. A embaixada israelense condena a legitimação dessa ideologia, mesmo em um debate verbal. O nazismo resultou no assassinato de milhões, incluindo 6 milhões de judeus”, diz o texto publicado nas redes sociais.
Apoio ao nazismo não é liberdade de expressão. O nazismo é uma ideologia que trabalhou para destruir povos.
A embaixada israelense condena a legitimação dessa ideologia, mesmo em um debate verbal. O nazismo resultou no assassinato de milhões, incluindo 6 milhões de judeus. pic.twitter.com/SRXnsmwnbH— Israel no Brasil (@IsraelinBrazil) February 9, 2022
A embaixada da Alemanha no Brasil também se manifestou sobre o assunto nas redes sociais. Em nota, rebateu a afirmação do programa com um “Não”, para em seguida assegurar que “defender o nazismo não é liberdade de expressão” e “quem defende o nazismo desrespeita a memória das vítimas e dos sobreviventes desse regime e ignora os horrores causados por ele”. A publicação foi repetida no perfil pessoal do embaixador Heiko Thoms.
— AlemanhanoBrasil (@Alemanha_BR) February 8, 2022
Ministério Público investigará
O caso repercutiu também junto ao Ministério Público de São Paulo, que abriu um inquérito civil envolvendo Monark, e o Kim Kataguiri.
No ofício, os promotores Anna Trotta Yaryd e Reynaldo Mapelli Júnior consideram o conteúdo da fala inquestionavelmente “nazista e antissemita” e rechaçam a liberdade de expressão que permitiria a ideia. O processo investigará se houve crimes de apologia ao nazismo, incitação à violência, injúria racial e intolerância religiosa.
Os promotores também oficiaram a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), a Embaixada de Israel no Brasil, o Consulado de Israel em São Paulo e outras entidades israelitas sobre o inquérito civil.


