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Um conjunto de medidas garante que praticamente 100% dos resíduos orgânicos sejam destinados à composteira do complexo da embaixada da Itália em Brasília. O produto final é usado como fertilizante, dentro da embaixada. Os resíduos recicláveis e eletrônicos são doados a algumas cooperativas parceiras que, dessa forma, têm a oportunidade de gerar empregos e renda através da venda do material.
As informações são do embaixador da Itália no Brasil, Francesco Azarello. Segundo ele, a embaixada também aboliu o uso de copos plásticos, passando a ser “single-use plastic free”. Com a iniciativa, deixou de comprar 28 mil copos descartáveis por ano. Para o público, a embaixada fornece copos compostáveis que, após o uso, são encaminhados para a composteira. “Localizada no meio da capital federal, a sede diplomática, que ocupa uma área de 25 mil metros quadrados, destina hoje menos de dois quilos de resíduos por dia para o aterro sanitário. Antes do projeto, esse número chegava a 125 quilos”, comenta o embaixador.
Em março, a embaixada da Itália organizou a primeira “Semana Embaixada Verde”, um evento para o qual convidou especialistas italianos de fama internacional no assunto de gestão de resíduos. Segundo o embaixador Francesco Azarello, foi uma iniciativa de quatro dias que, junto com os parceiros brasileiros, reuniu palestras, depoimentos, mesas redondas e oficinas, que tiveram como objetivo estudar e disseminar conhecimentos e experiências de sucesso. Na ocasião, a embaixada lançou também novos projetos como o “Educação Lixo Zero” que consiste em visitas mensais às iniciativas sustentáveis realizadas na sede, direcionadas a estudantes de escolas públicas e privadas do DF. “Acreditamos que a educação ambiental seja fundamental para as crianças e os adolescentes que representam o futuro desse planeta”, afirma o embaixador, que fala com exclusividade para o Diplomacia Business. Veja a entrevista completa:
Diplomacia Business – A Data Nacional da Itália é lembrada dia 2 de junho. Fale-nos, por gentileza, sobre essa data?
Embaixador da Itália, Francesco Azarello – O dia 2 de junho representa um passo fundamental na história italiana. De fato, comemora-se a data em que o povo italiano decidiu democraticamente adaptar sua forma de governo, optando pela República após mais de 80 anos de monarquia. Começava uma história de democracia, após a tragédia da guerra. Não foi um começo fácil. A Itália estava dividida, mas foi precisamente a escolha republicana que permitiu enraizar, no profundo sentimento do povo, as razões para uma unidade e coesão mais fortes, favorecendo a manifestação de novas energias, de novos protagonistas na vida pública, aquelas mulheres, homens e jovens que estiveram no centro da nossa história, querendo estar lá e contar. A Constituição mostrou à República o caminho a seguir. Esta é a ideia fundadora da República, de uma Constituição viva, que se materializa todos os dias nos comportamentos, nas escolhas, na assunção de responsabilidades dos seus cidadãos, a todos os níveis e em qualquer função.
A sede da embaixada da Itália tem projetos como sistemas fotovoltaicos e de fitodepuração, de reciclagem de resíduos e de reciclagem de bitucas de cigarro. Quando começou e como está essa política de Lixo Zero na embaixada?
Embaixador Francesco Azarello – Em 2010, a embaixada da Itália foi reconhecida como “Verde”, por adotar diversas medidas em prol da diminuição do seu impacto ambiental, como o reaproveitamento de água com o sistema de fitodepuração, a produção de energia com a instalação do sistema fotovoltaico e a troca de maquinários e equipamentos antigos com desempenho energético insatisfatório. Desde então, a embaixada continuou sua caminhada sustentável, até receber em abril de 2021 também a Certificação Lixo Zero.
A nossa foi a primeira missão diplomática no mundo a receber a certificação “Lixo Zero” do Instituto Lixo Zero Brasil. Um conjunto de medidas garante que praticamente 100% dos resíduos orgânicos sejam destinados à composteira do complexo. O produto final é usado como fertilizante, dentro da embaixada. Os resíduos recicláveis e eletrônicos são doados a algumas cooperativas parceiras que, dessa forma, têm a oportunidade de gerar empregos e renda através da venda do material.
A embaixada também aboliu o uso de copos plásticos, passando a ser “single-use plastic free”. Com a iniciativa, deixou de comprar 28 mil copos descartáveis por ano. Para o público, a embaixada fornece copos compostáveis que, após o uso, são encaminhados para a composteira. Localizada no meio da capital federal, a sede diplomática, que ocupa uma área de 25 mil metros quadrados, destina hoje menos de dois quilos de resíduos por dia para o aterro sanitário. Antes do projeto, esse número chegava a 125 quilos.
No final do mês de março, esta embaixada organizou a primeira “Semana Embaixada Verde”, um evento para o qual convidou especialistas italianos de fama internacional no assunto de gestão de resíduos. Foi uma iniciativa de quatro dias que, junto com nossos parceiros brasileiros, reuniu palestras, depoimentos, mesas redondas e oficinas, que tiveram como objetivo estudar e disseminar conhecimentos e experiências de sucesso. Pela ocasião, a embaixada lançou também novos projetos como o “Educação Lixo Zero” que consiste em visitas mensais às iniciativas sustentáveis realizadas na sede, direcionadas a estudantes de escolas públicas e privadas do DF. Acreditamos que a educação ambiental seja fundamental para as crianças e os adolescentes que representam o futuro desse planeta.
A Universidade de Marília (Unimar) em São Paulo lançou o concurso cultural “Nostra Itália: A Itália presente no Brasil”, com o objetivo de homenagear a comunidade italiana pelos 148 anos da imigração no país, com fotografias que retratam contribuições da comunidade para a formação do Brasil. Como o sr. vê essa iniciativa?
Embaixador Francesco Azarello – Esta é uma iniciativa louvável que segue as inúmeras outras iniciativas que toda a rede diplomático-consular italiana no Brasil tem realizado, ao longo dos anos, para homenagear a memória das comunidades de descendentes de italianos presentes no país. Ela responde não apenas ao desejo de homenagear aqueles que decidiram deixar para trás sua amada pátria em busca de novas oportunidades e uma prosperidade finalmente alcançada no novo mundo. Mas também para estreitar nossos laços com a multidão de descendentes, agora estimada em 32 milhões de pessoas, que hoje fazem parte da sociedade brasileira, ajudando a construir o sucesso deste magnífico país.
O Brasil continua sendo um mercado potencial para as empresas italianas crescerem. Como estão as articulações nesse sentido com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)?
Embaixador Francesco Azarello – Mais que um mercado potencial, o Brasil é um mercado real para as empresas italianas. É o terceiro principal destino das exportações italianas nas Américas (segundo em algumas categorias de produtos), atrás apenas de Estados Unidos e Canadá, sendo que o montante exportado para o Canada (USD 5,7 bilhões) em 2021 não se distancia muito do montante em mercadorias enviadas para o Brasil no mesmo ano (USD 5,4 bilhões). E isso ocorre por conta do relevante setor produtivo brasileiro, líder mundial em diversos segmentos e, como diz o hino nacional do país, grande pela própria natureza.
O Brasil figura entre os maiores produtores mundiais de importantes commodities para o ciclo produtivo italiano, o que o torna um parceiro ainda mais importante para a Itália, especialmente neste momento de conflito bélico no leste europeu que limita a capacidade dos países envolvidos em desempenhar suas funções no mercado mundial.
Por fim, há de se recordar que as ligações entre Brasil e Itália são históricas e bem anteriores à existência de ambos países como repúblicas. Basta lembrar que a esposa do segundo imperador brasileiro, Dona Teresa Cristina, era napolitana e sua vinda para cá exerceu grande influência nas artes, na cultura e, de certo modo, na economia do país. Sucessivamente, com os ciclos migratórios do final do século XIX e início do século XX, essa influência cresceu, com a vinda de mão-de-obra que ajudou a crescer a indústria cafeeira, cujos recursos deram origem a um florescente setor industrial, que também teve importantes atores vindos da Itália. E essa presença italiana não para de crescer com a vinda de importantes grupos industriais italianos para o país, que de maneira geral vêem neste país uma terra de grandes oportunidades.
No tocante à FIESP, é sempre muito colaborativa, particularmente na organização de eventos por ocasião da vinda de autoridades e delegações italianas, oferecendo sua estrutura e sua rede de contatos em prol do sucesso desses encontros.
A Itália sofreu muito com a pandemia da Covid-19 e também com os consequentes prejuízos com o turismo. As questões da pandemia já foram superadas? O turismo já retomou com força na Itália?
Embaixador Francesco Azarello – Felizmente, deixamos para trás a fase mais difícil da pandemia. As medidas rigorosas adotadas pelo governo italiano e a ampla difusão da campanha de vacinação permitiram garantir um recomeço seguro e eficiente que garantiu a necessária retomada das atividades produtivas e sociais. Entre elas está o turismo, que com o fim das restrições de viagens, espero que se beneficie de um fluxo cada vez maior de viajantes do Brasil. Os brasileiros são sempre bem-vindos para admirar e vivenciar as belezas do nosso país. Também deve ser enfatizado que é nosso dever não baixar muito a guarda, mas estou confiante de que o pior já passou.
Quais são as atividades culturais da embaixada da Itália previstas para este ano em Brasília?
Embaixador Francesco Azarello – A Embaixada da Itália em Brasília abriu a programação cultural de 2022 com dois grandes eventos. Entre março e abril, recebemos a exposição inédita de gravuras de Candido Portinari (gratuita e aberta ao público) e a Primeira Edição da “Semana Embaixada Verde”, dedicada à sustentabilidade ambiental e o pioneirismo que a nossa Sede desempenha.
Continuaremos com um calendário repleto de eventos, em vários setores, mas me deixem guardar a surpresa até os lançamentos! Arte, cinema, sustentabilidade ambiental, música, história, arquitetura, fotografia… Com a reabertura após os longos meses da pandemia, tentamos desenvolver uma oferta rica e de qualidade para o público de Brasília e do Brasil, baseada na excelência de diversos setores da cultura italiana.
Como o sr. analisa a guerra entre Rússia e Ucrânia?
Embaixador Francesco Azarello – O governo italiano, tanto nacionalmente, na União Européia, quanto no contexto da Aliança Atlântica, uma aliança defensiva se expressou e continua a se expressar com a mais rigorosa firmeza ao condenar a guerra completamente injustificada e injustificável que a Rússia trouxe para a Ucrânia. Todos esperamos que a razoabilidade e a paz possam prevalecer quanto antes.




