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Em uma noite marcada por emoção, simbolismo e laços profundos de amizade, a Embaixada da França no Brasil promoveu, nesta segunda-feira (14), uma celebração memorável pelo Dia Nacional da França. Neste ano, a data ganhou contornos ainda mais especiais: a comemoração dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França.

A cerimônia, realizada na Residência Oficial da embaixada, teve início com a execução dos hinos nacionais dos dois países pela Orquestra Franco-Brasileira de Jovens Talentos, composta por músicos brasileiros e franceses. Sob a regência do maestro Claude Brandella e com interpretação vocal da soprano Aida Kellen, o momento musical simbolizou a harmonia entre as duas nações.

Em discurso emocionado, o embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, destacou a profundidade da parceria franco-brasileira, evocando não apenas os intercâmbios diplomáticos, mas também os valores e projetos comuns.
— Essa amizade, como o próprio Brasil, apoia-se na convicção de um destino comum, de uma comunhão de valores e de projetos compartilhados — afirmou.

O embaixador fez referência ao “bromance” entre os presidentes Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva, expressão que ilustra o entrosamento e o alinhamento político entre os líderes. A visita de Estado do presidente Lula à França, em junho, e o retorno de Macron ao Brasil para a COP30, em novembro, foram apontados como marcos de um relacionamento vigoroso e em expansão.

Cooperação estratégica e sustentável
Lenain também ressaltou os avanços na cooperação ambiental e regional, especialmente na Amazônia, cuja preservação tem contado com apoio direto da França. Ele mencionou iniciativas como o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica, o treinamento de brigadas florestais e as ações de combate ao garimpo ilegal na fronteira com a Guiana Francesa.

No campo econômico, os dados são expressivos: mais de 1.300 empresas francesas operam no Brasil, gerando aproximadamente 550 mil empregos diretos. Já na área educacional, o intercâmbio acadêmico entre os países continua a crescer, com mais de 5 mil estudantes brasileiros atualmente na França e a meta de alcançar 8 mil nos próximos anos.

Em comemoração ao bicentenário das relações bilaterais, foi lançada a Temporada França-Brasil, que contará com mais de 300 eventos culturais, acadêmicos e científicos em todo o país. As atividades estão organizadas em torno de três eixos: transição ecológica, diálogo com a África e promoção da democracia em uma globalização mais justa.

Com leveza, o embaixador encerrou seu discurso com bom humor: — Esperamos que, nesta noite, possamos enfim resolver a disputa histórica entre o pão de queijo e o croissant.

Democracia e direitos fundamentais como pilares comuns
Presente à cerimônia, o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski, também discursou. Ele exaltou o simbolismo do 14 de Julho e sua relevância para democracias contemporâneas. — Celebrar o Dia da Bastilha é celebrar um marco da história universal na luta pela liberdade e soberania popular. É uma data que inspira democracias como a brasileira — afirmou.

Lewandowski destacou a influência do Iluminismo francês na formação do Estado brasileiro e a atual convergência de valores entre Paris e Brasília diante de desafios globais, como a desinformação digital, os ataques à democracia e o avanço dos discursos de ódio. — Somente por meio da democracia — e em respeito absoluto a seus cânones — seremos capazes de superá-los — concluiu.

COP30 e o compromisso climático
O presidente da COP30 e diplomata André Corrêa do Lago também participou da celebração. Em sua fala, destacou o papel estratégico da parceria franco-brasileira na governança climática internacional. — A COP30 não será apenas mais uma conferência. Ela coincidirá com os 10 anos do Acordo de Paris e simbolizará nossa responsabilidade compartilhada diante da crise climática — declarou.

Corrêa do Lago também mencionou a presença marcante do presidente Lula na Conferência dos Oceanos, em Nice, e confirmou a participação de Macron na COP30, que será realizada em Belém — a “Paris dos Trópicos”, como brincou o embaixador Lenain.

Em tom emocionado, Corrêa do Lago homenageou o fotógrafo franco-brasileiro Sebastião Salgado, recentemente falecido. Sua obra foi lembrada como um símbolo visual da união entre os dois países e do compromisso com a preservação da Amazônia.

Noite de confraternização e cultura
Após os discursos, os convidados participaram de um quiz interativo sobre as relações franco-brasileiras. O vencedor — aquele que respondeu corretamente ao maior número de perguntas no menor tempo — foi premiado com uma passagem para Paris oferecida pela Air France.

A noite seguiu com um bufê de excelência francesa e apresentação musical, encerrando com um clima de celebração e confraternização. O evento foi, ao mesmo tempo, um tributo à história, um reforço aos valores democráticos e uma projeção conjunta para o futuro.

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