Getting your Trinity Audio player ready...

Em clima de confraternização e simbolismo histórico, a Embaixada da República Árabe do Egito promoveu, na noite da última quarta-feira (23), uma recepção oficial na Villa Rizza, em Brasília, para celebrar os 73 anos da Revolução Egípcia de 1952. O evento também marcou os 101 anos de relações diplomáticas entre Egito e Brasil, evidenciando a solidez e o dinamismo da parceria bilateral.

A cerimônia reuniu autoridades brasileiras, representantes do corpo diplomático, parlamentares, membros da comunidade egípcia e amigos do país. Os destaques da noite foram os discursos da embaixadora do Egito, Mai Taha Khalil, e do embaixador Antônio Augusto Martins César, diretor do Departamento de África e Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

Relações históricas e olhar voltado para o futuro
Ao abrir os pronunciamentos, a embaixadora Mai Taha Khalil rememorou a Revolução de 1952, que pôs fim à monarquia e deu início à república egípcia. Ela destacou o avanço contínuo da relação com o Brasil e os marcos recentes da cooperação bilateral.

“Celebrar 101 anos de relações diplomáticas é também celebrar um vínculo construído sobre admiração mútua, respeito e aspirações comuns de paz e prosperidade. O Egito vê no Brasil não apenas um parceiro político e econômico, mas um país-irmão, com o qual compartilha valores profundos e uma visão comum de futuro”, afirmou a embaixadora.

Ela também ressaltou a importância da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Egito, em 2024, classificando o encontro como um divisor de águas. Segundo Khalil, a agenda bilateral foi revitalizada, com avanços nas áreas de comércio, inovação, defesa e investimentos.

Cultura, educação e solidariedade
A embaixadora destacou ainda a cooperação cultural como elemento essencial na aproximação entre os povos. Agradeceu o apoio brasileiro à candidatura egípcia à direção da UNESCO e reforçou o papel da cultura como ponte entre as nações.

Amizade em movimento
Encerrando sua fala, a embaixadora Khalil reiterou o compromisso do Egito com o aprofundamento da relação bilateral. “Nosso futuro conjunto está enraizado em valores compartilhados e na determinação de promover uma ordem internacional mais inclusiva, justa e sustentável”, concluiu.

Cooperação estratégica em expansão
Em seu discurso, o embaixador Antônio Augusto Martins César reforçou o papel do Egito como parceiro estratégico do Brasil na África e no cenário global. Destacou a assinatura da parceria estratégica entre os dois países, firmada durante a presidência brasileira do G20, com a presença do presidente Abdel Fattah Al-Sisi.

“Estamos atualmente elaborando um plano de ação que dará concretude à nossa parceria estratégica. Esta é uma relação em expansão, e nosso objetivo é ampliar a agenda bilateral, incorporando temas como inteligência artificial, bioenergia, ciência e tecnologia”, disse o diplomata.

Em 2024, o comércio bilateral alcançou um volume recorde de quase US$ 5 bilhões, consolidando o Egito como o maior parceiro comercial do Brasil no continente africano. Para os próximos meses, está previsto o lançamento de um voo direto entre Cairo e São Paulo, operado pela EgyptAir, o que deve impulsionar o turismo, a cultura e os negócios entre os dois países.

O embaixador Martins Césa lembrou também a atuação conjunta dos dois países em iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, liderada pelo Brasil. “Brasil e Egito compartilham experiências, enfrentam desafios semelhantes e acreditam no poder da solidariedade como motor de transformação. Nosso diálogo é baseado em confiança e respeito mútuos, e continuará a gerar frutos concretos para nossas sociedades”, afirmou.

Compromissos globais e defesa da paz
Brasil e Egito também vêm estreitando a cooperação em fóruns multilaterais, como BRICS, G20 e Nações Unidas. A participação egípcia na Cúpula do G20, no Rio de Janeiro, e a expectativa de presença ativa na COP30, em Belém, refletem o alinhamento crescente em pautas globais como mudanças climáticas, justiça social e inclusão econômica.

Ambos os representantes diplomáticos manifestaram solidariedade ao povo palestino diante da crise humanitária em Gaza. A embaixadora Khalil reiterou o papel do Egito nos esforços de mediação e defendeu um cessar-fogo imediato. O embaixador brasileiro elogiou a proposta egípcia, apoiada pela Liga Árabe, para a reconstrução da Faixa de Gaza.

A noite, marcada por discursos inspiradores e gestos de cordialidade, reafirmou que a amizade entre Egito e Brasil atravessa gerações, renova-se com os desafios do presente e projeta-se como uma parceria estratégica repleta de possibilidades para o futuro.

*A REPRODUÇÃO É GRATUITA DESDE QUE CITADA A FONTE.

Compartilhar.
Translate »