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O crescimento econômico mundial deve cair para 2,6% em 2025, após marcar 2,9% em 2024, segundo o novo relatório Trade and Development Report 2025: On the Brink, da UN Trade and Development (UNCTAD). A organização alerta que a desaceleração ocorre em meio à volatilidade financeira, incertezas geopolíticas e maior dependência do sistema financeiro global.
A secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan, destacou que o comércio internacional está cada vez mais condicionado por fatores financeiros: “Trade is also a chain of credit lines, payment systems, currency markets and capital flows.”
O comércio mundial registrou alta de cerca de 4% no início de 2025, impulsionado por importações antecipadas devido a mudanças tarifárias e pela expansão dos serviços, estimulada pela economia digital e pela inteligência artificial. Ainda assim, o crescimento estrutural do comércio deve ficar entre 2,5% e 3%, com tendência de desaceleração.
Mais de 90% do comércio global depende de financiamento bancário, e oscilações em taxas de juros ou liquidez em grandes centros financeiros têm impacto direto sobre fluxos comerciais, especialmente nos países em desenvolvimento.
Setores essenciais, como o de alimentos, tornaram-se altamente financeirizados. Em grandes tradings agrícolas, mais de 75% da receita já vem de operações financeiras, não do transporte de mercadorias.
Economias em desenvolvimento devem crescer 4,3% em 2025 — acima das avançadas —, mas enfrentam juros elevados, volatilidade de capitais e custos acrescidos por vulnerabilidade climática. Países mais expostos a eventos extremos pagam US$ 20 bilhões adicionais por ano em juros, acumulando uma perda de US$ 212 bilhões desde 2006.
Embora representem mais de 40% do PIB mundial e quase metade do comércio global, esses países continuam sub-representados nos mercados financeiros: excluindo a China, detêm apenas 12% do valor global das bolsas e 6% das emissões de títulos.
O dólar ampliou sua participação nos pagamentos internacionais via SWIFT de 39% para cerca de 50% em cinco anos. A moeda domina ainda o mercado de câmbio (89%), os derivativos (56%), os ativos globais (50%) e os títulos internacionais (40%). Esse predomínio traz estabilidade, mas também aprofunda a dependência dos países em desenvolvimento aos ciclos financeiros dos EUA.
Para restaurar previsibilidade e fortalecer o desenvolvimento, o relatório recomenda:
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Resolver o impasse no sistema de disputas da OMC e atualizar regras de comércio para a economia digital e climática.
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Reduzir lacunas de dados em comércio e investimentos.
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Reformar o sistema monetário internacional para limitar choques de câmbio e fluxos de capitais.
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Ampliar mercados de capitais regionais e acesso ao financiamento comercial.
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Adotar ferramentas macroprudenciais e aumentar a transparência no comércio de commodities.
Grynspan defendeu uma abordagem integrada: “Não é possível compreender o comércio isolado do sistema financeiro. A resiliência exige políticas coordenadas que conectem trade, finanças e sustentabilidade.”
*Com informações da UNCTAD.




