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Equipes do consulado tem especialistas em energia e defesa. Ajudam empresas a cresceram, a criarem empregos e a reduzirem custos.

São várias atividades realizadas pelo Consulado do Reino Unido no Rio de Janeiro. “Na marinha, temos mais de 200 anos de tradição. Temos orgulho de ter conexões bastante profundas aqui com a indústria naval e as forças armadas”, explica o cônsul britânico Anjoum Noorani, em entrevista exclusiva ao Diplomacia Business.

Segundo ele, no consulado há duas equipes especializadas, uma em energia e outra na defesa, especialmente na marinha. Há especialistas para ajudar as empresas a crescerem, a criarem empregos e a reduzirem os custos e a emissão de carbono. Afirma que o Rio e o Reino Unido se conectam pelo futebol, esportes, música, “têm esse espírito criativo”. Veja a entrevista completa:

Diplomacia Business – Desde quando existe o Consulado Geral Britânico no Rio de Janeiro e desde quando o sr. está à frente da instituição?

Cônsul do Reino Unido, Anjoum Noorani – Faz tempo que estamos aqui. Com a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília, a nossa embaixada foi para lá. Ela funcionava no Palácio da Cidade, no centro do Rio, onde hoje fica o prefeito municipal. Assumi o cargo em janeiro deste ano. Antes, eu estava na Argentina e antes fiquei cinco anos no México, onde comecei minha carreira diplomática em 2002.

Quantos cidadãos do Reino Unido vivem hoje no Brasil e que tipo de demanda desses cidadãos mais chegam ao Consulado?

Cônsul Anjoum Noorani – São mais ou menos 6 mil pessoas. Podem ser mais ou menos pessoas, pois, ao contrário de outros países, o Reino Unido não exige que os nossos cidadãos estejam registrados no consulado. Ajudamos os britânicos, caso necessitem, especialmente com trâmites de saúde mental, passaportes de emergência, hospitalizações, etc. Também, ao contrário de outros países, não fazemos passaportes normais no consulado. Fazemos esse trabalho de forma eventual, os passaportes de emergência, um desafio importante durante os últimos dois anos.

O consulado trabalha particularmente nas áreas de energia e marinha. Como tem sido esse trabalho?

Cônsul Anjoum Noorani – Esse trabalho é bastante importante porque qualquer cônsul precisa ajudar nesse processo de aumentar o comércio entre países. Eu tenho o prazer de ter no consulado duas equipes especializadas, uma em energia e outra na defesa, especialmente na marinha. As duas áreas têm muito a haver com o Brasil e o Reino Unido. A gente tem oportunidades imensas, especialmente na energia eólica aqui e no Nordeste do Brasil.

As equipes aqui são especializadas em ajudar as empresas a crescerem, a criarem empregos e a reduzirem os custos e a emissão de carbono. Na marinha, temos mais de 200 anos de tradição. Ajudamos a família imperial a fugir de Napoleão, em Portugal, para chegar ao Brasil e aqui criar a base do país. Temos orgulho de ter conexões bastante profundas aqui com a indústria naval e as forças armadas. Aqui, como cônsul, tenho o trabalho de aprofundar as relações dos dois países nessas áreas.

Outra frente de trabalho é prestar assistência em casos como rapto de crianças, pessoas desaparecidas e sequestros, além de apoiar vítimas de abuso, agressões graves ou de qualquer tipo de crime. O sr. poderia nos detalhar esse trabalho?

Cônsul Anjoum Noorani – Claro. Temos uma grande preocupação com esses casos, porque são pessoas totalmente vulneráveis e que implica de vez em quando crianças também. A gente tem um time, o time do consulado trabalhando dia-a-dia para garantir que a Convenção de Haia seja aplicada nesses casos. A ideia é ajudar os britânicos a entender quais são as regras, quais são as suas responsabilidades e os seus direitos. Para colocar em prática essas regras do acordo de Haia. Não temos advogados, mas podemos ajudar os britânicos. Trabalhamos com as autoridades locais para verificarmos o bem-estar mental e físico dos britânicos. Temos responsabilidades de qualquer serviço diplomático. Por exemplo, ajudamos pessoas a entrarem em contato com suas famílias ou com advogados. São coisas sensíveis: a segurança e o bem-estar.

O Reino Unido é um dos parceiros históricos do Brasil, com uma longa tradição comercial. Como está hoje essa relação?

Cônsul Anjoum Noorani – Temos uma relação excelente. Somos dois países que têm interesse nessa temática do comércio e segurança. Temos parcerias em todas as áreas, mas, mais profundamente, o Brasil e o Reino Unido têm em comum mais valores do que interesses. Os brasileiros têm esses valores como a justiça, o respeito a liberdade, as tradições e a democracia, e também esse sentido de querer ser um país contemporâneo e moderno. A democracia é a melhor forma de governo.

Porque o Rio de Janeiro é estratégico para o Reino Unido?

Cônsul Anjoum Noorani – Eu diria três coisas, uma é que o Rio é a janela, talvez a mais importante do Brasil para o mundo, porque tem bastante britânicos, milhares e milhares de pessoas aqui. Para mim, significa que é um campo excelente para trabalhar juntos e fazer cooperação. A segunda coisa: o Rio e o Reino Unido se conectam pelo futebol, esportes, música, têm esse espírito criativo. A terceira coisa é a que gente tem de ajudar na questão das mudanças climáticas, melhorar a segurança global e fazer mais comércio para criar mais empregos e melhorar o bem-estar das pessoas. O Rio oferece oportunidades para fazer bastante coisas.  Nesses próximos anos, eu quero procurar oportunidades, evitar riscos e aprofundar as relações entre o Reino Unido e o Brasil, mais especificamente o Rio, essa cidade maravilhosa.

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