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A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (12), as indicações de três diplomatas para chefiar embaixadas do Brasil no exterior. Os nomes de Luís Ivaldo Villafañe Gomes Santos (Togo), Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto (Grécia) e Eduardo Botelho Barbosa (Síria) seguem agora para deliberação do Plenário.
Por unanimidade (13 votos a favor), a CRE aprovou a indicação do diplomata Luís Ivaldo Villafañe Gomes Santos para atuar em Lomé. O relatório do senador Hamilton Mourão (Republicanos–RS) destacou a ampla experiência do indicado no continente africano, com passagens pelas embaixadas do Brasil na Etiópia, Angola e Benim. Durante a sabatina, Villafañe afirmou que pretende fortalecer parcerias nas áreas de educação científica e energia sustentável, campos em que o Togo busca reduzir sua dependência externa.
“O fortalecimento dos laços não deve ser visto como agenda periférica, mas como uma agenda de inserção internacional mais justa e solidária”, disse o diplomata. Embaixador no Iraque desde 2020 e ministro de segunda classe do Itamaraty, Villafañe é economista formado pela Universidade de Londres e tem trajetória voltada à paz e segurança na África. Em 2024, as trocas comerciais entre Brasil e Togo atingiram o recorde de US$ 446,2 milhões, alta de 132,8% em relação ao ano anterior. O intercâmbio é dominado por exportações brasileiras, principalmente de açúcar e petróleo.

Também com 13 votos favoráveis, foi aprovada a indicação de Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto para chefiar a embaixada em Atenas. O parecer da MSF 68/2025, relatado por Mourão a partir de texto do senador Nelsinho Trad (PSD–MS), elogiou a trajetória do diplomata, atualmente secretário de Promoção Comercial, Ciência e Cultura do Ministério das Relações Exteriores. Aguiar destacou que o comércio bilateral triplicou entre 2017 e 2024, embora ainda concentrado em produtos de baixo valor agregado. O diplomata afirmou que setores como aeronáutica e defesa oferecem novas oportunidades, especialmente diante do aumento dos orçamentos militares europeus no âmbito da Otan.
“Empresas brasileiras como a Embraer podem se beneficiar da demanda grega por produtos aeronáuticos”, afirmou. A República Helênica, maior economia dos Bálcãs, tem PIB de US$ 257 bilhões e IDH elevado (posição 34 no ranking do PNUD). Em 2024, cerca de 75 mil brasileiros visitaram o país.

Com 12 votos favoráveis e 1 contrário, a CRE aprovou ainda a indicação de Eduardo Botelho Barbosa para a embaixada em Damasco. O relator, senador Esperidião Amin (PP–SC), ressaltou o momento político de transição no país árabe, após a posse do novo presidente Ahmed Hussein Al-Sharaa. Durante a sabatina, Barbosa avaliou que a queda do regime de Bashar Al-Assad e a reaproximação com países ocidentais podem abrir caminho para a reconstrução da Síria.
“Uma Síria estável poderia reacender a esperança no Oriente Médio”, afirmou o diplomata, que defendeu foco na ajuda humanitária e na recuperação econômica. Cônsul-geral em Zurique desde 2022, Barbosa é ministro de primeira classe e já representou o Brasil na Argélia e na Sérvia. Ele ingressou no Itamaraty em 1983. Mesmo durante a guerra civil iniciada em 2011, o Brasil manteve ativa sua embaixada em Damasco, reaberta em 2018 após um período de transferência de atividades para o Líbano. O comércio bilateral, embora reduzido pelo conflito, tem histórico expressivo, com pico de US$ 600 milhões em 2010.
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