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Será uma zona econômica especial, um centro financeiro internacional construído em uma área recuperada de 269 hectares na cidade comercial de Colombo. Quando concluída, a área do Colombo Port City terá mais de 5,6 milhões de metros quadrados de espaço. “O projeto deverá atrair US$ 15 bilhões de IED (Investimento Estrangeiro Direto), além de gerar mais de 90 mil novas oportunidades de emprego”, comenta o embaixador do Sri Lanka – Dassanayake Mudiyanselage Sumith.
Em entrevista exclusiva ao Diplomacia Business, o diplomata convida a empresários a investirem no Colombo Port City e, especificamente, os industriais brasileiros do setor de cana-de-açúcar a apostarem no Sri Lanka, lembrando que o país possui as infraestruturas necessárias, terrenos, matéria-prima (cana-de-açúcar), além de conceder benefícios fiscais aos investidores.
O embaixador fala de sua experiência na África, das atrações turísticas no Sri Lanka e da data nacional da nacional, dia 4 de fevereiro, que terá duas comemorações em Brasília. A seguir, a entrevista:
Diplomacia Business – Durante a apresentação das suas credenciais em Brasília, o Itamaraty noticiou que o Brasil e Sri Lanka trabalham juntos para ampliar o comércio e as relações bilaterais, com ênfase em agricultura familiar para a produção de leite e o cultivo de cana-de-açúcar. Como estão as negociações e esses projetos?
Embaixador do Sri Lanka, Dassanayake Mudiyanselage Sumith – Primeiramente, gostaria de agradecer ao Diplomacia Business por esta entrevista que ao mesmo tempo é uma excelente oportunidade para nós divulgarmos nossa mensagem à comunidade brasileira. A Fundação Nacional de Ciência (National Science Foundation- NSF-SL) propôs os seguintes projetos científicos bilaterais: Cooperação na Indústria de Cana-de-Açúcar e operação no Setor de Laticínios. No setor de laticínios, desejamos adquirir técnicas brasileiras para melhorar a qualidade e a produtividade.
Nossas propostas têm sido discutidas com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC). Engajamos também parceria com duas universidades brasileiras: a Universidade Federal de São Carlos, no estado de São Paulo e a Universidade Federal de Viçosa, no estado de Minas Gerais. Aproveito para convidar a Indústria de cana-de-açúcar brasileira a investir no Sri Lanka já que temos as infraestruturas necessárias, terrenos, matéria-prima (cana-de-açúcar), fora os benefícios fiscais.
O sr. foi o primeiro embaixador do Sri Lanka residente na Etiópia. Como foi essa experiência?
Embaixador Dassanayake – As relações entre o Sri Lanka e a África remontam há séculos. Em particular na Etiópia, estabelecemos relações diplomáticas formais em 1972 mas, devido a restrições sociais, políticas e financeiras, não pudemos abrir uma missão diplomática lá. Posteriormente, Addis Ababa (capital da Etiópia) tornou-se a capital da sede da União Africana, então nosso governo decidiu estabelecer uma missão residente na Etiópia. Naquela época eu estava no ministério das Relações Exteriores como diretor geral encarregado da África Oriental. Então, o governo me pediu para abrir a missão, dessa forma me tornei o primeiro embaixador residente do Sri Lanka a abrir a missão na Etiópia em março de 2017.
Também fui embaixador da União Africana e da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África. A União Africana conta com 55 membros. Todos os países africanos têm embaixadas na Etiópia, portanto, estando na Etiópia podemos estabelecer relações de amizade muito fortes com todo o continente africano. O que é muito importante. A Etiópia vai ter um programa de industrialização muito bom… Estamos abrindo algumas empresas na Etiópia, e quando eu fui lá para abrir a missão apenas cerca de 100 empresas do Sri Lanka estavam trabalhando e fazendo negócios neste país. Mas depois de três anos, cerca de mil Sri Lankas estavam trabalhando lá. Isso me deixou muito feliz, pois, ao abrir essa missão lá, também criamos oportunidades de trabalho para nosso povo, o que também contribuiu para a expansão da nossa economia. O tempo que passei na Etiópia foi muito satisfatório para mim.
Na Etiópia o sr. foi também representante permanente do Sri Lanka junto à União Africana e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a África (UNECA). Porque o Sri Lanka tem participado dos debates nas questões da África?
Embaixador Dassanayake – Não somente assuntos relacionados à África. O Sri Lanka mantém uma postura de política neutra, somos amigos de todos. Não temos inimigos. Queremos manter relações amigáveis com todos os países, independentemente do tamanho do país, força econômica, região. A África é uma região que promete muito para o setor econômico. Creio que em um futuro próximo, a África estará em uma posição de liderança na economia mundial. Consolidar relações fortes com o continente Africano é muito importante.
Como serão as comemorações da data nacional do Sri Lanka, dentro e fora do país?
Embaixador Dassanayake – Os portugueses chegaram no país em 1505 e, por volta de 1619, controlavam a maior parte da ilha. Em 1658 teve início o domínio holandês. No final do século XVIII, os britânicos apoderaram-se da ilha e a chamaram de Ceilão. O Sri Lanka conquistou sua independência da Grã-Bretanha em 1948. Adotamos uma nova constituição em 1972 e o nosso país passou a se chamar Sri Lanka. Nós teremos dois eventos para celebrar nossa Data Nacional que acontecerá no dia 4 de fevereiro. Por conta da pandemia, nós termos uma cerimônia na embaixada, onde hastearemos nossa bandeira e cantaremos nosso hino nacional. No mesmo mês teremos outro evento para promover nosso turismo, chá, comércio, cinema e produtos do Sri Lanka no Pátio Brasil. O evento contará com o apoio de algumas câmaras etíopes. A promoção do turismo é muito importante para nós.
O projeto cidade portuária Colombo, uma construção conjunta entre a China e o Sri Lanka, é um grande desafio. O sr. poderia nos falar desse projeto?
Embaixador Dassanayake – O Colombo Port City Project é uma zona econômica especial, um centro financeiro internacional construído em uma área recuperada de 269 hectares na cidade comercial de Colombo. Quando concluída, a área terá mais de 5,6 milhões de metros quadrados de espaço. Esperamos obter vários investimentos lá. A intenção é que esta zona crie um “hub” internacional de negócios e serviços com infraestrutura especializada para promover atividades econômicas importantes, como: comércio internacional, operações de logística de transporte, serviços bancários e financeiros “offshore”, tecnologia da informação, terceirização de processos de negócios, operações de sede corporativa, operações de distribuição, turismo e entretenimento.
O projeto proporcionará determinados incentivos aos investidores estrangeiros de acordo com sua natureza de negócios. As concessões e incentivos fiscais estarão disponíveis por um período máximo de 40 anos. O projeto deverá atrair US$ 15 bilhões de IED (Investimento Estrangeiro Direto), além de gerar mais de 90 mil novas oportunidades de emprego. Em 10 anos, este será o centro financeiro internacional mais atraente do sul da Ásia.
Como está o turismo no Sri Lanka? Que regiões o sr. indicaria para se conhecer primeiro e qual a importância desse setor para o país?
Embaixador Dassanayake – O Sri Lanka é considerado o melhor e mais seguro destino turístico do mundo e os turistas podem visitar o país durante todo o ano. O setor de turismo contribuiu diretamente para mais de 4% do PIB nacional, enquanto cerca de 400.000 pessoas estão trabalhando no setor e o maior número de turistas ao Sri Lanka foi registrado em 2018, com 2,3 milhões de turistas trazendo mais de 4,3 milhões de dólares para o país.
Desde outubro de 2021, o Sri Lanka abriu a entrada para turistas internacionais totalmente vacinados, seguindo os protocolos e medidas preventivas contra a Covid-19. O país também foi reconhecido como um dos melhores destinos do mundo em 2021 pelo “Global Wellness Institute” e destacado pela CNN, BBC e Forbes como um destino imperdível. As regiões de visita dependem muito do interesse de cada turista. Dispomos de atrações para todos os gostos, e de acordo com a condição financeira dos turistas. Temos hotéis cinco estrelas, duas estrelas ou acomodações mais simples. Em 2020, o Trip Advisor “Traveller’s Choice Best of Best Awards 2020” concedeu ao Sri Lanka o terceiro lugar entre os 25 melhores hotéis de luxo do mundo.
A zona costeira do Sul e Sudoeste é reconhecida pelas praias belíssimas para descanso e lazer. Temos locais de surf nas regiões de Arugam Bay, Hikkaduwa, Weligama, Mirissa e Unawatuna. Arugam Bay também sediou duas competições da Pro Surf League como parte da The World Surf League em 2011 e em 2019. A região montanhosa da ilha, coberta com milhares de hectares de plantações de chá e as cachoeiras proporcionam uma viagem mais voltada para o lado da aventura, enquanto hotéis de prestígio proporcionam estadias relaxantes com chás quentes do Ceilão.
Os sítios arqueológicos nas províncias Central e Norte Central, incluindo lugares importantes como Kandy, Sigiriya, templos da caverna Dambulla, Anuradhapura e Polonnaruwa, oferecem um vislumbre da história de 2500 anos do Sri Lanka. Há também 14 parques nacionais espalhados pela ilha, como: Yala – o principal Parque Nacional e lar de muitos tipos de animais, incluindo veados, tigres, ursos, crocodilos etc. Minneriya e Udawala são famosos por ver elefantes e Kumana é famosa pela observação de aves. No inverno essas aves migram da Europa para o Sri Lanka, algo lindo de se ver. Por último, mas não tão incrível, temos o orfanato de elefantes, chamado Pinnawala, localizado a duas horas de viagem de Colombo, onde os turistas podem ver a alimentação e o banho dos elefantes.
Perfil

O Embaixador Dassanayake nasceu na cidade de Colombo, Sri Lanka. Tem 50 anos. Graduado em Ciências, trabalhou no setor privado como executivo e depois gerente. Em 1998, por meio de uma prova bem competitiva, foi selecionado para fazer parte do serviço das Relações Exteriores do Sri Lanka. Agora está no seu 5º posto no exterior. Trabalhou na embaixada do Sri Lanka na Índia, Noruega, Canadá, Etiópia e agora Brasil. Na Etiópia, ocupou o primeiro posto como embaixador, cargo que depois veio a exercer no Brasil. No Ministério das Relações Exteriores foi diretor assistente, diretor e diretor geral. O embaixador Dassanayake tem uma filha que trabalha como médica no Sri Lanka.




