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* Por Dra. Chen Peijie, Cônsul-Geral da China em São Paulo

No dia 15 de agosto deste ano comemorou-se o 48º aniversário das relações diplomáticas entre a China e o Brasil. A amizade bilateral amadureceu e se aprofundou nesse meio século, viabilizando uma cooperação cada vez mais frutífera em vários setores e trazendo aos dois países desenvolvimento comum e bem-estar social.

Nesses 48 anos, viemos enriquecendo o conteúdo da Parceria Estratégica Global China-Brasil, com esforços conjuntos para formar uma comunidade de futuro compartilhado. Sob a liderança dos seus chefes de Estado nos últimos anos, a China e o Brasil contemplam os interesses fundamentais e de longo prazo de cada parte, respondem aos desafios globais com solidariedade e colaboração, combatem juntos a COVID e promovem a recuperação econômica no pós-pandemia. Em 2022, a COSBAN (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação) traçou planos de médio e longo prazo para a cooperação pragmática em múltiplas áreas; a 14ª Cúpula do BRICS, que contou com a participação dos presidentes da China e do Brasil, alcançou uma série de consensos para defender o multilateralismo, a justiça e a equidade, a melhoria do sistema de governança global e os interesses de mercados emergentes e países em desenvolvimento, injetando energia positiva num mundo repleto de incertezas.

Nesses 48 anos, os dois países vêm liberando o potencial da cooperação bilateral, estabelecendo um exemplo para a parceria Sul-Sul de benefícios recíprocos. A China tem sido o maior parceiro comercial e o maior mercado de exportação do Brasil por 13 anos consecutivos. O comércio bilateral manteve-se acima da marca de US$ 100 bilhões nos últimos quatro anos e mostrou resiliência e vigor apesar dos impactos negativos da pandemia. Em duas décadas, a participação desse comércio na economia brasileira subiu de 3,3% para 32,4%.

A exportação brasileira de soja e outras commodities para a China registrou contínuo crescimento, enquanto carnes e frutas ampliam sua presença no mercado chinês. Os dois países mantiveram uma boa dinâmica de cooperação em áreas tradicionais como agricultura e mineração e exploram o potencial em novas fronteiras como a tecnologia limpa, sustentável e de baixa emissão de carbono. Valendo-se das próprias vantagens, empresas chinesas intensificaram apostas no mercado brasileiro em projetos de infraestrutura, agricultura, energia elétrica, petróleo e gás, finanças e vários outros setores, criando pontos de crescimento e novos destaques na cooperação bilateral. Os investimentos avançam ainda mais este ano com novos projetos como a primeira usina de geração de energia com resíduos sólidos, extração de madeira e manganês, nova linha de produção de módulos fotovoltaicos.

Nesses 48 anos, os dois países vêm intensificando o intercâmbio interpessoal, edificando uma ponte de entendimento e amizade. Floresceram interações entre universidades, think tanks, veículos de mídia e nos setores de artes, cultura e esportes, com a realização de uma variedade de eventos, como dia cultural, festival de cinema, produção de vlogs e exposição de fotos. Além dos craques de futebol, elementos culturais do Brasil como bossa nova e capoeira também ganharam visibilidade na China, e cada vez mais chineses são fãs do churrasco brasileiro, do açaí e das sandálias Havaianas e Melissa.

No início deste ano, o Brasil enviou a Beijing a maior delegação da história de sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno. No começo da contagem regressiva de dez dias para a abertura das Olimpíadas, atletas e artistas do Brasil saudaram calorosamente os Jogos de Beijing 2022 em evento oferecido por este Consulado em parceria com a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo. Junto com a Associação dos Escritores de Xangai, a Academia Paulista de Letras e o Instituto Confúcio na UNESP, organizamos o primeiro diálogo virtual sobre literatura infantil, falando da sua importância para o relacionamento sino-brasileiro e da construção de uma comunidade de futuro compartilhado da humanidade. Além disso, jovens diplomatas do Consulado foram a várias escolas e universidades para conversar com crianças e adolescentes brasileiros sobre temas de interesse. Com tudo isso, cada vez mais brasileiros buscam conhecer melhor a China e até aprender o idioma.

Quinze de agosto também é o Dia da Imigração Chinesa no Brasil. Mais de 200 anos atrás, os primeiros imigrantes chineses chegaram no Brasil trazendo a esta terra as técnicas do cultivo do chá e sua cultura gastronômica. Gerações posteriores preservaram e promoveram aqui as tradições da língua, da cultura e da arte, integraram-se à sociedade local e participaram do seu desenvolvimento. Durante a pandemia, a comunidade chinesa ganhou o respeito dos brasileiros com ações solidárias. Inúmeras histórias ilustram a fraternidade entre os dois povos e a amizade entre os dois países. Dias atrás, o Estado de São Paulo definiu 1º de outubro como o Dia da Cultura e Imigração Chinesa do Estado de São Paulo, mais uma demonstração desta fraternidade do Brasil com a China.

Diante das mudanças na conjuntura internacional e da pandemia do século, todos os países são interdependentes e seus destinos estão interligados e, por isso mesmo, devem se solidarizar com base no respeito mútuo em busca de ganhos recíprocos. No entanto, há sempre os que vão contra a corrente dos tempos. A recente visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a região de Taiwan da China é uma grosseira violação da soberania e da integridade territorial da China. Esse gesto irresponsável e imprudente causou indignação e rejeição em 1,4 bilhão de chineses e é fortemente condenado pela comunidade internacional. Mais de 170 países e várias organizações internacionais manifestaram-se em favor da justiça, reafirmando sua adesão ao princípio de Uma só China e seu apoio à China na salvaguarda da soberania nacional e da integridade territorial. O princípio de Uma só China, cerne dos interesses fundamentais da China, é reconhecido por 181 países, incluindo o Brasil. Essa é a tendência irreversível de nosso tempo, a vontade popular que não se contesta.

Como países em desenvolvimento e representantes das economias emergentes, a China e o Brasil compartilham amplos interesses comuns e um robusto alicerce de cooperação. Num cenário internacional repleto de incertezas, é particularmente importante para nossos dois países manter uma cooperação estável, próxima e sustentável. Com o 48º aniversário, esse relacionamento está num novo ponto de partida para consolidar uma cooperação mais prolífica. Que nossos esforços conjuntos vençam as montanhas e os mares que nos separam e abram um novo e promissor capítulo na amizade China-Brasil!

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