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No dia 11 de maio, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, realiza sua primeira visita oficial ao Cazaquistão, em um momento de fortalecimento das relações diplomáticas, econômicas e culturais entre os dois países. Sobre a nova dinâmica da cooperação bilateral, falou o Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República do Cazaquistão no Brasil, Bolat Nussupov, em entrevista à agência Kazinform.
O Brasil é atualmente o principal parceiro do Cazaquistão na América do Sul e a maior economia do continente. Em 2023, os dois países celebraram os 30 anos do estabelecimento das relações diplomáticas. Em mensagens oficiais trocadas na ocasião, os presidentes Kassym-Jomart Tokayev e Luiz Inácio Lula da Silva destacaram o avanço contínuo das relações bilaterais.

Segundo o embaixador Bolat Nussupov, o Brasil ocupa o primeiro lugar entre os países da América Latina e do Caribe em volume de comércio com o Cazaquistão. Atualmente, o intercâmbio comercial entre as duas nações alcança cerca de 296 milhões de dólares.
As exportações cazaques para o Brasil incluem enxofre, ferroligas, produtos siderúrgicos e urânio, enquanto as importações brasileiras abrangem açúcar, tabaco em bruto, café, pneus, motores e equipamentos industriais. O diplomata destacou ainda que o mercado brasileiro apresenta grande demanda por fertilizantes, setor que pode se tornar uma nova frente estratégica de cooperação econômica entre os países.
“O Cazaquistão atribui grande importância prática ao desenvolvimento da cooperação com o Brasil nas áreas de pecuária e complexo agroindustrial. A experiência e as capacidades brasileiras nesse setor podem ser amplamente aproveitadas no Cazaquistão”, afirmou Bolat Nussupov.
Ao final de 2025, o comércio agroindustrial entre os dois países atingiu cerca de 90 milhões de dólares, representando um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

O embaixador também ressaltou o fortalecimento da cooperação em investimentos após a criação do Conselho Empresarial Cazaquistão-Brasil, em 2021. Desde então, foram realizadas três reuniões alternadamente nos dois países, e a quarta edição está prevista para ocorrer até o final de 2026, na cidade de Konaev.
Entre os avanços recentes, destacam-se as parcerias estabelecidas com importantes instituições brasileiras, como a Embrapa, a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
Também merece destaque o lançamento, em 2023, de um projeto da empresa brasileira WEG para a abertura de um “Service Hub” em Almaty, além da ampliação da cooperação com empresas brasileiras do agronegócio, como Savanna Sementes e Copacol.
Além da área econômica, Cazaquistão e Brasil buscam ampliar a cooperação nos setores de engenharia mecânica, tecnologia da informação e desenvolvimento regional. Em razão da estrutura federativa brasileira, a cooperação entre regiões e estados tem ganhado relevância estratégica.
Nesse contexto, foram assinados Memorandos de Parceria entre a Região de Karaganda e o estado da Bahia, em 2022; entre a Região de Almaty e o estado do Rio Grande do Sul, em 2024; e entre a Região do Cazaquistão Oriental e o estado de Santa Catarina, em 2025. Os acordos têm promovido intercâmbios de experiências nas áreas de agricultura e administração regional.

O diplomata também destacou a parceria com a Confederação Nacional de Municípios, considerada uma importante plataforma de representação dos interesses regionais brasileiros.
No cenário internacional, os dois países mantêm posições convergentes em temas estratégicos globais, atuando conjuntamente em organismos como a Organização das Nações Unidas, a Agência Internacional de Energia Atômica e no âmbito do BRICS. Entre os temas de interesse comum estão o desenvolvimento sustentável, a não proliferação de armas nucleares e as questões ambientais.
A participação da delegação do Cazaquistão, liderada pelo Ministro da Ecologia, na COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, reforçou o alinhamento entre os países em temas climáticos e ambientais.
Os laços culturais também têm se fortalecido nos últimos anos. Em 2023, foi inaugurado no Rio de Janeiro o primeiro busto de Abai Kunanbayuly na América do Sul. O público brasileiro também acompanhou apresentações de músicos clássicos cazaques, como o grupo “Forte Trio”, Amir Tebenikhin e Aiken Aitbay, em parceria com a Orquestra Sinfônica Claudio Santoro, além do projeto musical “QazaqBossaNova”, da cantora Polina Khanym. O interesse pela cultura do Cazaquistão também cresce graças à popularidade internacional do cantor Dimash Qudaibergen.
Desde 2022, também atua no Brasil o Grupo de Amizade Brasil-Cazaquistão, liderado pelo ex-senador Ulysses Riedel, promovendo regularmente eventos culturais e educativos voltados ao fortalecimento das relações entre os dois países.
Com dimensões continentais e uma população de cerca de 215 milhões de habitantes, o Brasil exige uma ampla atuação regional. Nesse sentido, a Embaixada do Cazaquistão no Brasil vem ampliando seus laços diplomáticos, econômicos e culturais por meio da atuação de cônsules honorários em capitais estratégicas como São Paulo, Florianópolis, Curitiba, Salvador, Manaus e Belém.
Apesar da distância geográfica, Cazaquistão e Brasil seguem fortalecendo de forma consistente e estratégica uma cooperação bilateral cada vez mais ampla e diversificada.

Fonte: Embaixada do Cazaquistão




