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Por Elna Souza | Astana, Cazaquistão
Ao sediar pela primeira vez os Jogos do Futuro, o Cazaquistão não pretende apenas receber uma competição internacional. O país busca consolidar sua posição como um dos protagonistas do desenvolvimento dos esportes phygital, fortalecer sua infraestrutura tecnológica e ampliar sua presença no cenário global dos esportes eletrônicos.
Durante entrevista coletiva concedida à imprensa internacional, o representante oficial do Ministério do Turismo e Esportes da República do Cazaquistão, Meiram Sapargali, destacou que esta edição marca uma transformação importante no formato da competição, além de refletir a estratégia nacional de investimento em inovação, digitalização e novas modalidades esportivas.
Competição passa a ser disputada por clubes
Uma das principais novidades dos Jogos do Futuro deste ano é a substituição das seleções nacionais por clubes internacionais. Segundo Sapargali, a mudança acompanha a própria evolução dos esportes eletrônicos, onde os atletas tradicionalmente competem por equipes e não por países.
“Nas edições anteriores, os Jogos eram disputados entre seleções nacionais. Agora, os clubes participam com atletas de diferentes países, assim como acontece no futebol profissional”, explicou.
Essa alteração também muda a forma de interpretar os resultados. O representante ressaltou que não será possível atribuir medalhas ou títulos diretamente ao Cazaquistão, uma vez que atletas cazaques competem em clubes internacionais e, ao mesmo tempo, clubes cazaques contam com jogadores estrangeiros.
“O vencedor é o clube, e não o país”, enfatizou.
Embora a tendência seja de consolidação desse novo modelo, Sapargali afirmou que a decisão sobre o formato das próximas edições pertence aos detentores dos direitos da competição.
Oito modalidades escolhidas em conjunto com a Federação Internacional
Outra novidade desta edição é a definição das modalidades esportivas. Cada país-sede possui liberdade para propor parte da programação, em conjunto com a Federação Internacional de Esportes Phygital e os detentores dos direitos dos Jogos.
Neste ano, foram selecionadas oito disciplinas, entre elas futebol, basquete, diferentes formatos de Counter-Strike e dança esportiva.
Segundo Sapargali, a escolha levou em consideração critérios como número de atletas inscritos, participação de clubes e interesse internacional.
Questionado sobre a ausência do hóquei phygital — modalidade que poderia ser natural para países como Cazaquistão e Belarus —, o representante explicou que a seleção busca atender ao maior número possível de participantes.
“O hóquei é muito popular em algumas regiões, mas não em todas. A escolha das modalidades buscou garantir equilíbrio e conveniência para todos os participantes”, afirmou.
Desenvolvimento dos esportes phygital é prioridade nacional
Mais do que sediar um grande evento internacional, o objetivo do governo é acelerar o crescimento dos esportes phygital dentro do país.
Sapargali destacou que os esportes eletrônicos já apresentam crescimento acelerado em mais de 110 países e que o Cazaquistão acompanha essa expansão com investimentos em infraestrutura e formação.
“Nossos atletas já conquistam bons resultados internacionalmente. Agora queremos que nossa infraestrutura também alcance padrões internacionais.”
Como parte dessa estratégia, o país sediará no próximo ano o Campeonato Mundial de Esports.
Outro marco importante ocorreu recentemente com a aprovação da nova Lei de Desenvolvimento do Esporte, que reconheceu mais de 60 modalidades de alto rendimento, incluindo oficialmente os esportes eletrônicos.
“O interesse pelos esports cresce não apenas no Cazaquistão, mas em todo o mundo. Queremos que os esportes tradicionais e os esportes phygital evoluam paralelamente.”
Ano da Digitalização reforça importância dos Jogos
Durante a cerimônia de abertura, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, classificou os Jogos do Futuro como um momento histórico para o país.
Segundo Sapargali, essa avaliação está diretamente relacionada ao fato de que o governo declarou 2026 como o Ano das Tecnologias de Inovação e da Digitalização.
“A cada ano, o presidente dedica o calendário nacional ao desenvolvimento de uma área estratégica. Neste ano, inovação tecnológica e digitalização coincidiram perfeitamente com a realização dos Jogos.”
O representante ressaltou que o governo vem investindo continuamente na modernização das instalações esportivas, incorporando soluções digitais e novas tecnologias.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.


