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Brasília recebeu uma importante celebração diplomática e institucional em homenagem aos 80 anos da independência do Reino Hachemita da Jordânia. A sessão solene, realizada na Câmara dos Deputados por requerimento do deputado federal David Soares, reuniu parlamentares, embaixadores, representantes do Itamaraty, membros do Corpo Diplomático e autoridades religiosas em um encontro marcado por discursos de reconhecimento à trajetória jordaniana, defesa da paz e fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Jordânia.
A cerimônia contou com a presença do embaixador do Reino Hachemita da Jordânia no Brasil, Maen Masadeh; do deputado Marcelo Crivella; do núncio apostólico no Brasil e decano do Corpo Diplomático, Dom Giambattista Diquattro; e do embaixador Clélio Nivaldo Crippa Filho, diretor da Divisão do Oriente Médio do Ministério das Relações Exteriores.
Após a execução do Hino Nacional da Jordânia e a exibição de um vídeo institucional produzido pela Embaixada jordaniana, os convidados fizeram pronunciamentos ressaltando o papel histórico da Jordânia como referência de estabilidade, convivência religiosa, acolhimento humanitário e diplomacia no Oriente Médio.

Embaixador da Jordânia destaca modernização, estabilidade e parceria estratégica com o Brasil
O primeiro discurso da solenidade foi proferido pelo embaixador Maen Masadeh, que ressaltou o significado histórico da independência jordaniana proclamada em 25 de maio de 1946.
Segundo o diplomata, os 80 anos da independência representam não apenas um marco histórico, mas também um momento de reflexão sobre a construção do Estado jordaniano, a defesa da soberania nacional e o fortalecimento institucional do país.
O embaixador destacou a liderança do rei Abdullah II no processo de modernização política, econômica e administrativa da Jordânia, enfatizando políticas voltadas ao crescimento econômico, fortalecimento do Estado de Direito, competitividade e empoderamento da juventude e das mulheres.
Masadeh também celebrou a inédita classificação da seleção jordaniana para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, descrevendo o feito como símbolo da confiança e da determinação da juventude jordaniana.
Ao abordar as relações bilaterais, o embaixador lembrou que Brasil e Jordânia estabeleceram relações diplomáticas em 1959 e construíram, ao longo de mais de seis décadas, uma parceria baseada no diálogo, na paz e no respeito mútuo.
Ele ressaltou os encontros entre o rei Abdullah II e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo as reuniões ocorridas em 2024 durante a cúpula do G7 e a Assembleia Geral das Nações Unidas, reforçando o compromisso dos dois países em aprofundar a cooperação bilateral.
No cenário regional, o embaixador reafirmou a defesa jordaniana de soluções pacíficas para os conflitos no Oriente Médio e reiterou a posição histórica do país em favor da solução de dois Estados para a questão palestina, com a criação de um Estado Palestino independente e Jerusalém Oriental como capital.
Masadeh também destacou a tradição jordaniana de convivência religiosa e afirmou que o país abriga uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, integrada à identidade nacional jordaniana.
Ao final, agradeceu à Câmara dos Deputados, ao Itamaraty e às autoridades brasileiras pela homenagem prestada ao povo jordaniano.

Núncio apostólico exalta convivência religiosa e papel espiritual da Jordânia
Em um discurso marcado por referências históricas e religiosas, Dom Giambattista Diquattro destacou a relevância espiritual da Jordânia para a humanidade.
O núncio apostólico lembrou que o território jordaniano preserva importantes referências bíblicas ligadas a figuras como Jesus Cristo, Moisés, Elias e João Batista, além de ter sido exaltado por São João Paulo II durante sua visita ao país no ano 2000.
Segundo Dom Diquattro, a Jordânia tornou-se um exemplo internacional de convivência inter-religiosa e diálogo entre culturas, especialmente sob a liderança do rei Abdullah II.
Ele mencionou o reconhecimento do Papa Francisco às iniciativas jordanianas de promoção da paz, incluindo a Mensagem de Amã e a Semana Mundial da Harmonia Interconfessional, promovida nas Nações Unidas.
O representante do Vaticano ressaltou ainda a importância da liberdade religiosa como direito fundamental da pessoa humana e elogiou a participação histórica das comunidades cristãs jordanianas nas áreas da educação, saúde e assistência social.
Para o núncio apostólico, Brasil e Jordânia compartilham valores semelhantes ligados à convivência pacífica, ao respeito e à construção do diálogo entre diferentes povos e religiões.

Itamaraty reforça reconhecimento ao papel regional da Jordânia
Representando o governo brasileiro, o embaixador Clélio Nivaldo Crippa Filho destacou a relevância estratégica da Jordânia em uma das regiões mais complexas do mundo.
Segundo o diplomata, a Jordânia consolidou-se internacionalmente como um ator de equilíbrio, moderação e diálogo, mantendo uma política externa voltada à estabilidade regional e à convivência entre povos e religiões.
Crippa Filho recordou que os laços diplomáticos entre Brasil e Jordânia foram estabelecidos em 1959 e aprofundados em 1984 com a abertura das embaixadas em Amã e Brasília.
Ele ressaltou a existência de uma interlocução política sólida entre os dois países, marcada por visitas oficiais, mecanismos de coordenação bilateral e cooperação diplomática contínua.
O embaixador destacou ainda o crescimento do comércio bilateral, que alcançou US$ 628 milhões em 2025, especialmente nas áreas do agronegócio e fertilizantes, mas apontou potencial de expansão para setores como energia, defesa e tecnologia.
Em meio ao atual cenário de instabilidade no Oriente Médio, o representante do Itamaraty elogiou o papel humanitário da Jordânia no acolhimento de refugiados e destacou a importância da custódia hachemita sobre os locais sagrados muçulmanos e cristãos em Jerusalém.
Ao concluir, reafirmou o compromisso do Brasil em fortalecer os laços de amizade e cooperação com o povo jordaniano.

Marcelo Crivella relembra apoio da Jordânia a brasileiros durante conflitos no Oriente Médio
O deputado Marcelo Crivella fez um discurso emocionado ao recordar a ajuda prestada pela Jordânia a turistas brasileiros durante os recentes conflitos no Oriente Médio.
Segundo Crivella, centenas de brasileiros conseguiram retornar ao país graças ao apoio oferecido pelo governo jordaniano e pelo embaixador Maen Masadeh, que articulou a saída dos turistas pela Jordânia até os Emirados Árabes Unidos, de onde seguiram para o Brasil.
O parlamentar afirmou que o gesto demonstrou a grandeza humanitária do povo jordaniano e declarou que os brasileiros jamais esquecerão o acolhimento recebido naquele momento delicado.
Crivella também ressaltou a importância espiritual e histórica da Jordânia, além de elogiar o compromisso do país com a paz, o acolhimento e a dignidade humana.

David Soares destaca Jordânia como exemplo de convivência e paz no Oriente Médio
Autor do requerimento da sessão solene e presidente da Frente Parlamentar de Amizade Brasil–Jordânia, o deputado Davi Soares encerrou a cerimônia ressaltando o papel da Jordânia como referência de estabilidade e convivência pacífica em uma região marcada por conflitos históricos.
O parlamentar destacou o acordo de paz firmado entre Jordânia e Israel em 1994 como um marco de coragem política e diplomática no Oriente Médio.
Durante sua fala, Soares também enfatizou a relevância bíblica e histórica da Jordânia, mencionando locais sagrados ligados às tradições judaica e cristã, como o Monte Nebo e o rio Jordão, onde Jesus Cristo foi batizado.
O deputado elogiou a convivência entre cristãos e muçulmanos no território jordaniano e afirmou que o país oferece ao mundo um raro exemplo de pluralidade religiosa e cultural baseada no respeito mútuo.
Outro ponto destacado foi o papel humanitário da Jordânia no acolhimento de refugiados palestinos, iraquianos e sírios, atitude que, segundo o parlamentar, demonstra compromisso com a dignidade humana e a solidariedade internacional.
Davi Soares também celebrou o crescimento das relações comerciais entre Brasil e Jordânia e afirmou que os dois países possuem potencial para ampliar significativamente o intercâmbio econômico.
Ao final, parabenizou a seleção jordaniana pela classificação inédita para a Copa do Mundo de 2026 e encerrou a sessão defendendo mais diálogo, respeito e cooperação entre as nações.
“Os discursos passam, mas a amizade e o carinho permanecem”, declarou o deputado ao encerrar oficialmente a solenidade.






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