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A Câmara de Comércio Suécia-Brasil (Swedcham) já prepara as comemorações do seu 70º aniversário em 2023, quando lançará um livro, com edição bilíngue, sobre os 100 anos das empresas suecas no Brasil. A Câmara acaba de divulgar uma pesquisa sobre os negócios dos suecos no Brasil.
O sueco Jonas Lindström, nascido em Alfta, radicado no Brasil desde 2002, é diretor executivo da Swedcham. Formado em Pedagogia, Sociologia e Direito, foi professor de inglês. Em entrevista ao Diplomacia Business, Jonas Lindström, fala sobre a pesquisa: “É positivo que 77% falaram que vão aumentar o faturamento em 2022, e 71% vão aumentar os investimentos locais no Brasil. Estamos otimistas”, explica.
De acordo com Jonas Lindström, o desafio maior a ser enfrentado pelas empresas suecas no Brasil são as questões tributárias “que sempre aparecem e envolvem as questões burocráticas e as regulatórias. Isso são os obstáculos principais para as indústrias suecas. São barreiras para o comércio. A reforma tributária precisa acontecer para evitar as incertezas”. Veja a entrevista completa:
Diplomacia Business – A Swedcham foi instalada em São Paulo (SP) em 1953. Que balanço geral o sr. faz desses anos de funcionamento da Câmara?
Jonas Lindström, diretor executivo da Câmara de Comércio Suécia-Brasil (Swedcham) – Em 1953, havia bastante expatriados. As empresas suecas eram lideradas por suecos. A Câmara era mais um clube para os suecos. Hoje em dia não. Então, são 70 anos. Podemos olhar para trás com orgulho. Hoje, a Swedcham tem aproximadamente 220 associados e entre eles – 50 grandes empresas nos patrocinam – e isso mostra que a Câmara tem uma função. Tem um papel importante. E como sobrevivemos na pandemia? Migramos rápido para o mundo digital e continuamos realizando networking online, palestras, troca de experiências, criação de novos grupos. Foi uma prova de fogo. E de novo estamos abrindo para eventos físicos.
Quais serão os próximos eventos promovidos pela Swedcham ou dos quais ela participará?
Jonas Lindström– Estamos organizando em média um evento (híbrido) por semana sobre temas variados, sempre ligados ao fazer negócios no Brasil, e para 2023 estamos preparando um livro “Sweden in Brazil – 100 Years of Passion for Business and People”, em alusão aos nossos 70 anos. O projeto tem o apoio financeiro da Embaixada da Suécia no Brasil e da FAM (Foundation Asset Management – Wallenberg Investments AB). O Centre for Business History, em Estocolmo, fará a publicação. O livro será como um cartão para nos apresentar. Vamos falar de 100 anos das empresas suecas no Brasil.
Quantas empresas suecas estão hoje no Brasil e em quais principais ramos e localidades onde estão instaladas?
Jonas Lindström – A grande maioria (80%) das empresas suecas no Brasil tem a HQ no estado de SP, e depois vem o estado de Paraná com várias grandes empresas suecas-multinacionais, até com produção. Porém, hoje você consegue encontrar produtos e serviços suecos no país todo. As empresas suecas foram peças importantes e ativas para o desenvolvimento do país, trazendo ideias, tecnologias, cultura corporativa e, acima de tudo, pessoas. E os pioneiros dessa relação deixaram uma herança de produtividade, excelência técnica e inovação. Foi nesse processo que São Paulo se tornou uma das maiores cidades industriais da Suécia. Essa paixão pelos negócios no Brasil e seu povo é uma herança que queremos destacar, como forma de inspirar os pioneiros de hoje, construindo novos laços de amizade e cooperação.
Quais os principais objetivos da recente pesquisa sobre negócios das empresas suecas no Brasil?
Jonas Lindström – Eu faço parte das câmaras de comércio internacionais suecas e sempre esteve na nossa pauta como poderíamos fazer uma pesquisa global. Para a pesquisa fizemos uma parceria com a Business Sweden – o Conselho de Comércio Sueco Brasileira, em alguns sentidos a equivalente do Apex aqui no Brasil. A gente se juntou e a pesquisa virou global, desde 2020. É feita no Brasil, na China, na Índia, Europa, no Canadá. Então, as perguntas são as mesmas enviadas para vários países e este é o terceiro ano que podemos comparar os dados, como a indústria sueca está percebendo o Brasil versus América do Sul versus Canadá, etc. Muitos países tinham feito a pesquisa, mas sem a coordenação global que agora temos. A pesquisa é feita em 22 países.
Como foi feita essa pesquisa? Quem participou? Quais as principais questões apresentadas?
Jonas Lindström – 53 empresas suecas de grande porte presentes no Brasil responderam a pesquisa. Cada uma respondeu a 24 questões de um formulário online. Fizemos uma análise brasileira e depois e depois mandamos para Estocolmo para fazer a análise global. Entre os assuntos, questões sobre o tipo de operação da empresa, investimentos nos últimos 12 meses, investimentos próximos, obstáculos, desafios, sustentabilidade, mulheres na liderança.
Quais são os principais resultados da Business Climate Survey Brazil 2022?
Jonas Lindström – Como reflexo da cultura social e empresarial sueca, as empresas apresentaram maior compromisso com as ações ligadas à sustentabilidade e ao seu impacto ambiental de atuação. Foi interessante saber que 84% das empresas tiveram lucro, quando na pesquisa anterior esse índice foi de 79%. E antes da pandemia, 76% tiveram lucro. É positivo que 77% falaram que vão aumentar o faturamento em 2022, e 71% vão aumentar os investimentos locais no Brasil. Estamos otimistas por causa do decréscimo da pandemia, pela reforma tributária, (as empresas acham que essa reforma vai ser aprovada) e também pelos investimentos estrangeiros que chegam ao Brasil. A Suécia tem uma indústria bem diversificada. Atuamos mais no setor automobilístico, mineração, telecomunicações, farmacêutico. Na pergunta sobre se os clientes consideram aspectos ambientais/sustentabilidade quando compram produtos ou serviços, em 2021 20% respondeu “muito” e em 2022 o número subiu para 46%. Isso é boa notícia para as empresas suecas, o Brasil e para o planeta.
Quando e onde a pesquisa será divulgada?
Jonas Lindström – A pesquisa brasileira já foi divulgada e pode ser acessada no www.swedcham.com.br e a pesquisa global será lançada num evento em Estocolmo no dia 31 de agosto.
Quais são os principais desafios que essas empresas enfrentam hoje para manter bons negócios?
Jonas Lindström – São as questões tributárias, que sempre aparecem e envolvem as questões burocráticas e as regulatórias. Isso são os obstáculos principais para as indústrias suecas. São barreiras para o comércio. A reforma tributária precisa acontecer para diminuir as incertezas.




