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O Instituto Brasília Ambiental participou de visita técnica a nove Áreas de Conservação da Costa Rica, realizada no período de 17 a 24 de fevereiro. A missão fez parte do projeto “Avaliação e Fortalecimento do Sistema de Unidades de Conservação Distrital e Estudo de Parcerias Público-Privadas e Público-Comunitárias”, do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), da Universidade de Brasília (UnB), pelo Fundo de Amparo à Pesquisa (FAP) do Distrito Federal (DF).
O Brasília Ambiental foi representado pela superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água (Sucon), Marcela Versiani, e pela diretora de criação de Unidades de Conservação e Plano de Manejo, Carolina Lepsch.
A Costa Rica tem um sistema de mais de 50 anos de áreas protegidas, além de áreas com planos de manejo vigentes há mais de 30 anos | Fotos: Divulgação/Brasília Ambiental
Diferenciais do sistema de conservação da Costa RicaA Costa Rica possui um sistema de mais de 50 anos de áreas protegidas, sendo uma referência internacional na conservação da biodiversidade. A elaboração de Planos de Manejo acontece há quase 30 anos e são revisados a cada 10 anos. O sistema conta com equipes consolidadas em cada área protegida, com cerca de seis a oito guarda-parques por área.
O planejamento do sistema deles é baseado na metodologia da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, semelhantemente à base do ICMBio no Brasil. No entanto, os elementos e componentes foram adaptados para as especificidades locais da Costa Rica. Outro fator relevante é que a conservação da biodiversidade no país está diretamente ligada à economia, compondo parte do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O turismo, por exemplo, representa 8% do PIB e é todo voltado para a conservação ambiental. A agricultura, com cultivos predominantes de banana e café, também está diretamente conectada à preservação. Os produtos possuem rótulos que valorizam a fauna local, reforçando a identidade do país com a biodiversidade.
“A biodiversidade é vista como um atrativo para o turismo. Criaram a consciência de que o turismo sustentável funciona melhor com áreas bem preservadas e com a boa divulgação do serviço ambiental prestado para a sociedade, trazendo pertencimento do cidadão desde criança”, ressalta Carolina Lepsch.
Similaridades entre os sistemas de conservação do Brasil e da Costa Rica
A visita integrou a etapa do projeto dedicada ao intercâmbio de informações entre o Sistema Distrital de Unidades de Conservação e o Sistema de Áreas de Conservação da Costa Rica. No país centro-americano, o Sistema Nacional de Áreas de Conservação (Sinac) é dividido em 11 áreas de conservação, abrangendo 153 Áreas Protegidas, classificadas em dez categorias, entre elas: Reserva Biológica, Parque Nacional, Refúgio Nacional de Vida Silvestre, Reserva Florestal e Monumento Natural.
No que se refere à quantidade de profissionais por unidade, a realidade da Costa Rica se assemelha à do Distrito Federal. “Os Planos de Manejo da Costa Rica apontam que as equipes deveriam ser o dobro do que possuem atualmente. Isso é algo que também enfrentamos no DF, onde o Sistema de UCs só existe há 15 anos”, observa Lepsch.
O presidente do Brasília Ambiental, Rôney Nemer, destacou a importância dessa troca de experiência para aprimorar a gestão ambiental no DF. “Para crescermos em qualquer área, precisamos conhecer e aprender compartilhando com nossos semelhantes. O Brasília Ambiental fortalece ainda mais sua atuação ao participar de intercâmbios como esse, em que podemos comparar metodologias, desafios e soluções aplicadas na gestão das nossas Unidades de Conservação”.
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, reforçou o compromisso do Governo do DF com a proteção ambiental e a importância da cooperação internacional para fortalecer as políticas públicas de conservação. “A troca de conhecimento com um país referência em preservação ambiental, como a Costa Rica, nos permite aprimorar nossas estratégias e buscar soluções inovadoras para garantir um futuro sustentável para o DF”, enfatiza Celina.
Sobre o projeto
O projeto “Avaliação e Fortalecimento do Sistema de Unidades de Conservação Distrital e Estudo de Parcerias Público-Privadas e Público-Comunitárias” se traduz no desenvolvimento de vários estudos que se distribuem em três componentes no DF. Os dois primeiros componentes, que são o Estudo de Gestão de Áreas Protegidas e o Uso Público e Visitação, principalmente voltado para o turismo, já estão em desenvolvimento.
Além da superintendente e da diretora da Sucon, participaram da visita à Costa Rica os professores do CDS/UnB, Mauro Capellari e André Cunha; a professora do Departamento de Geografia da UnB, Potira Hermuche; e o doutorando do CDS/UnB, Marcos Rugnitz Tito.
Fonte: Agência Brasília.


