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A reaproximação entre Brasil e Paraguai ganha novo impulso nesta terça-feira, 9 de dezembro, com a chegada a Brasília do presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez. Médico, senador e líder do Parlamento desde 2024, Núñez integra a ala mais alinhada ao ex-presidente Horacio Cartes dentro do Partido Colorado, base do presidente Santiago Peña.
A delegação será recebida às 10h pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que também participará, às 15h, de reunião conjunta com os senadores paraguaios e o presidente do Congresso brasileiro, Davi Alcolumbre.
A comitiva oficial inclui senadores que presidem comissões estratégicas do país e representantes diplomáticos. Vêm ao Congresso brasileiro:
• Basilio Antonio Núñez, presidente do Congresso e da Câmara de Senadores (HCS);
• Dionisio Amarilla, vice-presidente 2º da HCS e presidente da Comissão de Contas e Controle da Administração Financeira do Estado;
• Javier Zacarías Irún, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, Defesa Nacional e Força Pública, além de presidente da Comissão Parlamentária de Amizade Paraguai–Brasil;
• Antonio Barrios Fernández, presidente da Comissão de Relações Exteriores da HCS;
• Patrick Kemper, presidente da Comissão de Ciências, Tecnologia, Inovação e Futuro;
• Juan Carlos Galaverna, presidente da Comissão de Esportes;
• Juan Ángel Delgadillo, embaixador do Paraguai no Brasil;
• Laura Andrea Núñez González, conselheira da Embaixada do Paraguai;
• Diego Enrique López Garay, primeiro-secretário da Embaixada;
• Marcelo Augusto René Jara Benítez, integrante da equipe de imprensa do Senado paraguaio.
A visita foi anunciada por Delgadillo durante encontro recente com o senador Nelsinho Trad. O embaixador agradeceu pessoalmente o papel do parlamentar sul-mato-grossense na normalização do diálogo entre os dois países após a crise envolvendo a Abin. O senador Nelsinho Trad tem atuado como um dos principais interlocutores políticos do Brasil nesse processo de recomposição da confiança bilateral.
“E vamos, em breve, inaugurar nossa Rota Bioceânica, ligando Brasil com Paraguai, especificamente Porto Murtinho com Carmelo Peralta. Viva o Brasil, viva o Paraguai,” afirmou o parlamentar em vídeo para as redes sociais
Itaipu volta ao centro das conversas
Delgadillo confirmou que as negociações do Anexo C de Itaipu serão retomadas na primeira quinzena de dezembro. O tema trata das bases financeiras e operacionais da hidrelétrica binacional.
A presença dos principais líderes parlamentares do Paraguai em Brasília poucos dias antes da retomada oficial das conversas reforça a disposição de Assunção de dar sustentação política ao processo.
Paraguai: crescimento econômico e reorganização institucional
O Paraguai combina expansão econômica com ajustes na política interna. O país tem PIB de US$ 44,9 bilhões, previsão de crescimento de 3,8% em 2025, dívida pública de 40,7% do PIB e reservas internacionais de US$ 9,87 bilhões. O governo Peña mantém discurso de responsabilidade macroeconômica e registrou aumento de 18% na arrecadação entre 2023 e 2024.
O país abriga cerca de 300 mil brasileiros e mais de 35 mil estudantes brasileiros de medicina — dados que reforçam o peso da integração bilateral.
Fronteira viva: impacto direto em Mato Grosso do Sul
A fronteira seca de Mato Grosso do Sul com o Paraguai é uma das mais intensas do continente. Brasileiros estudam em universidades paraguaias; paraguaios utilizam serviços de saúde e educação no lado brasileiro; o comércio funciona de forma integrada.
Para o senador Nelsinho Trad, a retomada do diálogo político tem efeito imediato sobre essa realidade. O senador avalia que a diplomacia parlamentar vem garantindo “um ambiente de cooperação funcional”.
O TIR e a integração logística
Na mesma semana em que avançou a agenda diplomática, o Senado brasileiro aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 655/2025, relatado por Trad, que confirma a adesão do Brasil ao sistema aduaneiro TIR.
O TIR — já adotado por Paraguai, Argentina e Chile — simplifica o trânsito internacional de cargas por meio de:
• lacre único reconhecido internacionalmente;
• documento padronizado válido para todos os países da rota;
• eliminação de verificações repetidas;
• maior rapidez nas fronteiras.
“Sem ele, cada fronteira vira um novo processo, o que trava projetos de integração como o da nossa Rota Bioceânica”, afirmou o senador.
“A adesão brasileira elimina um gargalo que poderia comprometer o corredor logístico justamente na saída por Mato Grosso do Sul”, explicou.
Fonte: Assessoria do Senador Nelsinho Trad.




