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A visita de Estado do presidente da República da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, ao Brasil, marcada para o dia 27 de julho, representa um dos momentos mais importantes da agenda diplomática entre os dois países nos últimos anos. A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chefe de Estado sul-coreano chega ao Brasil para aprofundar a recém-estabelecida Parceria Estratégica Brasil–Coreia do Sul, formalizada durante a visita oficial de Lula a Seul, em fevereiro deste ano.

O encontro de alto nível reforça o compromisso de Brasília e Seul em ampliar a cooperação política, econômica, científica e tecnológica, consolidando uma relação construída ao longo de mais de seis décadas de amizade diplomática.

Durante a visita, os dois presidentes deverão discutir oportunidades de cooperação em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico dos dois países, incluindo semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética, saúde, indústria farmacêutica, cosméticos, cultura, educação e esportes.

Na área econômica, a expectativa é avançar na ampliação do comércio bilateral, incentivar investimentos e fortalecer a integração das cadeias produtivas. Também estará em pauta a diversificação da pauta comercial e a ampliação do acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado sul-coreano.

Em 2025, a Coreia do Sul consolidou-se como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o quinto principal destino das exportações brasileiras na região. O intercâmbio comercial entre os dois países alcançou US$ 10,8 bilhões, enquanto a Coreia do Sul figura como o 19º maior investidor estrangeiro no Brasil, com presença significativa nos setores automotivo, eletrônico, siderúrgico, energia e tecnologia.

Relações diplomáticas em constante evolução

Brasil e Coreia do Sul estabeleceram relações diplomáticas em 1959. Desde então, a cooperação bilateral evoluiu significativamente, impulsionada pelo fortalecimento das relações comerciais, pelo intercâmbio acadêmico e científico e pela aproximação em temas multilaterais.

Os dois países compartilham posições convergentes em diversos fóruns internacionais, como as Nações Unidas, o G20, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e debates relacionados às mudanças climáticas, segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e reforma da governança global.

A elevação da relação bilateral ao nível de Parceria Estratégica, anunciada em fevereiro de 2026, representa um novo marco diplomático. O acordo é acompanhado pelo Plano de Ação 2026–2029, que estabelece metas para ampliar a cooperação governamental, empresarial, acadêmica e tecnológica, promovendo maior integração entre instituições públicas e privadas dos dois países.

Cooperação tecnológica e inovação

Reconhecida como uma das maiores potências mundiais em inovação, tecnologia e transformação digital, a Coreia do Sul é vista pelo Brasil como um parceiro estratégico para acelerar projetos ligados à indústria de alta tecnologia, digitalização da economia e desenvolvimento sustentável.

Entre os temas prioritários estão o fortalecimento da indústria de semicondutores, a expansão da pesquisa em inteligência artificial, investimentos em energias limpas, hidrogênio verde, mobilidade sustentável e exploração responsável de minerais críticos, considerados essenciais para a nova economia global.

A expectativa é que a visita também estimule novos investimentos sul-coreanos no Brasil e fortaleça parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas dos dois países.

Diplomacia voltada para o futuro

A visita do presidente Lee Jae-Myung simboliza a intensificação do diálogo político entre Brasília e Seul em um cenário internacional marcado pela reconfiguração das cadeias produtivas globais e pela crescente importância da cooperação tecnológica.

Ao fortalecer sua parceria com a Coreia do Sul, o Brasil amplia sua inserção estratégica na Ásia, diversifica suas relações internacionais e busca atrair investimentos capazes de impulsionar a inovação, a competitividade industrial e o desenvolvimento sustentável.

Para a Coreia do Sul, o Brasil permanece como um dos principais parceiros na América Latina, reunindo potencial econômico, recursos naturais estratégicos, liderança regional e papel relevante nas agendas globais de clima, energia, segurança alimentar e desenvolvimento.

*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

 

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