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A Semana da Agricultura Digital (SAD) 2026 demonstrou que a fronteira da inovação continua avançando e que já existem tecnologias para abordar muitos dos desafios que a produção agropecuária enfrenta, embora ainda não tenha alcançado a velocidade desejada em sua adoção pelos agricultores.

A quinta edição da SAD foi concluída depois de quatro dias de trabalho na sede do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). Com cerca de 200 participantes representando mais de 25 países, o encontro consolidou seu lugar como um âmbito central para a promoção da transformação digital da agricultura.

O papel para a construção de uma agricultura mais produtiva e sustentável desempenhado pela inteligência artificial (IA) e outros desenvolvimentos inovadores esteve no centro de um encontro que conectou as novas tecnologias com as necessidades do território e focou em como articulá-las da maneira mais funcional com políticas públicas, financiamentos e capacidades institucionais.

A SAD 2026 teve espaços de intercâmbio e networking, apresentações de especialistas e painéis de debate. Ela foi organizada pelo IICA, com o apoio de parceiros estratégicos como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o Banco Mundial (BM), a empresa Bayer, a Universidade de Córdoba (Espanha) e a Fundação CRUSA, o Instituto Nacional de Aprendizagem da Costa Rica (INA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além do apoio de mais de 30 entidades promotoras.

Empreendedores representando 14 startups agtechs de 13 países do continente viajaram para a Costa Rica e participaram do encontro, onde tiveram a oportunidade de apresentar suas soluções para diversos problemas da produção agropecuária.

A SAD 2026 também reuniu outros atores públicos e privados envolvidos no desenvolvimento e adoção de tecnologias digitais, inclusive incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento, institutos de pesquisa agropecuária, organismos multilaterais, academia e decisores políticos.

No encerramento do encontro, Federico Bert, especialista em Digitalização e Inteligência Artificial do IICA, observou que a SAD 2026 deixou claro que a fronteira da inovação não para de avançar. Nesse sentido, indicou que há tecnologias digitais concretas que atendem a alguns dos principais desafios que a agricultura enfrenta na região, como a gestão de riscos, o financiamento e a extensão rural.

“Houve certo consenso ao longo da semana de trabalho, quanto ao gargalo estar na sua incorporação por parte dos agricultores. Daqui para frente, é preciso haver mais inovação, mas também maior foco em sua adoção. É necessário que nos concentremos em despertar o interesse dos produtores, desenvolver capacidades, adaptar as soluções ao contexto e acompanhar tecnicamente os que incorporam as novas soluções tecnológicas”, alertou.

Não renunciar ao rigor científico

A Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Silvia Massruhá, afirmou que não está vendo um cenário no qual a IA substitua o pesquisador.

“O que vemos — afirmou em um painel sobre o papel das tecnologias digitais e da IA para potencializar a pesquisa e o desenvolvimento agropecuário — é pesquisadores que utilizam a IA e, dessa maneira, ampliam largamente sua capacidade de produzir conhecimento. O nosso desafio, como instituições de ciência, é preparar as pessoas e as organizações para essa transformação sem renunciar ao nosso rigor científico, nossa ética e nossa missão pública”.

A EMBRAPA é uma instituição pública que foi fundamental na revolução agropecuária que o Brasil experimentou nas últimas décadas, deixando de ser um importador de alimentos e se convertendo em uma potência agroalimentar de referência global.

“Hoje temos uma produtividade cinco vezes maior do que quando a EMBRAPA nasceu, há pouco mais de 50 anos. Contamos com 8000 funcionários em todo o país, distribuídos em 43 unidades de pesquisa.  E temos muito claro que não basta desenvolver tecnologias, se não forem capacitadas e desenvolvidas as pessoas que devem aplicá-las”, disse Massruhá.

Miguel Sierra, Presidente do Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária (INIA), do Uruguai, observou que essa instituição científica pública tem situado a transformação digital e a IA como um eixo estratégico para os próximos cinco anos.

“A IA não questiona o método científico, mas afeta a forma como vínhamos desenvolvendo os processos. Há uma mudança de paradigma. Estamos passando de um enfoque empírico e experimental para outro, no qual os dados vêm de diversas fontes. O desafio é validar esses dados e complementá-los com a participação de atores que estão nos territórios. A contribuição humana e a reflexão crítica continuam sendo necessárias”, afirmou.

Por sua vez, Liliana Chavez, Diretora Executiva do Instituto Nacional de Inovação e Transferência em Tecnologia Agropecuária (INTA) da Costa Rica, considerou que a IA permite integrar mais variáveis relacionadas com a produção agrícola e a resolução de problemas, mas os desafios continuam: “Temos pragas e doenças, degradação dos solos e jovens deixam o campo. Hoje, um dos desafios é incorporar a IA em nossas pesquisas de maneira efetiva, sem nos esquecermos de ir ao campo e não permitir que o hiato entre os que têm acesso às novas tecnologias e os demais aumente. As pessoas sempre devem estar no centro”.

 

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