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A agricultura do Caribe enfrenta uma crise sem precedentes à medida que eventos climáticos cada vez mais intensos devastam comunidades rurais e ameaçam a segurança alimentar de toda a região. O alerta foi feito por especialistas e líderes de desenvolvimento durante um painel organizado pelo Banco de Desenvolvimento do Caribe (CDB) na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, no Brasil.
O evento, intitulado “Agricultura e Segurança Alimentar no Caribe: Ampliando Soluções Inovadoras para uma Agricultura Resiliente ao Clima”, reuniu representantes do CDB, do Fundo Verde para o Clima (GCF), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do CGIAR. O objetivo central foi discutir caminhos para proteger os sistemas alimentares caribenhos em meio ao agravamento da crise climática.
Logo na abertura, o presidente do CDB, Daniel M. Best, destacou o impacto devastador do recente furacão Melissa, que atingiu a Jamaica, e alertou que o setor agrícola continua entre os mais vulneráveis aos desastres climáticos.
“Esses não são eventos isolados ou hipotéticos. O Caribe já sofre com temperaturas em alta, chuvas irregulares, elevação do nível do mar e tempestades que se intensificam a cada ano. É um golpe duplo que ameaça profundamente nossas perspectivas de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Para o Diretor de Ação Climática do CGIAR, Dr. Todd Rosenstock, os impactos vão muito além da destruição de plantações. Eventos extremos desestabilizam cadeias de valor inteiras, dificultando o abastecimento das ilhas e afetando a economia regional. Ele ressaltou, porém, que o principal desafio é a água.
“É uma crise hídrica. Secas prolongadas e chuvas intensas estão reduzindo a capacidade produtiva das terras agrícolas. Enfrentar a crise da água é uma prioridade absoluta”, disse.
A mesma preocupação foi compartilhada por Kristin Lang, Diretora para América Latina e Caribe do GCF.
“Não há segurança alimentar sem segurança hídrica. Precisamos repensar a irrigação, porque a chuva no futuro será sempre excessiva ou insuficiente”, afirmou.
O Líder da Equipe de Mudanças Climáticas da FAO, Martial Bernoux, apresentou três pilares essenciais para transformar o setor agrícola: políticas estruturadas, mecanismos de financiamento e sistemas robustos de dados. Ele alertou para uma grave lacuna de investimentos.
“Em dois anos, todos os setores aumentaram seus investimentos climáticos em 11%. A agricultura? Apenas 1%. É o único setor que não está atraindo os recursos necessários”, disse.
Bernoux destacou ainda que o financiamento público não será suficiente para promover a transformação desejada.
“Precisamos de trilhões, não bilhões. E isso só virá quando mostrarmos que investir na agricultura funciona.”
Apesar dos desafios, os participantes do painel foram unânimes ao afirmar que soluções já existem — desde tecnologias de irrigação inteligente até sistemas de dados que antecipam riscos — mas precisam ser implementadas em larga escala e com urgência. Todos também enfatizaram que agricultores, pescadores e comunidades rurais devem estar no centro das estratégias de adaptação climática.
O painel integrou uma série de atividades promovidas pelo CDB durante a COP30, cujo principal objetivo foi reforçar a vulnerabilidade do Caribe diante das mudanças climáticas e mobilizar apoio global para soluções eficazes que garantam a resiliência da região.
*Com informações da CARICOM.




