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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da LXVIII Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, que será realizada em Assunção, no Paraguai, no dia 30 de junho. O encontro reunirá os líderes dos países membros e associados do bloco para discutir medidas de aprofundamento da integração regional, fortalecimento do comércio, agenda social e desenvolvimento.
A programação em Assunção será precedida, na segunda-feira (29/6), pela reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), envolvendo ministros das Relações Exteriores, da Fazenda e representantes dos bancos centrais dos países membros. A sessão de chefes de Estado ocorrerá na manhã de terça-feira (30/6), com participação do presidente Lula e dos demais líderes da região.
Durante briefing realizado nesta quinta-feira (26/6), no Ministério das Relações Exteriores, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Padovan, destacou a relevância estratégica do Mercosul para a América do Sul e para a economia mundial. Segundo ela, o bloco reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul. Padovan lembrou que o Mercosul completou 35 anos em março e ressaltou o potencial do comércio regional.
Eu sempre vou recordar que o comércio Mercosul é, antes de tudo, um acordo comercial. O comércio intra-Mercosul cresceu 11 vezes, chegando a US$ 51 bilhões no ano passado, mas o recorde foi de US$ 53 bilhões em 2011. Então existe um enorme potencial”, afirmou a embaixadora. “Eu gosto sempre de lembrar o caráter de alto valor agregado do comércio intra-Mercosul. Acho que, além do volume do comércio, a qualidade do comércio intra-Mercosul é notável”.
Em 2025, as exportações brasileiras para países do bloco alcançaram quase US$ 26 bilhões, o equivalente a 7,5% das exportações do Brasil. O comércio do Mercosul com o restante do mundo somou US$ 757 bilhões. No primeiro quadrimestre de 2026, a corrente extrazona chegou a US$ 247,3 bilhões, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025.
AVANÇOS — Entre os avanços previstos para a cúpula está a assinatura do acordo que permitirá o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados Associados. Também será firmado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica, aproximando sistemas digitais como o GOV.BR dos mecanismos adotados pelos demais países do bloco.
SEGURANÇA CIDADÃ — Na área de segurança cidadã, o Brasil apresentará uma proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A iniciativa se soma aos esforços já em andamento para implementação da Estratégia Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional, considerada prioritária para os países da região.
FOCEM — Outro destaque da reunião será o anúncio do aumento da contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), instrumento criado para reduzir desigualdades entre os países do bloco por meio do financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais.
A embaixadora Gisela Padovan ressaltou que o fundo já apoiou a construção de rodovias, ferrovias, linhas de transmissão de energia, sistemas de saneamento, escolas, moradias e laboratórios. O Brasil também está aprovando novos projetos com recursos ainda disponíveis do atual ciclo do Focem, incluindo iniciativas voltadas à cidadania indígena em regiões de fronteira, melhorias urbanas em Bela Vista (MS) e a implantação de um parque tecnológico em Santana do Livramento (RS).
“Nós estamos aprovando um projeto chamado Indígena Cidadão, Fronteira Cidadã, tendo presente que 39% da nossa população indígena vive nas fronteiras, então, para fazer ações de cidadania e proteção social para essas comunidades”, disse Padovan.
A cúpula deverá marcar o lançamento das negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Panamá e também para avançar em entendimentos com a República Dominicana, Guiana, Suriname e Trinidad e Tobago. O bloco também trabalha para a implementação do acordo modernizado com o Chile e da atualização de instrumentos comerciais com Colômbia e Peru.
NEGOCIAÇÕES — O secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, destacou que o Mercosul vive atualmente o período mais intenso de negociações comerciais externas desde sua criação. “A quantidade de frentes que nós temos simultâneas e que estão dando frutos já é sem paralelo em outras épocas do Mercosul. Então é uma época bastante rica e bastante intensa sobre esse sentido”, disse.
Segundo ele, já estão em fase de implementação ou de conclusão dos trâmites internos os acordos firmados com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura. A próxima cúpula também deverá formalizar o lançamento das negociações com o Japão e a Índia.
Fonte: Planalto




